Maylu Souza - Mãe, Consultora de Amamentação & Shantala, Enfermeira com pós-graduações em Obstetrícia, Saúde Pública e Docência do Ensino Superior. Atualmente é Estagiária de Psicanálise Clínica. Atuou como Enfermeira Obstetra, Professora, Doula Voluntária e Estagiária de Psicologia Hospitalar Materno Infantil em Itabuna-BA

9 de setembro de 2015


"Ser carregadas, embaladas, acariciadas, tocadas, massageadas, cada uma dessas coisas é alimento para as crianças pequenas. Tão indispensáveis, se não mais, que vitaminas, sais minerais e proteínas. Quando são privadas de tudo isso e do cheiro e do calor e da voz que tão bem conhecem, as crianças, ainda que estejam fartas de leite, se deixam morrer de fome." 
(Frederic Leboyer)

26 de agosto de 2015

Depressão infantil: ela existe e está aumentando em todo o mundo

A boa notícia é que a família tem papel fundamental para evitar que a doença se manifeste. 

criança; tristeza; lei da palmada (Foto: Thinkstock)
Um astronauta acaba de se deparar com a imensidão do espaço. Por algum motivo, suas amarras de proteção são desfeitas e ele não vê alternativas para voltar à nave, menos ainda para voltar à Terra. Ele agora está à deriva na imensidão do espaço. O quão desesperador isso lhe parece? Esta metáfora foi usada pelo psicólogo americano Douglas Riley para definir a sensação depressiva de uma criança. No livro The Depressed Child: A Parent’s Guide for Rescuing Kids (Criança Deprimida: um Guia para Pais Resgatarem os Filhos, em tradução livre), o especialista explica que pensamentos negativos, como “ninguém gosta de mim”, “sou inferior” e “a morte é a melhor saída” não são restritos aos adultos.

Pelo contrário, a depressão em crianças e adolescentes tem aumentado consideravelmente em todo o mundo, como mostram dados médicos recentemente divulgados. Um guia do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), no Reino Unido, alertou: já são mais de 80 mil crianças da região diagnosticadas anualmente, 8 mil delas menores de 10 anos. Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que o transtorno depressivo é a principal causa de incapacidade de realização das tarefas do dia a dia entre jovens de 10 a 19 anos. No Brasil, não é diferente. Embora não haja dados estatísticos, estima-se que a incidência do distúrbio gire em torno de 1 a 3% da população entre 0 a 17 anos, o que significa, mais ou menos, 8 milhões de jovens.
O que está por trás dessa epidemia? Os transtornos mentais podem ser acionados por qualquer gatilho - leia-se, situação ou experiência frustrante que a criança tenha enfrentado -, como separação dos pais, morte de um parente, bullying na escola, abandono, abusos físicos ou psicológicos, mudanças bruscas e alterações no padrão de vida. No entanto, o estilo de vida que levamos pode favorecer a manifestação da doença, como explica Marco Antônio Bessa, psiquiatra do Hospital Pequeno Príncipe (PR): “Muitas crianças estão com a agenda lotada de compromissos, o que eleva o grau de estresse, dormem mais tarde, ficam fechadas em ambientes como apartamentos e shoppings, usam aparelhos eletrônicos excessivamente, sob risco de aumento de ansiedade e restrição do contato social, e convivem menos com seus pais”. 

