Em meio a brincadeiras, crianças já ‘malham’ a partir das 6 semanas em SP

Academias voltadas para os pequenos fazem atividades dirigidas a eles. Algumas funcionam também como escola e aproximam filhos dos pais.


Com 1 ano e meio, João é agitado, acorda cedo e está cheio de energia pela manhã. Para tentar “domar” o filho, sua mãe, a administradora de empresas Daniela Badra Sallum Hallak, de 39 anos, procurou uma atividade que o mantivesse ocupado, ativo e próximo dela – para tentar aplacar o ciúme que ele tem do irmão caçula, de 3 meses. Ela encontrou o que procurava em um tipo de estabelecimento cada vez mais comum em São Paulo: academias voltadas para crianças, que trabalham o movimento dos pequenos desde 6 semanas de idade e ajudam as mães na proximidade com os filhos.

O conceito foi importado dos Estados Unidos e adaptado no Brasil em diversas vertentes. Entretanto, todas elas têm dois pontos em comum: aliar o exercício e o conhecimento à diversão e respeitar as fases da criança, oferecendo atividades que a ajudem a se desenvolver. “Todo dia tenho que inventar algo com ele, é um dilema. Aqui, ele se movimenta, e eu estou procurando ficar mais com ele, é um momento nosso”, conta Daniela, que vai três vezes por semana à Steps Baby Lounge.

No local, há dois tipos de programas: um para crianças de 6 meses a, em média, um ano e meio, e outro para crianças dessa idade até 5 anos. O segundo programa funciona mais como uma pré-escola, mas o primeiro, no qual os pequenos precisam estar acompanhados de um responsável, mexe mais com a criança. São três tipos de aula: movimento, música e artes.

Nós oferecemos os estímulos adequados a cada idade, pois a criança só aprende a coordenação motora quando o psicológico permitir. Nas aulas a partir de 3 meses, por exemplo, é mais uma massagem feita pelas mães nos bebês, para ajudar eles a se desenvolverem”, conta Glaucia Maciel, proprietária do local, inaugurado há 6 anos.

Com aulas que têm como base os movimentos da ginástica olímpica, a My Gym, rede há 6 meses no Brasil, aceita alunos a partir de apenas 6 semanas. Nessas aulas, as mães fazem massagens nos filhos e aprendem que movimentos devem fazer para incentivar seu desenvolvimento. “O método não é competitivo, trabalha a parte física com brincadeira. São coisas fáceis, leves, que não forçam. Como um bebê malha? Tem que estimular o abdômen, por exemplo. A criança tem que ser desafiada, mas precisa ser divertido”, explica Thais Japequino, diretora-executiva da rede no Brasil.

Até os 3 anos, as crianças são acompanhadas dos pais nas aulas. Depois, passam a contar apenas com a ajuda dos professores e começam a desenvolver habilidades mais complexas. Depois dos 7 anos, entram os conceitos de treinamento e boa forma. “Continua tendo a parte da brincadeira, mas as crianças fazem um circuito. É [um trabalho] voltado para aquelas que têm noção de boa forma. Cada semana é feita uma atividade nova, é uma ferramenta para ajudar na sociabilização da criança, ela aprende um pouco de tudo”, conta Thais.

Controle

Nas duas, o número de aulas por semana é controlado, para que mães ansiosas não sobrecarreguem seus filhos – um problema comum nos dias de hoje. O mesmo cuidado ocorre na Bem Me Quer Sports, que conta com uma abordagem diferente: nela, as crianças têm contato com o esporte e aulas como judô, balé e natação desde cedo.

Por dia, cada criança pode fazer até três atividades, o que representa três horas no local. “Dificilmente a criança faz só uma modalidade e vai embora. E além das aulas, a gente trabalha a disciplina, a calma, as horas certas de fazer as coisas, como brincar, tomar banho, comer”, explica Rosana Gregório Ferraz, coordenadora de uma das unidades, que contam também com aulas de circo, capoeira, futebol, tênis, jazz e sapateado.

Mais uma vez, a orientação é respeitar o desenvolvimento da criança. “O tempo de aprendizado não importa, e sim o modo. Queremos que eles aprendam de uma forma prazerosa, para levar o esporte para a vida”, conta Rosana.

A arquiteta Denise de Camargo Ghiu, de 41 anos, leva dois filhos para fazer aulas. Ela conta as mudanças que percebeu nas crianças após o início das aulas. “O Tales ficou muito mais seguro depois da natação, e eu também. E a Melissa, com as aulas de balé, tem mais equilíbrio, postura, noção corporal”, contou. “Aqui é mais dirigido, a experiência da academia é para isso, deixa a criança à vontade, em um ambiente em que os adultos são apenas os professores.”


Alimentação

Quando as crianças ficam várias horas seguidas nos locais de atividade, não tem jeito: é preciso ter uma refeição incluída. Nas academias e espaços visitados pelo G1, isso foi transformado em momento de convivência e aprendizado. Na Steps Baby Lounge, por exemplo, os alunos maiores, que ficam de três a quatro horas por dia no local, ajudam as professoras a montar a mesa para o lanche e são apresentados a alimentos que em casa normalmente eles recusam – beterraba, cenoura e abobrinha, por exemplo – e que no local comem com prazer.

Já na Bem Me Quer o serviço é ainda mais completo. Além do lanche, algumas crianças até almoçam no local – sempre com verduras e legumes no cardápio – e quem faz atividades na piscina é até entregue limpo e cheiroso para a mãe. Funcionárias do local, chamadas de babás, ajudam as crianças a tomar banho, se trocar e guardar suas coisas para voltar para casa.



Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1284385-5605,00-EM+MEIO+A+BRINCADEIRAS+CRIANCAS+JA+MALHAM+A+PARTIR+DAS+SEMANAS+EM+SP.html
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