Necessidade do Ensino da Ciência do Início da Vida - Dra. Eleanor Madruga Luzes

Rio de Janeiro - Criadora da CIV, Educadora, Médica e Psiquiatra

A VIDA BEM VINDA – O PRIMEIRO DIREITO HUMANO
PROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO DA CIÊNCIA DO INÍCIO DA VIDA


OBJETIVO

O objetivo deste projeto é tornar a frase “Brasil: país do futuro” uma realidade – para isto basta criar os canais de divulgação do que se intitula Ciência do Início da Vida. O país desenvolverá um futuro diferente, dando o passo mais arrojado que qualquer país já deu.

Visto que o futuro de um país está na saúde física, mental e espiritual dos seus cidadãos, se os futuros indivíduos forem concebidos com amor e preparo adequado, gestados com a sociedade apoiando suas mães, eles certamente serão diferentes – para melhor. E se ainda nascerem de parto humanizado e receberem, na infância, alimento psíquico suficiente para se tornarem cidadãos aptos a fazer o melhor para si e seus semelhantes, tornarem-se criativos e cooperadores, teremos uma sociedade capaz de resolver problemas com facilidade e criatividade. 


Indivíduos nascidos com estas disposições são mais saudáveis, mais inteligentes, têm maior rendimento social e uma vida laborativa mais longa – questão que aflige governos do mundo inteiro, pois atualmente é relativamente pouco o tempo no qual um indivíduo produz e gera riqueza para sua sociedade. Esses indivíduos precisam de muito menos auxílio e contribuem muito mais ao bem estar social. O conhecimento e a aplicação da Ciência do Início da Vida são indispensáveis para o advento de uma humanidade hígida, fraterna, produtiva, justa e dinâmica.

Este projeto entende que o direito à informação é essencial, pois muitas vezes a vida é aniquilada por falta de conhecimento. Logo no início, o índice de mortalidade infantil teria um importante decréscimo e outros índices de morbidade também decresceriam – isto configura direito à vida garantido.

A sociedade que valoriza a educação é a mesma que valoriza a vida. Este será um grande passo para mudar o eixo auto-destrutivo que vem sendo de grande peso nas agendas dos governos de vários países.


BENEFÍCIO
Os benefícios se seguem:

  • Redução de índices de mortalidade infantil e de morbidade em todas as faixas etárias.

  • Redução dos índices de criminalidade e custos relativos (processos judiciais, encarceramento). O indivíduo que pratica infração é o ser que não teve o seu básico garantido, ou seja, não teve atendidos os cuidados pré-natais, peri-natais e da primeira infância. O criminoso é alguém que foi desrespeitado durante a gestação e ao nascer, e que, portanto, “aprendeu” a desrespeitar, trazendo para a sociedade o ônus desta má formação psíquica.


  • Tempo de vida laborativa maior.

  • O uso de droga como fonte de adicção, caso exista, torna-se mínimo.

  • Doenças mentais, sistêmicas e imunes, assim como os acidentes, tornam-se exceção.

  • Tanto o suicídio, como a violência contra terceiros, caem de maneira significativa.

Teremos uma sociedade mais criativa, inteligente e respeitosa da vida.

 
FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA
 
Ciência do Início da Vida é uma disciplina nascida da fusão de conhecimentos amealhados, nas últimas quatro décadas, nas áreas de antropologia, sociologia, pedagogia, psicologia, etologia, embriologia, biologia celular e medicina (obstetrícia, neurologia, endocrinologia, cardiologia, psiquiatria), sendo confirmada pelas tradições e pela arte. Esta é, portanto, uma matéria transdisciplinar, como a própria vida. A metodologia de ensino adotada abaixo é a da transdisciplinaridade, que vem sendo proposta pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para alcançar metas de paz. São cinco as fases enfocadas pela Ciência do Início da Vida:
 
1 – Concepção
 
Os dados da literatura internacional que registraram as memórias deste acontecimento, com universo de mais de 10 milhões de pessoas estudadas, mostram que a concepção influencia notavelmente a saúde física e mental do ser humano para o resto da vida. Hoje, por exemplo, sabemos que o padrão de alimentação dos pais neste período pode determinar anomalias congênitas, seja por álcool (lábio leporino), droga (danos cerebrais). Já foi estabelecida a relação entre o consumo excessivo de agrotóxico e o nascimento de crianças com perímetro craniano maior ou menor. Estudos apontam para uma correlação entre uma concepção desarmoniosa e a tendência à depressão na idade adulta, assim como dificuldade em controlar o impulso agressivo.
 