Há, ainda, um fator genético que exerce influência. A ciência já comprovou que, quando há episódios de depressão na família, a probabilidade de a criança desenvolver algum transtorno mental aumenta consideravelmente. Se as vítimas forem mãe ou pai, as chances podem ser até cinco vezes maiores. Além disso, um distúrbio psiquiátrico – os mais comuns em crianças são de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), de conduta e de ansiedade - pode abrir precedente para outro. Estudos conduzidos em 2012 pelo Hospital das Clínicas (SP) mostram que mais de 50% das crianças ansiosas experimentarão, pelo menos, um episódio de depressão ao longo da vida.
Não é só tristeza
O quadro depressivo de um adulto difere do de uma criança. Enquanto o adulto sofre com alteração de humor, falta de prazer em viver, de executar as tarefas, recolhimento, alterações de sono e de apetite, as crianças nem sempre dão sinais tão característicos. Como explica Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Unifesp, “é mais comum ela apresentar irritabilidade, agitação, explosões de raiva e agressividade, tristeza, sensação de culpa e de melancolia”. Não raro, a depressão é confundida com TDAH, por isso, é fundamental que se procure um profissional especializado. “Erros de diagnóstico e de tratamento podem mascarar os sintomas e até mesmo agravar o quadro”.
É claro que, assim como nós, a criança também não está imune à tristeza, a acordar sem vontade de se relacionar com as pessoas ou ao mau humor. O que se aconselha é tentar entender o contexto do seu filho, principalmente, observar a duração desses sentimentos (mais de um mês já é preocupante), a intensidade e de que maneira eles estão afetando a vida. “O pai que presta atenção em seu filho vai notar que algo mudou. Mesmo que ele não saiba exatamente o que é, já serve de sinal de alerta”, diz a especialista.
É possível evitar, sim
Assim como existem fatores facilitadores do transtorno depressivo, há outros que são protetores. Isso significa que o aparecimento da doença está intimamente ligado a uma equação de equilíbrio dessa balança. Mesmo que a criança tenha propensão genética e viva em um ambiente pouco favorável, ela pode não desenvolver o quadro e vice-versa.
Um bom funcionamento cognitivo, estabilidade e organização familiar, ambiente amoroso e ausência de fatos estressantes na vida da criança contribuem com a prevenção. Todos eles podem ser construídos e reforçados em casa, por você e por toda a família. Lembre-se: a criança que cresce com amor, carinho, que recebe atenção e proteção dos pais, dificilmente vai enfrentar problemas de comportamento ou desenvolvimento. E, ainda que os enfrente, serão mais facilmente superados.

O preconceito ainda é grande
A ausência de sintomas clínicos, por si só, já dificulta a detecção do problema. Aliado a isso, o número de médicos especializados no tratamento mental de crianças e adolescentes ainda é pequeno: pouco mais de 400 em todo o país, concentrados nas regiões sudeste e sul. Mas também é preciso dizer que a depressão, assim como outros transtornos mentais, carrega um estigma de “frescura”, “fase” ou, pior, “doença de louco”, o que dificulta o reconhecimento da doença por parte dos pais e a consequente busca por ajuda. “Ainda há reserva e desinformação das pessoas em relação ao especialista. Muitos pediatras preferem encaminhar a criança para outros tipos de tratamento. Os pais, por sua vez, ainda acham que o psiquiatra é ‘médico de louco’. Tem também o medo em relação ao uso de medicamentos, de que eles causem dependência ou efeitos colaterais”, explica Bessa. Vale saber que existem medicamentos e dosagens específicas para cada faixa etária. Além disso, nem sempre a depressão infantil vai ser tratada com remédios: quadros mais leves ou moderados podem ser contidos apenas com psicoterapia.


Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Saude/noticia/2014/09/depressao-infantil-ela-existe-e-esta-aumentando-em-todo-o-mundo.html

12 de agosto de 2015

Psicologia Obstétrica


O que faz um(a) psicólogo(a) obstétrico(a)?

Psicólogos Obstétricos têm como objetivo trabalhar questões emocionais de gestantes e familiares durante o ciclo gravídico-puerperal, auxiliando a todos os envolvidos a viverem esse período de uma maneira mais saudável e melhor.


Por que o(a) psicólogo(a) obstétrico(a) é importante?
Toda gestação é marcada por intensos momentos de ansiedade, angústia, mudanças de humor, medos, felicidades, dúvidas, e muitos outros sentimentos por parte da gestante e dos familiares. Todos esses sentimentos podem ser difíceis de administrar quando aparecem ao mesmo tempo ou quando todos na família estão envolvidos na mesma questão. Um exemplo muito comum de como isso ocorre, é quando a gestante está muito ansiosa por causa de um exame e quer o apoio do marido, mas este, por sua vez também está com muito medo e não consegue dar o apoio que ela necessita. Essa situação pode deixar ambos ainda mais ansiosos pela falta de ajuda do outro ou pode até gerar problemas conjugais, dependendo de como o casal estava antes da gestação e como lida atualmente com suas questões.

