Amamentação: Sua Importância e Como Dar Suporte


Amamentação: Sua Importância e Como Dar Suporte

Para apoiar a amamentação não é necessário ser mãe. A ação de amamentar o bebê é exclusiva da mãe e o apoio é imprescindível para que a amamentação tenha sucesso, bem como para que a mesma venha a ter continuidade.




RESUMO


Para que a amamentação tenha êxito e seja duradoura é importante que a família, os profissionais e a comunidade apóiem a mãe que amamenta, protegendo os seus direitos. Medo e insegurança podem ser sentimentos constantes em toda mulher que amamenta. Restabelecer a sua confiança e a sua segurança é o primeiro passo para o êxito da amamentação. O pai, mesmo não podendo amamentar, tem um importante papel e a sua ajuda neste processo é essencial para que a sua companheira se sintae confiante e segura e para que o seu bebê possa alimentar-se de forma adequada e satisfatória.



1. SUPORTE PATERNO E SOCIAL


O pai ou os familiares próximos têm a função primordial de ser o “útero” da mulher que vai amamentar. Sua principal função é a de encorajamento e de apoio de uma forma incondicional.

As primeiras semanas de amamentação normalmente são difíceis. Com a devida ajuda depois do parto, toda e qualquer divergência que por ventura venha a surgir será superada.

O ideal seria a família como um todo informar-se junto com a gestante, assim estariam familiarizados e as dúvidas esclarecidas. Há, no entanto, que se respeitar a decisão de uma mulher que deseje não amamentar.

Durante a amamentação o pai deve procurar estar próximo para ajudar no que for necessário. Exemplos de ajuda: apoiar o bebê, ajudar ambos a posicionarem-se confortavelmente, e passar a ela segurança e confiança. Se o casal possui mais filhos, o pai pode cuidar deles enquanto a mãe amamenta, os irmãos freqüentemente se sentem excluídos ou têm uma com sensação de abandono.

Assim, neste estágio, os pais podem estar mais disponíveis e dar a atenção necessária para que o ambiente fique o mais harmonioso possível. Outras funções incluem: ajudar o bebê a arrotar; trocar fraldas; posicionar o bebê adequadamente no berço; e, sempre que preciso, encarregar-se do banho diário. Estes são exemplos de atividades para as quais a mamãe precisa de ajuda.

A mamãe é um ser humano e, como tal, tem suas necessidades. Por isso precisa de “alguém mais” para assumir o cuidado com o bebê, para que ela possa ter tempo para cuidar de sua aparência, higiene, alimentação e descanso. Nos primeiros dias após o parto, é importante que alguém receba as visitas que por vezes são numerosas. A mamãe não deixou de ser mulher e deve-se manter a intimidade do casal, por mais que ela esteja voltada para o bebê. Marido e mulher precisarão de um tempo de adaptação, pois o desejo e a sexualidade da mulher na maioria das vezes não está aflorada, mas, retornará estes retornarão no seu devido tempo. Neste período o casal deve namorar e se acariciar para manter sua intimidade.

Famílias e amigos, às vezes, não sabem como podem auxiliar a mãe. Uma boa dica é auxiliar nas tarefas domésticas e quaisquer outra sejam necessárias, pois o descanso é primordial para o êxito da amamentação. Outra forma de ajudarem é evitando os excessos de visitas para ver o bebê, normalmente estas são por demais cansativas para mãe e bebê. As visitas, por exemplo, devem evitar emitir opiniões sobre o aleitamento, como por exemplo, a de que o leite pode ser ou vir a ser fraco. A crença de muitas nutrizes lactantes de não ter leite suficiente é referenciada por alguns estudiosos, os quais postulam que a conseqüência é o oferecimento precoce de suplementos alimentares aos bebês, interrompendo, assim, a amamentação.

Assim a doula deve informar a toda a família. Atenção deve ser dada também para os cuidados do bebê, os chás não devem ser estimulados a não ser que tenha conhecimento cientifico a respeito dos mesmos.

Com auxílio, a mãe se torna autoconfiante! O leite materno é o melhor presente que ela pode dar ao seu filho.



2. DOULA

No aleitamento materno o que é dito por profissionais da área da saúde é na maioria das vezes absorvido e isto pode influenciar não só a mãe, mas toda a família. Assegure-se de que esta esteja bem informada sobre a amamentação. Quem? A doula deve apoiar e incentivar a amamentação, buscando estar sempre atualizada e atender a mulher de forma humanizada apoiando-a, através de cuidados individualizados dando atenção para as particularidades de cada mãe e filho.

Ter sensibilidade para identificar as necessidades da mulher. Abstendo-se de julgamentos e de juízos de valor, ouvir atentamente e providenciar as informações necessárias para que a mãe possa tomar a sua decisão sozinha. São estas as principais condutas que tornam a doula apta para apoiar a díade mãe-bebê. Reconhecendo quando a mãe necessita de informações e cuidados dos quais a doula não esteja apta a fornecer fazendo assim o devido encaminhamento. Cabe a doula respeitar as possibilidades de escolhas da mulher sobre o seu corpo.

