Escolas usam cães para ensinar

Isso mesmo! Uma nova disciplina está encantando a criançada. Em vez de giz de cera e massinha de modelar, os materiais obrigatórios são guias e coleiras
Na nossa infância éramos fascinadas pelo Snoopy e Scooby Doo, cachorrinhos espertos que nos deixavam boquiabertos. Queríamos que osnossos simples bichinhos tivessem a mesma esperteza e agilidade do que os das telinhas.

Os anos se passaram, a geração se renovou, os desenhos animados se modernizaram e o mesmo carisma dos amiguinhos de quatro patas permaneceu. Hoje, a simbologia do colega afetuoso continua estampada
em cãozinhos divertidos e inteligentes, como o Doki, mascote do Discovery Kids.

Qual é o bebê que não arregala os olhinhos e abre aquele sorriso gostoso quando vê um au au balançando o rabinho? Acho que a maioria, não é mesmo?

“Acredita-se que as crianças que crescem com algum bichinho de estimação sejam mais amorosas”, afirma a diretora-pedagógica Angela Bocchile, da Escola Infantil Doce Geração, em Cotia, SP.

Sobre a nova aula

Seguindo essa filosofia, uma nova aula oferecida na escola está chamando a atenção das mamães e despertando o fascínio dos pequenos a partir do mini-maternal, bebês de 1 aninho.

O nome é “pet ação”, ou seja, uma atividade com a participação de animais. A técnica foi estudada e adaptada pela psicopedagoga e médica veterinária Paula Lopes. Geralmente, o método tem objetivo terapêutico e é aplicado em crianças especiais, com deficiência física ou mental. A diferença é que a profissional levou para o ensino regular, utilizando apenas cães.

A professora resolveu criar a aula após ter acesso a uma série de estudos que relatam que o contato com os animais ajuda a desenvolver o conhecimento, eleva o potencial de inteligência e melhora o desempenho na leitura.

“Cientificamente, a Atividade Assistida por Animais (AAA) é reconhecida no mundo. EUA e países da Europa já adotam esse trabalho há 40 anos.”

Paula Lopes tem a ajuda de quatro auxiliares muito especiais no trabalho com as criancinhas: July, cadela da raça Goldem Retriever; Lory, Retriever
do Labrador, além de Sol e Lua, duas pequenas Lhasa Apso.

“Só o animal interage com os pequenos de forma tão afetuosa, coisa que nenhum brinquedo é capaz de fazer”, explica a professora.

Segundo ela, essa interação fornece efeitos positivos para o desenvolvimento mental, proporcionando experiências que envolvem emoções, responsabilidade e conseqüências.

Diz a psicopedagoga que “por meio do contato com o animal, nascem o cuidado, o respeito e a amizade que nós devemos ter por todos os seres vivos”.

Com muita cor, formas, elementos lúdicos e jogos, as aulas de “pet ação” reforçam o que é ensinado. Alunos com dificuldade para aprender a soletrar determinadas letras, por exemplo, são estimulados a encontrar a pronúncia correta com a ajuda dos cachorros.

O processo é bem simples: os animais usam coletes coloridos revestidos com velcro. As letras em forma de adesivo são fixadas. Enquanto uma atividade se desenrola, a professora procura concentrar a atenção da criança na letra, sempre ressaltando a pronúncia certa.

“A grande vantagem é que a turminha fica muito mais atenta, já que todos se encantam com cada movimento dos animais”, afirma a diretora da escola, Angela Bocchile.

O auxílio no desenvolvimento das crianças

A técnica permite a adaptação de diversos jogos, como quebra-cabeça, futebol, dominó, entre outros. Além disso, pode ser relacionada a diversas matérias, como matemática, português, inglês, entre outras.

Outros aspectos muito importantes também são trabalhados. A coordenação motora é estimulada, as crianças aprendem a cuidar do animal, além de dar comandos como sentar, por exemplo.

A “pet ação” está desde 2005 na grade curricular da escola Doce Geração, que tem 156 matriculados este ano. Nesse período, apenas uma criança foi impedida pelos pais de fazer a aula.

“A mãe tem pavor de cachorro. Achou melhor que o filho não participasse e nós respeitamos a decisão”, comenta a diretora.

Também responsável pelo treinamento dos cães, a professora Paula Lopes diz que outra vantagem da técnica é que as crianças aprendem a dominar o medo.

Ela lembra o caso do aluninho Thiago S. Dutra, de apenas 1 ano e 6
meses. “Ele nem chegava perto. Hoje, monta, desfila e até abraça os animais”, comemora.

Diversas crianças entraram na escola com receio dos animais e agora estão como o Thiaguinho, soltas e apaixonadas pela equipe. Mas há quem sempre adorou a “pet ação”.

A aluna Vitória Costa, de 6 anos, não queria de jeito nenhum aceitar a escola. Mudou de idéia na hora graças à “Lory”. A menina estava sentadinha na secretaria com a mãe, quando a labradora, num momento de descanso entre uma aula e outra, foi até ela e estendeu a pata. O gesto foi
suficiente para Vitória abrir um belo sorriso e aceitar a matrícula.

A professora ressalta que os alunos são orientados a não passar a mão em animais desconhecidos ou que não tenham sido apresentados por um adulto próximo.

“Não podemos correr o risco de que eles resolvam acariciar uma fera solta na rua”, adverte.

A seleção dos animais

Os cachorros foram escolhidos para essa atividade porque são amigos e fiés. Com temperamento dócil e calmo, cativam as crianças exercitando confiança mútua, respeito, auto-estima e afeto.

Como veterinária, Paula Lopes recomenda as raças Retriever do Labrador, Goldem Retriever, Lhasa Apso e Poodle, pois todas possuem as características necessárias para a atividade.

Entretanto, podem-se utilizar outras raças, mas o animal precisa ser treinado para esse trabalho desde filhote para desenvolver boa socialização e ser acostumado com diferentes pessoas, ambientes e situações.

Preucações:

A saúde dos animais é muito importante. Deve-se fazer o controle de parasitas e a vacinação precisa sempre estar em dia. Também é recomendável levar os animais uma vez por mês ao veterinário para que se tenha certeza de que eles estão livres de qualquer tipo de doença.

São cuidados imprescindíveis para manter a segurança e a saúde das crianças, bem como o sucesso da atividade. Não existe contra-indicação ao contato de gestantes e bebês a partir dos 6 meses com cachorros. Porém, é adequado tomar certos cuidados, como não deixar o bebê colocar a mão na boca do cachorro.

Por mais bem cuidado que o cão seja, eventualmente “fuça” em um lixo, como outro qualquer. Sempre há o risco de que a criança leve a mão à boca e se contamine.


Fonte: http://itodas.uol.com.br/Portal/mae/criancas/educacao/materia.itd.aspx?cod=7926&canal=51&Pagina=2
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