2 – Gestação

O primeiro trimestre de gravidez é fundamental para a formação do corpo. Hoje sabemos que o código genético que se estruturou na concepção pode ser alterado para melhor ou para pior durante este período. Uma boa saúde depende, essencialmente, da imaginação da mãe, sua vida interior, seu olhar sobre a vida e sua alimentação. Uma vasta literatura demonstra que estes fatores, se bem atendidos, podem fazer com que, mais tarde, não haja ocorrências de doenças como: acidente vascular cerebral, infarto coronariano, hipercolesterolemia, obesidade, diabetes, esquizofrenia, epilepsia. Sabemos o preço que a fome imposta a mulheres grávidas, nos dias de hoje, determina para a geração futura; vide a Segunda Guerra Mundial, quando se pôde acompanhar o que aconteceu com uma população holandesa que, sitiada por tropas alemãs, foi submetida à dieta de poucas calorias – estas população foi acompanhada por mais de sessenta anos. Notou-se que estas pessoas eram propensas a doenças mentais, não se socializavam devidamente e apresentavam maior tendência à obesidade, distúrbio cardiovascular e diabetes do que a população do mesmo país, na mesma faixa etária. Nos dias atuais, sabemos como a baixa dietética atua no primeiro, segundo e terceiro trimestres da gravidez. Quanto mais cedo os indivíduos forem submetidos à dieta, mais graves os danos. Os bebês desrespeitados durante a primeira fase de seu desenvolvimento intra-uterino ficam marcados, ao longo da vida, por uma dificuldade de socialização e tendência a certos cânceres, além das patologias já mencionadas.

A gênese da doença ou da saúde de um ser humano se dá na embriogênese.

3 – Parto
 
O parto constitui um verdadeiro ritual de passagem. Neste processo são “plasmadas” certas qualidades no âmago de uma pessoa; novos atributos ficam como que impressos no seu inconsciente.

O nascimento é a primeira grande transição, imprime profundamente no inconsciente do recém-nascido noções que ficam arraigadas para o resto da vida. Sabemos hoje, por exemplo, que uma grande conseqüência do advento do parto hospitalar com anestesia foi o surgimento de uma população de drogados. Drogas existem desde mais remota antiguidade, e as sintetizadas desde o século dezenove, mas a partir da década de sessenta houve um considerável aumento de viciados em drogas, justamente na primeira geração da história da humanidade a nascer sob sedação. Informes de diversos países mapeiam correlações entre o surgimento do parto hospitalar altamente tecnológico e suas sérias conseqüências, como o aparecimento de autismo, bulemia, anorexia, tendência a cometer delitos e dificuldade de socialização. Pagamos um preço alto quando esquecemos que é necessário honrar a natureza mamífera das parturientes.
 
4 – Amamentação
 
Depois de eficazes campanhas de orientação empreendidas pelo governo, foi possível reverter, no Brasil, ainda que de maneira parcial, um quadro de supressão deste direito humano. De 1950 a 1980, o Brasil, como muitos outros países, trocou o leite materno pelo leite artificial. O resultado foi um aumento exponencial de alergias, problemas emocionais e intelectuais. Ser amamentado, além de aumentar a imunidade e a inteligência, fortalece o sentido de fraternidade. A noção vigente de que competir é melhor que cooperar é uma distorção da fisiologia. Talvez esta seja a mais grave seqüela da falta de amamentação. Se o organismo de um ser humano funciona normalmente é porque em suas entranhas as células sabem trabalhar em estreita colaboração. Vida é colaboração. A competição gera falta de ética, falta de boas condições ecológicas, predatorismo desenfreado e seres que não sabem amar a si mesmo, ao próximo, e muito menos ao meio ambiente.

