Reflexologia na gravidez

Gestantes com pré-eclâmpsia apresentaram melhora na pressão arterial após passar por sessões da massagem.



Vencer o preconceito e o ceticismo, sobretudo dos profissionais de saúde, e dar respaldo científico a uma forma complementar de terapia ainda pouco estudada no Brasil é o maior desafio da enfermeira-obstetra e reflexologista Rosemeire Sartori de Albuquerque, que acaba de defender sua tese de doutorado na Unifesp.

Em seu estudo, Rosemeire avaliou o uso da reflexologia – massagem terapêutica que consiste em aplicar pressão sobre pontos específicos dos pés ou das mãos para causar efeitos reflexos em diversas partes do corpo— em gestantes com pré-eclâmpsia.

A doença está relacionada à hipertensão e afeta mais de seis milhões de gestantes por ano em todo o mundo. Além da elevação da pressão sangüínea, o distúrbio é caracterizado pela presença de proteína na urina (proteinúria) e, algumas vezes, inchaço nas mãos e no rosto.

Os resultados da pesquisa foram positivos. A análise estatística apontou índices significativos de diminuição da pressão sistólica (quando o coração se contrai para bombear o sangue para fora), e da diastólica (quando o coração relaxa entre as batidas), assim como do grau de edema entre as gestantes tratadas com reflexologia.

Os bebês também foram beneficiados: Os filhos das mulheres que receberam a massagem tiveram melhor desempenho no teste de Ápgar, que avalia as funções vitais da criança no primeiro e no quinto minuto de vida.

“Além dos resultados que apareciam nos exames clínicos, as próprias gestantes também relatavam passar por um grande bem-estar durante a massagem. Elas diziam que as dores nas costas diminuíam e que sentiam mais os movimentos do bebê”, diz Rosemeire.

A pesquisadora selecionou 29 mulheres com diagnóstico confirmado de pré-eclâmpsia para receber a massagem e outras 30 gestantes, que também tinham a doença, mas não receberam a reflexologia, atendidas em um hospital de referência para alto risco em São Paulo. Todas as pacientes tomavam medicamentos para controlar a pressão. Foram comparados o índice de pressão arterial, grau de edema e nível de proteinúria entre os dois grupos. A avaliação das pacientes, de acordo com a pesquisadora, foi feita com base na leitura dos prontuários médicos.

Segundo a enfermeira, é possível perceber, apenas olhando para os pés, em qual parte do organismo se encontra o problema, mas não se pode saber com exatidão qual a doença. O diagnóstico se baseia na disposição dos sinais existentes, como áreas vermelhas ou inchadas e calosidades, de acordo com o mapa dos pontos reflexos existente nos pés.
Desconhecimento

A falta de pesquisas que envolvam a reflexologia no Brasil faz com que haja dúvidas sobre sua eficácia. Mesmo assim, uma resolução do Conselho Regional de Enfermagem (197/97) reconhece a técnica como especialidade facultada aos enfermeiros. “Há muito o que se estudar ainda sobre esse tipo de terapia, mas a pesquisa já abriu um caminho”, diz a professora Massae Noda Chaud, orientadora do estudo.

Na opinião de José Roberto Leite, coordenador da unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, há uma grande carência de pesquisas científicas sobre esse tipo de terapia. “São iniciativas assim que vão consolidar práticas que ainda não têm o respaldo necessário para serem mais difundidas. Se for comprovada sua eficácia, poderemos economizar recursos e diminuir o uso de remédios.”

O baixo custo foi um dos fatores que fizeram a Prefeitura de São Paulo investir na adoção de práticas como acupuntura e fitoterapia na rede municipal de saúde. “São terapias eficazes e que podem ser levadas a vários lugares, além de serem muito bem aceitas pelos usuários”, afirma Emílio Telesi Júnior, assessor técnico da Secretaria Municipal da Saúde.


Por: Melissa Diniz

Fonte: http://www.massoterapia.med.br/midia/wmidia.php?id=6

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