Sons e Gestação

Muito se diz, hoje em dia, que “gravidez não é doença”. A partir dessa premissa, cobra-se e espera-se da mulher gestante, que continue sua vida normalmente, produzindo, trabalhando, cuidando da casa e de outros filhos, se houver.

Se, por um lado, a afirmação é totalmente verdadeira, pois se trata de um processo natural, por outro, as mudanças, sejam físicas ou psicológicas, são tão profundas, que não se pode dizer que a mulher esteja em seu estado “normal”.

Embora muitas dessas mudanças sejam visíveis, como o aumento da barriga, por exemplo, e suas implicações, como o jeito de caminhar característico desse período, em especial no último trimestre, devido ao deslocamento do centro de gravidade e aumento de peso, outras mudanças não podem ser vistas, pois ocorrem internamente.

Não há sequer uma parte do corpo que não sofra transformações e adaptações. Gerar um novo ser demanda um processo complexo que se inicia com a preparação para a fecundação, a qual, caso ocorra, dará início imediatamente a modificações corporais, em decorrência da ação de hormônios, que irão agir de diversas maneiras a fim de propiciar as melhores condições para o desenvolvimento da gestação. A partir desse momento, o corpo se volta quase que exclusivamente para esse fim.

As mudanças não são somente físicas, mas também psicológicas. As alterações hormonais acarretam instabilidade de humor, e começam as preocupações acerca da saúde do bebê, e de sua própria capacidade em criá-lo adequadamente, além do medo do parto propriamente dito.

Em meio a isso tudo, é preciso conhecer o papel do som e da música na vida da mulher durante o período de gestação. Para isso, é necessário o estudo do meio sonoro em que vive a mulher grávida.

A paisagem sonora tem se modificado no decorrer dos anos, principalmente nas grandes cidades, onde temos que conviver com uma profusão de decibéis acima do suportável. Além da intensidade dos sons, sua qualidade também foi alterada. Um número cada vez maior de sons gerados artificialmente modifica o ambiente natural, e não se sabe com certeza quais as conseqüências disso.

Embora o número de estudos relacionados ao ambiente acústico tenha aumentado nos últimos anos, no geral, o que se vê é que mesmo entidades mundiais ligadas à preservação do meio ambiente, como WWF (World Wild Fundation) e Greenpeace, não têm uma política a respeito da poluição sonora. Basta uma visita rápida aos sites de ambas as entidades para se verificar que, embora louváveis, suas ações passam longe da preocupação com o ambiente acústico.

Essa falta de informação a respeito da paisagem sonora pode trazer a falsa sensação de que sua modificação não pode nos afetar. No entanto, independentemente do conhecimento ou não de dados que atestem a influência dos sons em nossa saúde, intuitivamente, e pela prática cotidiana, uma pessoa que trabalhe em ambiente ruidoso, ou que enfrente diariamente o trânsito das grandes cidades, sabe que, de alguma forma, esse turbilhão de sons irá afetá-la.

Em vista disso, no caso da relação entre som e gestação, é necessário estudar como a paisagem sonora pode se tornar uma aliada, e não um meio hostil, não só para a mulher gestante, mas especialmente nesse período, pois suas conseqüências podem ir bem além da mera sensação de bem-estar.
 
 
Fonte: http://ambientesonoro.blogspot.com/
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