Yoga para bebês e crianças


A Yoga ganha espaço entre bebês e crianças, abrindo portas para uma disciplina física e mental que pode durar toda a vida.

Se há alguns anos a yoga para gestantes causou frisson, hoje a novidade é a yoga pós-gestacional – depois de acompanhar as acrobacias dentro da mãe, é hora do neném fazer ao lado dela! Mas como surgiu esta modalidade? Além de voltar à forma física, o pós-parto traz o desafio de retomar o equilíbrio emocional para se adaptar à nova fase.

Após darem à luz, muitas alunas da yoga gestacional se viam obrigadas a desistir das aulas por não poderem deixar os bebês por um minuto sequer. Conciliar o cuidado físico e psicológico com tantas obrigações maternas era um grande desafio para todas elas. Foi pensando nestas necessidades que algumas academias criaram a Yoga Baby, para não deixar os baixinhos de fora.

Embora ainda seja recente, o curso tem lentamente se ampliado – nas poucas escolas paulistanas em que é oferecido, a mensalidade média é de R$ 180 por aulas semanais. Para as mamães, a prática promete recondicionar o corpo de maneira gradual e descontraída: “Além de um suave fortalecimento muscular e alívio de dores cervicais, proporciona melhora da postura e até do aleitamento”, afirma a fisioterapeuta Cristina Balzano, professora de yoga para gestantes há doze anos.

Saúde a dois

Na Yoga Baby, mãe e filho desfrutam de um momento de relaxamento e interação. As alunas carregam seus nenéns nas mais diversas posições – “Claro que não exigimos qualquer esforço da parte deles, pois tudo deve ser uma grande brincadeira”. Mesmo com as adultas, o tratamento não é rígido, já que devem ficar livres para atender aos bebês a qualquer minuto e não podem exagerar na cobrança de seus próprios corpos.

Alguns benefícios ultrapassam o aspecto físico: “Passei a me sentir bem mais relaxada e com maior paz de espírito, o que se reflete em todos os meus afazeres fora da sala”, conta Maria Eugenia Camargo, aluna de Christina. Maior flexibilidade, força e resistência são os principais resultados para as mães, podendo incluir até mesmo a prevenção da depressão pós-parto.

Já para os recém-nascidos, a diminuição de cólicas e da ansiedade é um efeito frequente. Os papais, naturalmente, também são grandes candidatos para a prática. Na escola de Cristina, alguns maridos já acompanharam seus filhotes: “Mas, no geral, a frequência feminina é bem maior por conta da licença maternidade. Afinal, em quase todas as famílias, os pais têm de continuar trabalhando fora”.

Mesmo com maior disponibilidade que seus maridos, muitas mulheres têm dificuldade ao se programar para não faltar às aulas porque o neném ainda não tem rotina fixa: “O indicado é que esteja bem desperto, disposto e que já tenha mamado há pelo menos uma hora”, ressalta a professora. Com a dificuldade de regular ou prever tantos horários, muitos aluninhos não chegam acordados na sala.


A melhor época

Dentro da sala e sob o olhar dos professores, a Yoga Baby costuma ser liberada a partir de um mês de idade. Se for praticada em casa, recomenda-se esperar até o terceiro mês – “Só então ele estará mais durinho e com a cabeça mais firme para que a mãe consiga controlar sozinha”, indica Cristina.

Depois dos dez meses, os pequeninos começam a engatinhar e se aventurar pela sala, dificultando o controle do professor. Para praticar por conta própria, alguns instrutores liberam a partir dos dois anos de idade, sob monitoramento de algum adulto.

Mas a idade ideal para a prática gera grandes controvérsias. Para muitos professores, esta fase é extremamente precoce. Como requer equilíbrio, coordenação motora e alguns esforços musculares que os bebês ainda não desenvolveram, a yoga apresenta resultados mais visíveis somente a partir dos seis anos. Até esta faixa etária, as aulas têm somente efeito lúdico.

Segundo a professora Cristiane Ceron, a estreia deve esperar: “Acredito que a criança deve praticar asanas só a partir dos sete anos, pois até então o organismo ainda está em formação. Mas a espiritualidade da yoga é para qualquer idade, por isso, antes desta fase, a criança pode ouvir histórias e cantos de yoga ou assistir aos pais praticando”.

O método Kundalini, por exemplo, costuma ser um dos mais indicados para o público infantil, pois reúne mais práticas de meditação, respiração e relaxamento do que movimentos complexos ou intensos.


Reeducação física

Até mesmo escolas do Ensino Infantil e Fundamental já inseriram a yoga em sua grade curricular. Na instituição em que Christiane Ceron leciona, as classes do primeiro ao quarto ano são divididas em turmas de seis a doze alunos para garantir atendimento particularizado e melhor acompanhamento de sua evolução.

“O autoconhecimento é um dos principais objetivos. As crianças que praticam percebem mais facilmente seu potencial e começam a se posicionar de forma mais equilibrada diante de desafios”, afirma Christiane.
Na sala de aula, alguns já apresentam bons resultados como melhora na concentração, maior serenidade e estabilidade emocional. Os corpinhos também exibem efeitos positivos – aumento da flexibilidade, preparo do tônus muscular e expansão da respiração foram notados em poucos meses.

A professora revela os desafios do aprendizado: “Agitação e falta de concentração são as dificuldades mais comuns, pois são naturais da mente infantil, em constante movimento. Mas já tivemos de lidar com casos extremos como princípio de estresse e depressão”.

Além dos benefícios emocionais e físicos, a yoga tem se mostrado uma ferramenta muito eficaz na harmonização entre os colegas. Em meio a tanta euforia e dispersão, típicas da idade, os professores têm de se desdobrar para manter todos concentrados por vários minutos, trazendo aulas sempre novas e criativas que lhe despertem o máximo de interesse. Jogos e brincadeiras são boas táticas para incentivar sua participação constante.

Christiane, que começou a prática com apenas seis anos de idade, garante que alguns resultados perduram por muitos anos, pois são incorporados pela personalidade em formação – “A yoga deveria fazer parte da Educação Física de todas as escolas, pois não é uma religião, mas sim uma prática acessível a todas as culturas, credos e idades”.


Fonte: http://itodas.uol.com.br/Portal//final/materia.aspx?canal=51&cod=8151

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