3. SUPORTE À AMAMENTAÇÃO


O suporte em Amamentação foca a díade mãe-bebê observando a boa evolução do aleitamento materno bem como a solução de eventuais problemas como: mastite e fissuras no bico do seio, comuns nos primeiros dias após o parto.

A doula pode dar apoio a mãe e também aos familiares e este apoio compreende as seguintes etapas: fornecer orientações quanto à pega correta do bebê, bem como às posições favoráveis à amamentação, cuidados com a mama, ordenha, cólicas, estimulação da mama, bem como qualquer outra dúvida que possa surgir, dando apoio continuo à mãe e ao bebê como também aos familiares.



4. AMAMENTAÇÃO: A MELHOR ESCOLHA


A amamentação sofre influências negativas e positivas do ambiente sócio-cultural em que a mulher vive. Uma das piores é o estresse, principalmente quando são primíparas (primeiro filho), pois sofrem influências socioculturais, como crenças e tabus, que dificultam a amamentação, bem como os cuidados com o recém-nascido.

Assim esses fatores muitas vezes determinam a conduta diante da amamentação. Entender o contexto cultural para apoiar devidamente uma mulher que amamente é importante para orientá-la da melhor forma possível.

Para se desenvolver uma cultura favorável ao aleitamento materno e para que esta seja aceita plenamente é preciso que se tenha claro que: o aleitamento materno é um direito da mulher e da criança.

A amamentação é reconhecidamente a bases da saúde das crianças, das mães e das famílias, e esta dar-se-á com a humanização dos serviços, dando suporte às mudanças necessárias que assegurem a qualidade dos cuidados.

Todo profissional humanizado buscará criar movimentos de solidariedade e de competências que contribuam para uma melhor qualidade de vida para todos.


5. COMO AMAMENTAR

A amamentação deverá ser o mais natural possível. Os elementos artificiais que usualmente são recomendados, na maioria dos casos, prejudicam o processo natural da amamentação. Por outro lado pode-se.

Promover relaxamento e posicionamento confortável, usando: travesseiros e almofadas para posicionar; técnica de relaxamento respiratório; banquinho ou lista telefônica para apoiar o pé e trazer o joelho para cima. Demonstrar as diversas posições: sentada; deitada. (SAÚDE NEONATAL, 2009)

As chupetas e mamadeiras utilizadas precocemente propiciam à confusão de mamilos por parte dos bebês, por não saber distinguir a pega da chupeta e a pega no peito da mãe, sendo a pega correta a base essencial para uma amamentação bem sucedida.



5.1 PREVENÇÃO DO INGURGITAMENTO


Normalmente entre as primeiras 48 e 72 horas após o parto, ocorre a descida do leite. As mães neste período devem atentar-se para a ingestão de líquidos para que não ocorra um desequilíbrio na produção deste.



5.2 MASSAGEM


A massagem deverá ser feita pondo um pouco de óleo de amêndoas doces ou manteiga de cacau na ponta dos dedos, e passá-lo fazendo pequenos círculos em volta do seio. Seguidamente, com os dedos em forma de pente, penteie em direção ao mamilo, em direção descendente, com movimentos suaves, de forma a desbloquear os canais de leite e a desfazer eventuais nódulos. A massagem só deverá ser feita com a avaliação prévia de um profissional de saúde, por estimular a produção de leite e promover o ingurgitamento mamário.



5.3 A PEGA

Uma pega eficaz é essencial para uma amamentação bem sucedida. A dor nos mamilos é um sinal de alerta de que a pega não está adequada, o que poderá causar desconforto à mãe e interferir na alimentação do bebê. Se a dor persistir, procure encaminhá-la aos serviços locais de apoio e orientação a amamentação ou ao seu médico.


5.4 COMO AJUDAR O BEBÊ A PEGAR NA MAMA


Tocar os lábios do bebê com o mamilo; direcionar o mamilo para o palato do bebê (céu da boca); desperar até que a boca esteja bem aberta; posicionar o bebê rapidamente à mama; o nariz e o queixo do bebê devem ficar ficam junto à mama; a cabeça do bebê deve estar alinhada com o resto do corpo, e abocanhar toda a aréola; puxar, com o dedo indicador, o queixo do bebê para baixo, fazendo com que a boca abra mais e o lábio inferior esteja virado para fora.



5.5 COMO SEGURAR A MAMA
Primeiro, a mãe deve encontrar-se numa posição confortável.

A mão deve estar em forma de C - com os quatro dedos contra a parede do tórax debaixo da mama; com o indicador a apoiar a mama por baixo; o polegar coloca-o acima da zona superior da aréola. Os dedos não devem estar próximos de mais do mamilo.



5.6 HORÁRIO E DURAÇÃO DAS MAMADAS


O bebê deve mamar em horário livre. Quanto mais vezes o bebê mamar, maior será a produção de leit.; Como todos os bebês são diferentes, também a duração das mamadas pode diferir de bebê para bebê. O bebê deve mamar tudo o que desejar de um lado, até deixar a mama espontaneamente, após eructar. Ofereça a outra mama, o bebê poderá aceitar ou não. Muitos bebês ficam satisfeitos com um só peito.