Além disso, a gestação é um período cheio de mudanças e isso exige esforços grandes ou pequenos para a chegada do novo bebê. Nenhuma mudança é fácil de ser feita, mesmo quando o motivo é muito bom! Há mudanças corporais, na casa, na organização e dinâmica da família, na parte financeira, etc.

As mudanças são muitas e lidar com todas elas ao mesmo tempo não é nada fácil! Podemos dizer que a gravidez é um momento de crise porque desorganiza uma dinâmica preexistente e exige uma nova organização.

As dificuldades em lidar com a gestação ou com assuntos que estão ligados indiretamente a ela, como por exemplo, problemas no casamento, são muito comuns e muitas vezes precisam do auxílio de um psicólogo obstétrico para lidar melhor com as situações que emergem nesse período.


Como o(a) psicólogo(a) obstétrico(a) trabalha essas questões emergentes do período gestacional e puerpério?
Há várias formas de se trabalhar essas questões. Pode-se realizar atendimentos psicológicos individuais com a gestante ou familiares, atendimentos psicológicos em grupo (com o grupo familiar ou fazendo grupos psicoeducativos de várias gestantes e seus acompanhantes),relaxamento, treino de parto vaginal, dessensibilização de cesárea, massagens, repiração abdominal, orientação do casal em relação aos filhos mais velhos e orientação dos avós do bebê que está por vir.

Durante todo o processo de Pré-Natal Psicológico foca-se trabalhar as angústias, a ansiedade e a consciência corporal. Ao trabalhar esses três aspectos, possibilita-se que a gestante tenha uma postura ativa durante a sua gestação, auxiliando num desenrolar mais saudável do processo. Além disso, auxilia no manejo de situações específicas e emergentes da gestação dentro do seu contexto social e familiar.

Após esse período de gestação, com a chegada do bebê, a psicologia obstétrica trabalha com o chamado “quarto trimestre” mais conhecido como puerpério, em que a mulher passa por uma transição ficando mais sensível, apresentando muitas vezes certa ansiedade e uma depressão reativa, que necessitam ser acompanhadas, para evitar uma depressão pós-parto e/ou psicose puerperal.

Nesse período são trabalhados também os aspectos relacionados a amamentação e o vínculo materno-filial que começa a ser construído.

É importante ressaltar que o psicólogo obstétrico nunca trabalha sozinho, muitas vezes as necessidades de um acompanhamento psicológico são diagnosticadas pelo médico obstetra, enfermeira e familiares que estão próximos e notam o pedido de auxílio da gestante e puérpera.

Elisangela Batista Secco
Psicóloga Obstétrica

5 de agosto de 2015

Um olhar psicológico sobre o aleitamento materno

Amamentar é um ato natural, reconhecido como a melhor forma de alimentar, proteger e amar uma criança, suprindo todas as necessidades do bebê nos primeiros meses de vida, para um crescimento e desenvolvimento sadio.



O termo amamentação se difere do aleitamento materno, pois de acordo com Rego (2008, p.11): “O conceito da amamentação é o ato da mãe dar o peito diretamente para o bebê mamar e o aleitamento materno é o meio pelo qual a criança recebe o leite de sua mãe.” Seja através da mama, pelo copinho ou até mesmo pela mamadeira.

Mas a amamentação vai muito além destes conceitos, pois além de propiciar, pelo leite materno, a melhor fonte de nutrição para os lactentes e a proteção contra diversas doenças agudas e crônicas, também possibilita um melhor desenvolvimento psicológico.

A amamentação não é apenas uma técnica alimentar: é muito mais do que a simples passagem do leite de um organismo para o outro, ainda que diretamente ao seio. Ela é um rico processo de entrosamento entre dois indivíduos um que amamenta e o outro que é amamentado.

