A Criança


“Uma das características fundamentais que diferencia o homem dos animais, até mesmo daqueles que se encontram mais próximos do homem na escala evolutiva, é o fato de o filhote humano, para empregar a terminologia de Portmann, precisa passar por uma fase embrionária intra-uterina, e também por uma outra, extra-uterina. Os filhotes dos mamíferos superiores nascem num estado de relatividade maturidade; ou imediatamente, ou logo um pouco após o nascimento, já são pequenos adultos, que têm não apenas toda a aparência dos animais adultos, que têm não apenas toda a aparência dos animais adultos, como também já se encontram aptos a levar a vida sem precisarem de qualquer ajuda. O embrião humano, para nascer num estado de amadurecimento equivalente, precisaria passar por um período de gestação de cerca de vinte e dois meses. Em outras palavras, o filhote humano, após os nove meses que passa no útero, requer ainda mais um ano para atingir o grau de maturidade que caracteriza a maioria dos demais mamíferos ao nascer. Deste modo, todo o primeiro ano da infância precisa ser considerado como fazendo parte da fase embrionária. Soma-se à fase embrionária, em que a criança se encontra psíquica e fisicamente integrada no corpo da mãe, uma segunda fase, pós-uterina, pós-natal, durante a qual a criança já fez sua entrada na sociedade humana e, como seu ego e sua consciência começam a desenvolver-se, vai incorporando a linguagem e os costumes de seu grupo. Esta fase, que Portmann denominou de período uterino social, caracteriza-se pelo domínio da relação primal com a mãe, que, de início, representa para a criança todo o mundo apreensível, todo o ambiente circundante, mas que pouco a pouco vai propiciando à criança experimentar aspectos novos do mundo.”
(Neumann – A Criança).
João Januário - psicólogo clínico

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