5.7 NÃO EXISTEM LEITES FRACOS


O leite no início da mamada pode ter um aspecto mais aguado, por ser mais rico em lactose e menos rico em gordura, mas ao longo da mamada o leite altera o seu aspecto, ficando mais espesso por ser mais rico em gordura. Tanto o leite do início da mamada como o leite do final da mamada são importantes para o bebê.



6. MAMILOS DOLORIDOS OU COM FISSURAS


Quando os mamilos estiverem doloridos ou com fissura, deve-se verificar a pega e caso haja necessidade corrigi-la. Os mamilos doloridos são, na maioria dos casos, conseqüência direta de pega inadequada. Antes de começar a dar de mamar deve ser estimulado o reflexo de saída do leite. No final da mamada, espremer um pouco de leite e aplicar nos mamilos e aréolas; expor a mama ao sol o máximo de tempo possível; não aplicar nenhuma pomada sem indicação médica. Se o mamilo estiver com sangramento, a mãe pode retirar o seu leite e dar ao bebê com uma colher ou com o copo até se sentir melhor.



7. VANTAGENS DO ALEITAMENTO MATERNO


O leite materno é a forma natural de a mãe alimentar o seu filho, não existe melhor alimento para o bebê. Em termos nutricionais esta perfeitamente adaptado às necessidades do bebê, imunologicamente estará protegendo a sua saúde como nenhum outro.

Em regiões pobres, onde muitas vezes uma gravidez se segue à outra, o acúmulo de peso do ciclo gravídico puerperal pode contribuir para a obesidade nas mulheres adultas. A prática da amamentação exclusiva por 6 meses, conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde, contribui para uma perda de peso da mãe mais rápida (38-40).

Em estudo longitudinal realizado com 312 mulheres do sul do Brasil, Gigante et al. mostraram que as mulheres que amamentaram de 6 a 12 meses apresentaram os menores índices de massa corpórea e medidas de prega cutânea. Além disso, as que amamentaram de forma exclusiva ou predominante tenderam a ser mais magras do que as que amamentaram parcialmente ou não amamentaram.

(AMAMENTAÇÃO, 2004).
A amamentação também favorece a saúde da mãe alem de ser economicamente vantajosa e ecologicamente correta.

O vínculo que se forma entre a díade mãe/filho durante a amamentação é muito forte, fortalecendo a afetividade entre ambos. A amamentação traz maior segurança ao filho e melhora a auto-estima da mãe.

Apesar de todas estas vantagens, a desinformação e ausência de apoio efetivo propiciam a muitas mães o desmame precoce.



CONCLUSÃO


A amamentação contém os nutrientes exatos para todas as necessidades do bebê. O leite materno é facilmente digerido, protegendo o bebê contra infecções.

Economicamente acessível, auxilia a mãe e o bebê a desenvolverem uma relação íntima e amorosa. Emocionalmente, a mãe fica mais afetuosa e com uma sensação de plenitude. Além disso, o leite materno contém anticorpos contra infecções que a mãe teve no passado.

O aleitamento deve ser iniciado dentro da primeira hora pós-parto, ser exclusivo nos primeiros seis meses de idade e continuar até os dois anos ou mais.

A mulher na sua constituição sócio-cultural já tem sua visão formada para a amamentação. Se a crença na possibilidade de amamentar já tenha sido interiorizada, o processo será natural. O preconceito que por ventura possa existir pode deverá ser mensurado pela doula para que se façam as devidas intervenções, suporte e apoio a esta mulher. Tudo o que desestabiliza a mulher deve ser dialogado no contexto familiar, pois o suporte social é essencial.

A amamentação beneficia a mãe e o filho psicologicamente e fortalece a relação díade mãe e filho, iniciando ai a produção dos sentidos amorosos, carinhoso, com vitalidade e com sentido para a sua existência.

Biologicamente e organicamente o ser humano tem suas formas construídas numa relação de base de amor e doação da mãe que lhe gerou e lhe amamentou.



REFERÊNCIAS


AMAMENTAÇÃO. Os benefícios da amamentação para a saúde da mulher. 2004. Acesso em 06/07/2009. http://www.amamentacao.com/a_artigos.asp?id=x&id_artigo=750&id_subcategoria=1


SAÚDE NEONATAL. AMAMENTAÇÃO. 2009. Acesso em 06/07/2009. http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/port/amament.htm

Wanderléa Plebani tem 40 anos, é técnica de enfermagem e mora em Blumenau (SC). Wanderléa realizou esse trabalho como monografia final do Curso À Distância e Presencial de Qualificação Internacional e Bilíngue Capacitação de Doulas Parto. 18/07/2009. Email de contato: wplebani@hotmail.com
 
Fonte: http://www.amigasdoparto.org.br/2007/index.php?option=com_content&task=view&id=1028&Itemid=207

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