Parto Humanizado

Parto Humanizado: Atenção à mulher e rápida recuperação.

Na água, de cócoras, sentada, com corte, sem analgesia, cirúrgico... As opções para ter um filho são tantas que até confundem as gestantes. Mas que tal deixar a natureza agir e apenas ter o bebê?

Desde a formação do feto, tudo muda: corpo, mente e emoções. Quando a barriga já está pesada, os movimentos mais lentos e a mãe ansiosa para ver o rostinho do neném, também se aproxima um dos momentos mais especiais: o parto.

A medicina evoluiu, mas o modo mais simples e conhecido há milênios, é ainda o mais indicado: o parto normal (vaginal), sem intervenções e da forma que deixe a gestante segura e protagonista do momento dela. Tornar o nascimento o mais natural e melhor para a mãe e para o neném é o objetivo do parto humanizado, modalidade que vem ganhando muitas adeptas no Estado.

Segundo o médico ginecologista Paulo Batistuta, referência no assunto, esse procedimento permite à mulher viver na sua integridade, de uma maneira muito ampla e rica, a experiência do parto. "Essa é a maneira que a natureza escolheu para o bebê nascer", defende Batistuta. Em entrevista, ele explica como funciona e o que representa para a mulher esse modo de trazer um filho ao mundo.


O que significa o termo parto humanizado?

O termo é utilizado pelos ativistas que buscam um maior protagonismo da mulher durante o parto e faz parte de um esforço mundial para reduzir os riscos desse atendimento.


Como ele funciona?

A maneira de parir é a mesma desde as épocas mais primitivas da humanidade. O que muda é como nós, médicos, vemos e atendemos essas mulheres. A mulher que tem a chance de ser a protagonista do seu parto pode escolher determinadas coisas que não afetam em nada na segurança e evolução do mesmo: se terá o bebê sentada, deitada ou se vai ter ou não acompanhante durante o processo. Isso permite a pessoa se sentir melhor. Também faz parte do processo de humanização o respeito que temos por essa pessoa.
 
 
Quais são os benefícios?

Do ponto de vista médico, complica menos para a mãe e para o bebê. Ainda hoje se morre de parto normal e de cesária também. O que é menos perigoso é o parto natural, humanizado. A cesariana é o que mais complica. O parto cheio de intervenções tem risco; a cesariana de todos é o que traz mais risco. Do ponto de vista emocional, não podemos esquecer que temos corpo e alma. O parto humanizado permite a mulher viver na sua integridade, de uma maneira muito ampla e rica, a experiência do parto. E essa é a maneira que a natureza escolheu para o bebê nascer. Estudos da psicologia mostram que há benefícios no desenvolvimento desse bebê. Sem contar que, após esse tipo de parto, a mulher sai andando.


As mulheres devem fazer algum tipo de preparação?

Não acredito que deva existir uma preparação muito grande para o parto. Tem que ser uma coisa muito simples, senão não dá certo. Imagine o que há de preparo para o parto do ser humano, mas e dos outros animais? A natureza já fez uma maneira para dar certo. Nós, no processo civilizatório, estamos interferindo, colocando uma série de coisas como necessárias e, às vezes, não são. Se tiver uma doula - acompanhante preparada para ajudar a mãe no parto -, será bom, mas não é obrigatório. Fazer exercício faz bem para a gestante, mas para a saída do bebê, em si, a pessoa deve deixa fluir o que é da sua natureza. Essencial é respeitar o ritmo próprio dessa mulher.


Quando se deve fazer uma intervenção?

Desde que haja um risco iminente para mãe ou bebê, faço até cesariana. Quem trabalha com parto humanizado, não conduz o parto do jeito médico. Olhar a mulher como a principal é humanizar o parto. O condenável não é fazer a cesariana, mas os excessos.


Qual é o tipo de parto mais frequente que o senhor faz?

Sentada ou de cócoras são as posições mais frequentes. A maioria das mulheres opta pela água quente no chuveiro ou na banheira para relaxar. Usamos a água como ferramenta de manejo para aliviar as dores durante o trabalho de parto. O melhor parto é o que a mulher e o bebê saem bem e felizes.
 
 
Onde fazer?

Para realizar esse tipo de procedimento é necessária uma equipe sensível a esse pensamento e uma mulher que queira. É importante a mulher conversar com o seu médico no pré-natal. O profissional tem que prestar informação de qualidade à paciente. Qualquer médico interessado pode fazer. No Hospital Santa Rita há 20 anos que trabalhamos assim. O parto humanizado é uma maneira de questionar os atendimentos às gestantes, que, em muitos casos, têm cesarianas sem necessidade.


O que impede mais partos humanizados?

Algumas maternidades e hospitais não estão preparados para fazer esse tipo de parto em larga escala. Os hospitais estão prontos para fazer cesariana. Não querem perder tempo ou não têm sala específica, só de cirurgia. Já os planos de saúde não querem pagar o tempo todo que o médico fica com a paciente em trabalho de parto. Por isso, alguns fatores desestimulam os médicos.



Fonte: http://gazetaonline.globo.com/index.php?id=/local/vida_saudavel/noticias/materia.php&cd_matia=605537
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