Menino pode brincar de boneca?

Entenda por que os pais não devem restringir as brincadeiras das crianças de acordo com o sexo

menino; menina; brincadeira; bonecos (Foto: Thinkstock)
A divisão das brincadeiras por sexo, colocando meninos de um lado e meninas de outro, tem origem em normas sociais baseadas na desigualdade entre homens e mulheres. Até pouco tempo, era papel deles sair para trabalhar e buscar o sustento da família, enquanto elas ficavam em casa cuidando dos filhos. O jeito das crianças brincar, então, apenas refletia essas características sociais. Saltar, correr, montar quebra-cabeças, fazer de conta com carrinhos e ferramentas ocupava os meninos, ao passo que brincar de roda, pular amarelinha e cuidar de bonecas e do lar entretia as meninas. Mas os tempos são outros – e a divisão social em papéis específicos, de acordo com o sexo, deixou de fazer sentido. “Partindo da premissa que considera o brincar uma atividade livre, prazerosa, que permite exploração e descobertas, qualquer restrição por gênero ficou ultrapassada”, afirma a psicoterapeuta Germana Savoy, consultora em ludicidade (forma de desenvolver o conhecimento por meio de jogos, brincadeiras e música). Só para citar um exemplo, em muitas famílias, os meninos veem os pais cozinhando e as meninas, igualmente, presenciam as mães trocando pneus.
É importante levar em conta, ainda que a sociedade atual demanda profissionais aptos em diversas áreas, o que está relacionado ao desenvolvimento da criatividade – algo que se aprende, principalmente, brincando. Por isso, de acordo com a psicoterapeuta, ao se divertir com as mais variadas brincadeiras, as crianças ampliam seu repertório e, por consequência, expandem seus potenciais. Por isso, ao fazer piada ou mesmo proibir o seu filho de brincar ou se comportar “como uma menina”, você corre o risco de sabotar certas habilidades que ele tenha ou, pior, torná-lo um indivíduo submisso ou agressivo. Se o menino gosta de fazer comidinhas, por exemplo, talvez ela tenha vocação para se tornar chef de cozinha e por aí vai – e não é o tipo de brinquedo ou a cor da roupa que irá determinar a natureza sexual dele no futuro. Por outro lado, pode ser também apenas um interesse transitório, que deve ser tratado com naturalidade.

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