No entanto, muitos são os fatores que afetam o modo como as mulheres alimentam seus filhos e o tempo durante o qual os amamentam. Isso ocorre porque sua prática tem sofrido variações ao longo dos anos, devido aos fatores familiares, biológicos, psicológicos e socioculturais.

Se hoje comemoramos o dia internacional do aleitamento materno é porque houve, ao longo dos tempos, uma grande mudança de cultura, pois a história nem sempre valorizou esse ato, pelo contrário...

Se recuarmos um pouco na história podemos verificar que a questão do aleitamento materno tem vindo a ser entendida de diversas formas ao longo dos tempos. Durante muitos e muitos anos era indecoroso, nomeadamente nas classes mais abastadas, que as mães criassem os seus filhos, e estava fora de questão a sua amamentação. Até aos finais do século passado, em muitos países europeus, o aleitamento materno estava e permaneceu a cargo de amas-de-leite. O termo ama de leite pode ser entendido como: “A mulher que amamenta criança alheia quando a mãe natural está impossibilitada de fazê-lo.” Geralmente esse encargo era dado às escravas que já tinham filhos, não sendo frequente a amamentação ao peito da própria mãe. Já os romanos filósofos e moralistas, condenavam o aleitamento exercido pelas amas de leite, pois eles acreditavam que: “[...] o vínculo entre a criança e a ama de leite prejudicava a relação entre a criança e a mãe natural.”

Hoje em dia esta situação já não ocorre, mas continuam a existir fatores, quer sociais, quer psicológicos, para alguma ocorrência de aleitamento artificial. Então, percebe-se que, apesar de a amamentação ser uma escolha individual, ela se desenvolve dentro de um contexto sociocultural, portanto influenciada pela sociedade e pelas condições de vida da mulher.

A amamentação é muito importante, tanto como fonte de nutrição para o bebê, quanto pela transferência de imunidade que a mãe oferece a partir do colostro. Os aspectos psíquicos e emocionais do binômio também recebem ênfase especial, pois durante o aleitamento materno se estabelece a cumplicidade e o vínculo afetivo entre ambos.

Apesar de a criança sentir necessidade física de leite, sua necessidade emocional é igualmente forte, por isso precisa do contato com a mãe, de tranquilidade e de amor, recebidos enquanto mama.

Do ponto de vista emocional, amamentar traz inúmeras vantagens, pois, a interação rica entre mãe e filho proporciona uma mútua satisfação. A ligação forte entre ambos, o contato íntimo da pele e o olhar permitem que sintam um enorme prazer neste ato. Este contato possibilita que o amor vá aumentando a cada mamada, construindo uma base sólida, vinculando para sempre mãe e filho. As crianças privilegiadas por este contato precoce com suas mães após o parto são menos ansiosas e mais tranquilas, sofrendo menos estresse causado pela separação do corpo materno.

Na verdade, o contato físico para o bebê é um estímulo agradável, que por ser uma necessidade biológica e vital, permite que ele alcance mais plenamente suas potencialidades. Porém, o início da formação deste vínculo não começa no parto. Ele começa já durante a gravidez.

Assim sendo, faz-se necessário deixar que mãe e bebê se reconheçam, pois, um sistema de comunicação equilibrado entre ambos é que vai orientar e facilitar a relação da mãe com a criança e a consequente formação do vínculo, que vai se solidificando no desenrolar desta interação.

A amamentação é um direito adquirido pela mãe. Dar de mamar depende da sua escolha e de algumas questões culturais que envolvem a família, o marido e até fatores estéticos. Algumas mulheres se adaptam à nova rotina, outras não. Isso acontece porque, apesar de ser um ato natural na teoria, na prática o processo pode ser bem mais difícil.

As dificuldades e o possível fracasso serão maiores quanto menor for a preparação e conscientização da futura mãe no período pré-natal. Se, por falta de oportunidades da mãe interagir com seu filho, o estabelecimento do vínculo e apego for prejudicado, pode gerar desordens no relacionamento futuro de ambos.

