Alívio nas dores após cesariana

Estudo apresentado em Ribeirão Preto (SP) mostra que a eletroestimulação nervosa transcutânea pode trazer efeitos benéficos e reduzir significativamente o sofrimento das mães

Um bom recurso para o alívio da dor decorrente da cesariana é a aplicação da eletroestimulação nervosa transcutânea convencional (TENS – sigla em inglês para Transcutaneous electrical nerve stimulation). Uma única sessão, com duração de 45 minutos, foi capaz de reduzir significativamente a dor em 20 mulheres que haviam se submetido ao parto cesárea, como mostra estudo apresentado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.
“O grupo que recebeu a aplicação apresentou uma redução da dor significativamente maior do que o grupo que não recebeu a eletroestimulação (controle)”, conta a autora da pesquisa, a fisioterapeuta Lígia de Sousa. De acordo com ela, os efeitos benéficos permaneceram por mais de uma hora após o término das sessões.

A TENS é um aparelho de analgesia. “Trata-se de uma técnica antiga: é um dos primeiros recursos terapêuticos já usados pelo homem para tratamento do alívio da dor”, relata a pesquisadora.



Ligia explica que a aplicação ocorreu por meio de um aparelho portátil, programado para gerar estímulo pelo modo convencional, caracterizado por uma corrente de alta freqüência (100 Hertz) e baixa amplitude de estimulação, que produz uma estimulação cutânea confortável, abaixo do limiar motor. Nesta pesquisa foram utilizados quatro eletrodos de borracha siliconada e carbonada fixados acima e abaixo da incisão cirúrgica.

Segundo a fisioterapetua, a eletroestimulação pode apresentar diversos parâmetros e modos de gerar estímulos. O modo convencional foi usado nesta pesquisa por ser a técnica mais indicada para alívio de dor aguda, segundo a literatura. “Existem também diferentes aparelhos no mercado, sendo que a indicação varia de acordo com as necessidades de aplicação. Os portáteis são aparelhos menores e auxiliam no transporte e durante a coleta de dados”, explica.
 
Formigamento

As 20 mulheres participantes do estudo permaneceram em repouso durante os 45 minutos de aplicação. “É a própria pessoa quem controla o aparelho. No início, ela sente um formigamento ou uma leve agulhada no local. Conforme essa sensação vai diminuindo, a pessoa vai aumentando a intensidade, para evitar o efeito de acomodação da corrente”, explica. A pesquisadora acompanhou a sessão e orientou as participantes para que aumentassem a intensidade da aplicação conforme a sensação de formigamento fosse diminuindo.

Das 20 mulheres que foram submetidas, 80% relataram que a dor foi tratada adequadamente e que não sentiram desconforto após a aplicação. A grande maioria (90%) usaria a técnica novamente. A aplicação ocorreu 24 horas após a cesariana (e antes da alta médica). “Quando cessam os efeitos dos remédios e a paciente passa a se movimentar. É exatamente neste período que aumentam as dores”, explica.

A dor ligada ao parto cesárea geralmente é intensa, do tipo cólica, superficial e próxima à incisão. “É uma sensação que leva a inúmeras limitações nas atividades, principalmente nos cuidados com o recém-nascido e no autocuidado, pois segundo relato das participantes, é uma dor ‘que repuxa’ nos movimentos de sentar, levantar e caminhar.”

Atenção à mãe

Lígia ressalta o quanto é importante o uso de novas técnicas para o tratamento de mulheres no puerpério. “Em conseqüência do nascimento da criança, elas acabam passando por uma série de alterações hormonais e psicológicas, podendo até desenvolver depressão pós-parto.

Além disso, a dor decorrente da cesariana pode levar a um aumento da ansiedade. A família sempre coloca toda a sua atenção na criança que acabou de nascer, esquecendo um pouco da mãe, que está passando por um momento delicado da vida, mostrando a importância de desenvolver estudos que busquem a redução da dor na mulher contribuindo para o processo de humanização do cuidado”, aponta.

A pesquisadora destaca que “existem vários estudos que mostram que as técnicas de tratamento de dor pós-cesárea, como a TENS, contribuem para a humanização do parto e ajudam na redução dos custos hospitalares pela queda no consumo de medicamentos ligados ao pós-operatório”.

A fisioterapeuta trabalhou com mulheres com idades entre 18 e 44 anos. Os testes foram feitos entre março e maio de 2007, na Maternidade Complexo Aeroporto, em Ribeirão Preto. Os dados estão descritos no mestrado de Lígia, que foi apresentado no último mês de dezembro, na EERP. O estudo foi realizado dentro da linha de pesquisa Assistência à Saúde da Mulher no Ciclo Vital oferecida no Programa de Enfermagem em Saúde Pública da USP, em Ribeirão Preto.


Fonte: http://itodas.uol.com.br/portal/mae/gravidez_e_parto/voce__gravida/materia.itd.aspx?cod=3242&canal=425

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