Matéria com Mary Zwart

“Os hospitais precisam tornar o ambiente mais favorável”

A parteira holandesa Mary Zwart tem 30 anos de experiência. Ela já trouxe ao mundo mais de 4 mil bebês.

O conhecimento acumulado a faz viajar pelo mundo para difundir a humanização do parto. Vem ao Brasil desde 2000 e, a convite do Grupo Piracema, esteve em Blumenau na semana passada para palestrar e visitar hospitais.

O modelo defendido por Mary consiste em a mulher conduzir seu próprio trabalho de parto, com a mínima interferência de médicos, enfermeiras, e em ambiente agradável, preferencialmente em casa. A parteira holandesa entende que o parto só deve ser feito por meio de cesariana em caso de gravidez de risco.

A TRADIÇÃO EUROPEIA

“Na Europa temos uma longa tradição de parteiras. As parteiras têm uma técnica diferente. Para aliviar a dor os médicos usam anestesia, as parteiras, massagem, água quente, posições que aliviam. As parteiras fazem parte do sistema de saúde. É uma escolha das mulheres optarem pelo parto natural.

NO BRASIL

“O movimento pela humanização do parto surgiu em 1985 no Rio de Janeiro. No Brasil só existe uma escola de parteiras, que fica em São Paulo. Há iniciativas no Brasil de tentar mudar a forma como se atende a mulher no parto. Existe uma em que o médico não fica no controle, que o controle é da mulher e acontece de forma natural, que é o parto humanizado. É um outro modelo de atendimento. Daí não é o médico que acompanha a parturiente, mas a enfermeira obstetra. Antes as mulheres só conseguiam ter um parto no hospital naquele modelo tradicional, deitada, com corte no períneo (região entre a vagina e o ânus). O modelo da parteira é de respeitar o corpo da mulher.”

MEDOS

“As histórias e experiências sobre parto das pessoas com as quais a gestante convive influenciam na decisão da mulher sobre a forma de ter o bebê. Se ela tem péssimas histórias na família, ficará com medo na hora do parto. As mulheres têm de ver este evento como um rito de passagem para a fase da mulher adulta.”

LOCAL DO PARTO

“Um parto humanizado não precisa necessariamente ocorrer em casa. O ambiente é mais importante que o lugar. O que ocorre é que nos hospitais brasileiros as salas de parto parecem salas cirúrgicas e isso causa medo nas mulheres. Com este estresse, os hormônios que as mulheres têm de liberar para auxiliar no parto normal são bloqueados. Daí acabam na cesariana. Os hospitais precisam tornar este ambiente mais favorável, que seja amigo da mãe e do bebê.”

CESARIANAS

“As cesáreas são marcadas entre a 37ª e 38ª semana, quando o cérebro do bebê está terminando de se desenvolver. Então ele provavelmente terá menos capacidade de se adaptar a este mundo. Se olharmos para os macacos, com uma cesariana a mãe não consegue se vincular com o filhote depois. E isso tem acontecido com nossos bebês. Não tem sido dada a oportunidade de eles se vincularem às mães logo que nascem.”


TIPOS DE PARTOS NORMAIS

- Na mesa de parto, o obstetra pode ver e acompanhar bem o nascimento, checando se o quadro de saúde e a evolução do trabalho de parto estão dentro do esperado.

- A gestante fica sobre a mesa em posição ginecológica. É comum a utilização de anestesia e outras medicações para regular o ritmo das contrações.

- O parto seria favorecido pela ação da gravidade, acelerando a dilatação e facilitando a expulsão do bebê.

- A posição também aumenta a irrigação sanguínea na região pélvica e a liberação de endorfina, substância analgésica produzida pelo organismo.

- A mulher costuma deitar de lado, dobrar os joelhos e aproximar as pernas da barriga, em posição fetal. Assim, o médico tem espaço para visualizar o nascimento.

- A dilatação é facilitada, reduzindo o tempo do parto, e a posição da coluna estimula as contrações. Já a posição do bebê ajuda sua expulsão, diminuindo a intervenção médica.

- É considerado mais relaxante e menos dolorido do que o método tradicional.

- A água fica em torno de 32°C e 34°C. A alteração da pressão sobre o corpo da gestante permite que a mãe determine a posição mais adequada – em pé, de lado ou de quatro, dentro ou fora da água.



Fonte: http://douladrikacerqueira.blogspot.com/2010/11/os-hospitais-precisam-tornar-o-ambiente.html?spref=fb
.

Comentários