Há sistemas neuroquímicos, como os da ocitocina e vasopressina, desenvolvidos no cérebro da criança, que operam em sintonia com o afeto materno, reforçando o equilíbrio emocional ou gerando agressividade e outros comportamentos sociais. São sistemas sensíveis aos cuidados com a criança durante os primeiros anos de vida. Seus efeitos dependem do vínculo afetivo que se estabelece entre a mãe, a criança, o pai e a família como primeiro grupo social.

Pelo exposto acima percebe-se que, quando essa vinculação afetiva não acontece na infância é muito provável que tenhamos um adulto incapaz de vincular-se nos grupos sociais, com facilidade para o descontrole das emoções, caminhando para a agressividade. Por isso, incentivar o vínculo afetivo na idade adequada é um direito fundamental do ser humano, pois é ele vai garantir suas relações estáveis e seu equilíbrio emocional. E a intimidade física da prática de amamentar dispensa os obstáculos que possam existir de forma tal que nenhum outro esforço consciente por parte da mãe consegue igualar.



Sendo assim, o que dizer da mãe quando por motivos diversos se vê impossibilitada de amamentar? Como fica sua imagem de boa maternagem? Abre-se aí um hiato entre a maternidade e a amamentação, sendo necessário analisar todos os aspectos subjetivos e emocionais, advindos da prática interrompida, já que esta pode trazer sérias consequências psicológicas para o binômio.

Importante reforçar que durante a nutrição do bebê pela mamadeira deve-se ter como elemento mais importante as condições para que se estabeleça uma relação de cumplicidade satisfatória entre a dupla, para que assim também ocorra um desenvolvimento satisfatório do bebê.

O apego ao filho não nasce repentinamente e nem sempre será instintivo ligar-se a ele. Este vínculo se estabelece continuamente e os bebês contribuem efetivamente para que ele ocorra

desde as primeiras horas após o parto. O elo afetivo formado será imprescindível para o desenvolvimento infantil e sua falta pode prejudicar a criança. Desta forma, um bebê que não foi amamentado ao seio, não será necessariamente infeliz, considerando que, mãe e filho, podem desfrutar de sensações incríveis de amor e confiança de outra forma.

Porém, é inegável que uma amamentação eficiente desperta na mulher um sentimento de ligação mais profunda com o filho e de realização como mulher e mãe. No entanto, qualquer nutriz pode ter experiências boas e agradáveis, ao mesmo tempo em que, difíceis e cansativas.

Podemos aferir desta observação que para ser boa mãe não há a obrigatoriedade do aleitar, salvo se a mulher assim o queira. Não existe, portanto, qualquer impedimento para que mulheres que não amamentem não sejam encorajadas a dar atenção e amor ao seu bebê. Além disso, nem sempre uma experiência bem sucedida de amamentação resulta num bebê satisfeito, se esta amamentação não resulta de uma verdadeira riqueza de experiência e de envolvimento.

O amor de mãe e filho é construído aos poucos a cada contato e que se este for um contato de qualidade, terá influências positivas na vida do bebê nos primeiros meses e futuramente também. Da mesma maneira que vai favorecer o relacionamento com outras pessoas no decorrer de sua vida e na sua capacidade de ser feliz.

A grande questão aqui discutida é como dar conta desta representação do mito da mãe perfeita para as mães impossibilitadas de amamentar? Como criar condições para que as mães possam amamentar com alegria e tranquilidade os seus filhos?

Quando existe a impossibilidade de amamentar, cabe à mãe achar suporte na família e naqueles que a cercam, uma vez que elas são levadas a acreditar que a amamentação além de ser um momento de grande importância para o binômio, também é fundamental para a construção da relação afetiva entre ambos. Atitudes desta natureza colaboram para que, este momento único, carregado de emoções e significados, seja conduzido de forma mais tranquila.

Da mesma maneira, o apoio do profissional de saúde será essencial, tendo em vista que, na dinâmica da alimentação, seja por aleitamento no peito ou por meio artificial, o profissional de saúde tem um papel importante na promoção dos recursos naturais e ambientais.


