HOMENS na GESTAÇÃO e na AMAMENTAÇÃO

Antes do nascimento de um bebê, o pai ou companheiro pode participar da gestação de diversas formas. 

Seja acompanhando a futura mamãe em consultas, ultrassonografias ou mesmo aliviando as dores e inchaços normais deste período com massagens. Mas e depois que o nenê nasce, como o pai pode fazer parte deste relacionamento tão íntimo entre mãe e filho?
 Segundo a psicóloga Solange Martins Ferreira, do Hospital Santa Catarina, quem vai determinar isso é a mãe. “A tendência é afastar o pai, convidando a mãe, a avó, ou alguém com mais experiência para colaborar neste início. A nova mamãe precisa ter consciência de que é ela a responsável por trazer o companheiro para a relação de cuidado com o bebê”, diz.

E cuidar do bebê não significa ir ao mercado enquanto a mãe troca as fraldas, dá banho e amamenta, mas participar de todas estas etapas, até mesmo da amamentação. “A mulher precisa entender que algumas fraldas vão ser perdidas no início, que ele nunca vai fazer como ela, mas que ele deve ser encorajado a ajudar. Mesmo aqueles que acham que vão derrubar a criança, que têm medo. Quando o pai é inserido nesse cuidado, ele se torna um superpai, porque vai fazer de tudo para se superar”.

Homem amamentando?

Não exatamente. Segundo a psicóloga, para participar desse momento tão íntimo, o pai pode, por exemplo, abraçar a mãe enquanto ela amamenta – seja com o peito ou mamadeira. Fazer carinhos e massagens na mãe também é recomendado. Quando houver visitas em casa e chegar a hora da amamentação, ele pode preparar o ambiente, pedindo licença para a mãe ou garantindo tranquilidade para o momento.

Do ponto de vista do desenvolvimento humano, é a partir do oitavo mês que o bebê percebe a entrada de uma terceira pessoa no relacionamento mãe e bebê, também chamado de dual. Mas quando o pai oferece carinho e proteção à mãe, a criança fica mais confortável. E essa atenção só tem a colaborar no relacionamento a dois. “Quanto mais o companheiro colaborar, mais a mulher vai se sentir fortalecida, cuidada e desejada, e o homem se sentirá mais prestativo”.

Licença Paternidade

Segundo Solange, os cinco dias de licença-paternidade são fundamentais para determinar como vai ser o relacionamento entre o pai e o bebê. “Em algumas maternidades, o pai ajuda a dar o primeiro banho no bebê. Nos dias em que ele está em casa, a mulher deve sinalizar que precisa de ajuda. Não é que eu estou com preguiça, mas eu vou pedir, para ele saber que é necessário”.

Quando isso não acontece, o homem pode achar que não é mais útil e preferir sair com os amigos ou trabalhar até mais tarde, por exemplo, em vez de ficar em casa. “Isso pode estremecer o relacionamento. Um filho não precisa ser um peso, e o casal não deve se afastar. Ao contrário, o bebê significa o fruto de um momento especial”.

Cuidados durante o baby blues

Para evitar esta insegurança, tanto por parte da mulher quanto do homem, o ideal é que a participação do pai seja planejada durante o pré-natal. Isso porque, até 20 dias após o nascimento, a mãe passa por diversas oscilações de humor, causadas por alterações hormonais normais do período. Serão dias em que ela vai estar mais emotiva, às vezes irritada ou chorona. Essa tristeza momentânea é conhecida por baby blues.

“Como a mãe se encontra mais sensível, em algum momento é provável que ela desconte sua insatisfação no companheiro. Por isso é tão importante obter informação, para que o casal se prepare para o período”, explica a psicóloga. Uma dessas reações pode ser a frase “deixa que eu faço”, quando a mãe toma tudo para si e afasta o marido das responsabilidades com a criança.

Nesse sentido, vale lembrar que esse também é um período emocionalmente difícil para o homem. De qualquer forma, isso não significa que o casal precise de acompanhamento psiquiátrico durante nove meses.

Para Solange, o próprio obstetra pode informar as emoções distintas de cada período da gestação, assim é possível observar se a futura mamãe está com o emocional compatível com a época ou apresenta um nível maior de ansiedade e nervosismo. “Quanto mais pessoas próximas ouvirem essas dicas é melhor, assim elas também podem ficar atentas”, conclui. 

Fonte: Marina Teles/O que eu tenho?/Uol 


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