O Brasil é, hoje, referência mundial no resgate da amamentação, mas não atingimos a licença-amamentação plena por seis meses (ainda é decisão facultativa, nas empresas privadas), prazo mínimo necessário apontado por pesquisas importantes e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
 5 – Os três primeiros anos de vida

 
Período que corresponde às fundações para a saúde mental, período de estruturação do ego (centro da vontade, da determinação e da auto-disciplina). Se um leão, fadado a liderar, precisa da mãe por dois anos, o ser humano sendo o mais complexo dos mamíferos, precisa de três anos de cuidados maternos e familiares para se constituir de maneira íntegra.

Países como Alemanha, Suécia e outros estão começando a rever suas políticas de licença-maternidade, aumentando-a para mais de dois anos, isto porque já estiveram contabilizando os prejuízos que representam para a nação uma geração de jovens que não sabem o que querem, que não conseguem se estruturar para deixar o lar paterno e começar a fazer seu próprio ninho, que colocam-se na vida como filhotes eternos e assumem um fraco compromisso com o trabalho, preferindo canalizar suas energias para diversões supérfluas e muitas vezes daninhas.

Hoje, a geração que se comporta assim é a geração da “creche cedo demais”. Ela tem sido objeto de estudos por sociólogos no mundo inteiro. Muitos destes estudos vêm dos países europeus, particularmente da Inglaterra, demonstrando como se comporta uma geração inteira que não tem o ego bem estruturado. Tais constatações têm forçado os países europeus a rever suas políticas de nascimento devido ao triste peso que estão pagando.

O Brasil viu, nos últimos três anos, seu número de aposentados por invalidez aumentar três vezes, principalmente entre homens jovens, e seis vezes são considerados somente os servidores civis federais. O importante deste dado, mesmo que envolva elementos escusos, é que ele aponta para um padrão de comportamento geracional, também observado na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, o qual revela que os jovens que conseguem burlar o sistema recebem uma aposentadoria e desfrutam de uma vida isenta de “preocupações”, dispensados de assumir maiores responsabilidades.

IMPLANTAÇÃO
 
A estratégia de implantação deste projeto é criar, primeiramente, um espaço de divulgação e inclusão da Ciência do Início da Vida no âmbito nacional do Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária. O Ministério de Educação e Cultura criou o Plano Nacional de Educação, através da Lei 10172 de 09 de Janeiro de 2001, com a finalidade de implantar este programa em todas as Instituições Federais de Ensino Superior, no quadriênio 2001-2004 e assegurar que, no mínimo, 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior sejam reservados para a atuação dos alunos em ações extensionistas. Ou seja, as universidades federais de todo o país devem reservar 10% (em horas) de seus currículos para que os alunos trabalhem em projetos sociais.

O projeto propõe que os estudantes das universidades federais sejam capacitados para que depois utilizem parte destes 10% em atividade de ensino da Ciência do Início da Vida aos jovens das favelas e de outras áreas carentes.

Um segundo modo de divulgação é incluir a Ciência do Início da Vida no ensino à distância, criando na internet um site de informação, destinado principalmente aos professores, mas também disponível para todos os interessados. Um dos direitos humanos fundamentais é o direito de informação sobre tudo o que possa proporcionar melhor saúde física, mental e espiritual, a fim de que cada indivíduo desenvolva seu potencial de satisfação com a vida e, conseqüentemente, com a sociedade. Tal potencial nunca foi plenamente desenvolvido na história da humanidade, mas com o que sabemos hoje, podemos mudar a condição do ser humano no planeta. 

Em terceiro, vem a criação de leis que regulem a veiculação destas informações em caráter permanente na televisão, através da TV Educativa.

Em paralelo, a autora propõe que cada estado inclua a Ciência do Início da Vida nos currículos de segundo grau, como matéria de ensino obrigatória. O currículo de segundo grau é de competência dos estados. É importante que, mesmo depois que aCiência do Início da Vida seja ensinada em todo o território nacional no segundo grau, ainda assim permaneçam programas de esclarecimento na televisão, pois a fração de cidadãos brasileiros que chega ao segundo grau ainda é pequena.

Comentários