Fonte:
Ada Melo
Psicóloga
http://psiqueonlinee.blogspot.com.br

30 de julho de 2015

Doulas – Quem são essas mulheres?

maylu-souza
Maylu Souza
Enfermeira Especialista em Obstetrícia e em Saúde Pública

Psicanalista em Formação
Graduanda em Psicologia.
Mesmo com a crescente divulgação e incentivo ao parto humanizado, muitas pessoas ainda desconhecem a função dessas profissionais: As doulas são mulheres que atuam com o intuito de promover o bem-estar emocional e físico durante todo o ciclo gravídico-puerperal.
A palavra Doula vem do grego e significa "mulher que serve". Na antiguidade, as doulas foram as mulheres que estiverem prestando apoio no parto que ocorria de forma natural e domiciliar, sendo realizado por uma parteira. Doula e parteira não são a mesma coisa! Enquanto a parteira "pegava o bebê", a doula estava ao lado da mãe para apoiá-la. Essas mulheres não possuíam naquela época formação teórica, mas sim uma ampla experiência prática.
Na atualidade, a palavra aplica-se às profissionais que atuam fornecendo suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto (seja este natural ou até mesmo a cirurgia cesariana). As doulas agora possuem a experiência em conjunto com a teoria, reforçada por evidências científicas, fazem cursos específicos de formação, participam de palestras, pesquisas e seminários.
Para se tornar uma doula, é necessário que a mulher possua primeiramente a vocação pela área de saúde materna e infantil e que faça um curso de formação teórico-prático presencial fornecido por um órgão oficial (Ando – Associação Nacional de Doulas ou Gama – Grupo de Apoio a Maternidade Ativa, por exemplo). Após essa formação, a doula poderá atuar de forma autônoma.
Existe também a possibilidade de atuar como doula voluntária em hospitais que possuam programa de doulas, através de uma seleção e treinamento realizados pela própria instituição. Aqui no município de Itabuna, temos o Hospital Manoel Novaes que possui o título "Amigo da Criança" e realiza o projeto Doulas Acadêmicas, destinado a estudantes da área de saúde que desejem viver essa experiência.
A Maternidade Ester Gomes também já realizou um programa de doulas voltado a estudantes da área de enfermagem. Em todo país muitos outros hospitais possuem esses projetos, em outros países as doulas já fazem parte habitualmente da equipe de saúde. 
À medida em que o parto foi deixando de ocorrer no ambiente domiciliar e foi passou para dentro do ambiente hospitalar devido a maior quantidade de recursos e instrumentos, as figuras da doula e da parteira ficaram mais esquecidas no imaginário popular, mas com a necessidade do resgate do parto humanizado, um parto normal com a realização de intervenções que sejam apenas as necessárias, a doula então chegou ao modelo hospitalar para ficar ao lado da parturiente, fornecendo o apoio emocional necessário durante esse momento tão íntimo e delicado para a mulher.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde apoiam a presença das doulas em hospitais, pois estudos comprovam que os partos acompanhados por elas são menos agressivos, mais tranquilos, com menos dor e proporcionam um maior fortalecimento da relação afetiva entre mãe e filho. Abaixo acrescento algumas informações importantes que obtive no site Doulas do Brasil:
O que a doula faz?
Antes do parto - ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto - a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..
Após o parto - ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.
A doula e o pai ou acompanhante
A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai, muitas vezes, não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente, o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.
O que a doula não faz?
A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
Vantagens
As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
• Diminuir em 50% as taxas de cesárea
• Diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
• Diminuir em 60% os pedidos de anestesia
• Diminuir em 40% o uso da oxitocina
• Diminuir em 40% o uso de fórceps.
6 semanas após o parto, mulheres que tiveram doulas:
• Menos ansiosa e depressiva;
• Mais confiante com seu bebê;
• Mais satisfeita com seu parceiro
• Maior sucesso na amamentação;
Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.
Maylu Souza é enfermeira especialista em Obstetrícia e Saúde Pública, Psicanalista em Formação, Graduanda em Psicologia e já atuou como Doula Voluntária no Hospital Manoel Novaes.