Gestação X Prazer

A forma violão é substituída por uma silhueta mais larga e um abdome saliente. Mesmo com as novas medidas e sem seguir o estereótipo de beleza atual, é muito comum que elas se sintam sexy e tenham mais libido

 
Sim, estamos grávidos! A gestação é confirmada e tanto marido quanto mulher passam a se enxergar como mãe e pai. No entanto, quem disse que o prazer acaba aí? Se fosse assim, o homem daria à mulher um atestado de “missão cumprida” e seguiria a vida sem ela. Deixe de besteira! Não existe razão para que a rotina sexual do casal fique mais morna ou seja interrompida só por causa da gravidez.

É claro que algumas coisas serão diferentes durante os nove meses. Diferentes, mas continuarão existindo. E as mudanças podem até por um dedinho de pimenta na relação. De acordo com a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks, “uma pequena parcela de homens até se excita com a figura da mulher grávida”. O mais comum mesmo, porém, é ter receio de machucar a companheira, e isso pode causar uma certa retração no ímpeto masculino.

O sexo pode ser praticado sem riscos durante os nove meses. Em uma gravidez saudável, só precisa cessar quando a mulher começa a ter dilatação do colo do útero. Essa regra só não vale quando a gestação é considerada de alto risco. “No primeiro trimestre, se a paciente tiver sangramento ou cólicas uterinas, recomendamos a abstinência”, diz Flávia Fairbanks.

Em uma situação normal, portanto, quem dita as regras é ele, o desejo, que tem um calendário especial nessa fase. Segundo a especialista em ginecologia e endometriose Rosa Maria Neme o furor feminino varia nas diferentes fases da gravidez. “No primeiro e terceiro trimestres, há uma diminuição do desejo e atividade sexual. No segundo trimestre, nota-se um aumento do apetite sexual”.

A redução está relacionada com sintomas desagradáveis, como o medo de abortamento, medo de machucar o bebê e as mudanças físicas e psíquicas. Já o aumento do entusiasmo tem a ver com a boa adaptação do casal à nova realidade, e às vezes a frequência até aumenta em relação ao período anterior à gravidez.

No terceiro trimestre, a diminuição do desejo acontece por causa do mal-estar físico, cansaço, estresse e ansiedade. “Também atrapalha o incômodo no momento do coito. Além disso, as mudanças no corpo podem prejudicar, já que a mulher tende a se sentir menos desejada”, explica.

A especialista em sexualidade humana Flávia Fairbanks esclarece que o bom entendimento entre os parceiros e o fortalecimento do vínculo ajudam muito. “Estimulamos, na maioria das vezes, a prática sexual não-invasiva, com múltiplas carícias entre o casal, que grande parte das vezes pode ser suficiente para mantê-los unidos”, diz.

Para tirar qualquer pulguinha de trás da orelha dos homens que acham que a penetração pode machucar o bebê, a obstetra desmistifica e explica que a relação sexual convencional ocorre na vagina, sendo que o pênis apenas toca o colo uterino. Existem muitas camadas entre esse ponto e o bebê (canal do colo uterino, bolsa amniótica e líquido amniótico), que não sofre riscos.

A gestação traz inúmeros impactos psicológicos para a mulher, já que é ela quem acumula a função de gerar e carregar um novo ser humano. Mas isso pode ser um problema para a vida sexual.

Essa responsabilidade assume às vezes um papel tão intenso que a mulher se abstém de qualquer situação que para ela coloque o bebê em risco. O problema é que suspender a vida sexual sem necessidade, apenas por excesso de zelo, pode prejudicar o relacionamento conjugal quando o parceiro não compartilha da mesma opinião. Para Flávia Fairbanks, é fundamental ter orientação médica adequada e buscar apoio psicológico, quando indicado.

A gestante não precisa se preocupar com a posição para ter uma boa transa. “Desde que a gestação não seja de alto risco, não há impedimentos a práticas ou posições, embora a penetração mais profunda cause mais incômodo”.

Com o desenvolvimento da barriga, o casal deve ir se ajustando, descobrindo posições que aliem conforto e prazer. No final da gestação é normal aparecer um leve mal-estar. Falta de ar e queda de pressão arterial se justificam pelo simples fato de ficar com a barriga para cima durante o namoro.

Entre as grávidas, a posição preferida para alcançar o orgasmo e não se preocupar com desconfortos físicos é sempre de ladinho ou de quatro. Abuse do auxílio dos travesseiros para poder se equilibrar. Homens, para aumentar o prazer de suas parceiras, explorem o tato e invistam no sexo oral. Apesar de muitas estarem com os hormônios à flor da pele, o sexo oral pode servir de aliado nas preliminares.

Para a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks, a questão mais delicada é após o nascimento do bebê. “Não é só o homem que pode enxergar a mulher como mãe de seu filho, mas a própria mulher assume esse papel, em maior ou menor grau, e não se permite mais algumas práticas, carícias e fantasias”, diz.

É como se tais atitudes não fossem compatíveis com a figura de uma “boa mãe”. “Trocar o papel de namorada-amante para mãe é muito difícil, e pode ser a causa de rompimentos, dada a incompatibilidade sexual do casal pós-parto”. O aconselhável é que assim que se perceba o problema, o casal inicie terapia sexual específica para tentar descobrir seus novos papéis sem prejudicar o relacionamento.

A boa relação médico-paciente-casal é imprescindível. “Quando o marido está bem envolvido e compreende a interrupção como uma necessidade para o bem-estar da esposa e do bebê, essa insatisfação costuma se amenizar. Em casos específicos, se o companheiro não pode ou não consegue acompanhar as consultas pré-natais, cabe ao médico esclarecer muito bem a gestante e orientá-la a explicar a situação a ele, de forma que ele entenda bem”, diz Flávia Fairbanks.

“Médicos aptos a lidar com questões como essa têm a capacidade de orientar técnicas ou práticas que fortalecem o vínculo do casal e não prejudicam a gestação, mesmo quando o sexo convencional estiver proibido”, conclui.


Fonte: http://itodas.uol.com.br/Portal//mae/gravidez_e_parto/voce__gravida/materia.itd.aspx?cod=8027&canal=51

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