Diástase abdominal em gestantes

A gravidez envolve diversas mudanças físicas e fisiológicas na mulher. Dentre as mudanças físicas destacam-se as adaptações posturais para manter o equilíbrio antigravitacional, visto que o crescimento uterino e o desenvolvimento das mamas fazem com que a distribuição da massa corpórea concentre-se na região anterior do tronco.

Entre as adaptações posturais, a anteversão pélvica, tem importante relação com a coluna vertebral. Ela pode vir acompanhada ou não de hiperlordose lombar e pode influir na protusão da cintura escapular, promovendo ainda mais o deslocamento anterior do centro gravitacional da gestante.

Estímulos endócrinos têm uma importante relação com as mudanças fisiológicas na gestação. Em destaque, a relaxina, um polipeptídeo secretado pelo corpo lúteo, contribui de forma ainda não totalmente esclarecida, mas considera-se que suas principais ações sejam o de relaxamento dos ligamentos (tecido conjuntivo), aumentando a amplitude dos movimentos articulares e preparando o cérvix uterino, tornando-o mais distensível para a dilatação do parto.

Tanto alterações posturais como endócrinas promovem mudanças anátomo-funcionais nos Músculos Retos Abdominais (MRA). Concomitantemente à ação da relaxina, o crescimento uterino impõe forças longitudinais e transversais aos MRA, proporcionando maior tração na divisão entre os dois feixes musculares dos MRA. Assim, esses dois fatores são os principais causadores da Diástase dos Músculos Retos Abdominais (DMRA).

Portanto, a DMRA é uma alteração gestacional, na qual há o afastamento dos MRA na linha média (linha alba). Pode ocorrer na altura do umbigo, acima ou abaixo dela, sendo que a rafe tendínea fica mais frágil de baixo para cima.



Diástases menores que 30 mm tendem a regredir às condições pré-gravídicas sem complicações. Contudo, mulheres com DMRA maior que 30 mm durante a primeira gestação, correm o risco de recidivar e agravar nas gestações subseqüentes e interferir na estabilidade da pelve, o que resultará em sobrecarga dos músculos paravertebrais. Tal fato pode estar relacionado ao aparecimento e/ou intensificação de lombalgias durante a gestação levando a limitação ou incapacidade das AVD’s.

Além de lombalgias, a DMRA está relacionada com o aparecimento de hérnia umbilical, bem como se apresenta também como uma característica esteticamente ruim para a auto-imagem feminina.

Durante o trabalho de parto, diástases acentuadas diminuem a qualidade da contração abdominal, que dessa forma interfere prejudicando o ato de expulsão do feto durante o parto.

Para aferição da DMRA, o método freqüentemente mais utilizado era por meio da palpação e da quantidade de dedos que o examinador conseguia colocar entre os bordos mediais dos MRA8.

Após serem discutidas as falhas deste método, padronizou-se a medição a partir de 4,5 cm acima ou abaixo da cicatriz umbilical, tomando-se a linha alba como referência longitudinal. De modo que a mensuração passou a ser feita com a utilização de paquímetro, instrumento largamente utilizado na engenharia e que obedece aos padrões internacionais de medidas.

A DMRA é mais freqüente em mulheres obesas, multíparas e em primíparas com a musculatura abdominal flácida, ocorrendo maior separação entre os MRA durante o terceiro trimestre ou pós-parto imediato, pois é o momento onde há maior tensão imposta aos MRA, sendo também o melhor momento para a realização do diagnóstico.

O diagnóstico de DMRA é realizado com o paciente em decúbito dorsal com joelhos flexionados e pés apoiados, solicitando em seguida o levantamento lento da cabeça e dos ombros do solo com extensão dos braços em direção aos joelhos, até que as escapulas deixem o solo. Logo em seguida o examinador deve palpar os limites das bordas mediais dos MRA para depois posicionar o paquímetro para a aferição precisa.

A baixa tonicidade dos MRA é o principal fator desencadeante da DMRA. Isso ocorre porque a rafe tendínea que liga longitudinalmente os MRA depende deste tônus para melhor suportar as forças tensoras do desenvolvimento gestacional.

A atuação fisioterapêutica na prevenção e no tratamento pós-parto da DMRA é providencial na melhora da qualidade de vida das mulheres. Deste modo, através da fisioterapia a atividade física durante a gestação pode reduzir e prevenir as lombalgias, contribuindo para adaptação da nova postura adquirida no decorrer da gestação.

Exercícios respiratórios também contribuem para uma melhor relação entre a musculatura abdominal com o assoalho pélvico, musculatura lombar e o diafragma, fomentando um equilíbrio entre estas cadeias.




Fonte: http://www.efdeportes.com/efd129/prevalencia-da-diastase-dos-musculos-retos-abdominais-em-gestantes.htm
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