Sem dúvidas na amamentação

A importância do aleitamento materno para a saúde do seu filho e como garantir uma mamada perfeita! Sim, você já sabe que amamentar é fundamental para o seu bebê crescer com saúde; vira-e-mexe lê alguma pesquisa comprovando mais um benefício do leite materno e certamente imagina que este ato será uma de suas melhores recordações de ser mãe.

Nada disso, no entanto, impede que você tenha uma série de dúvidas durante a gravidez ou que sinta medo de não conseguir amamentar por muito tempo.

Por uma série de motivos, que vão desde a falta de instruções de como dar de mamar até a ausência de um especialista para resolver problemas como rachaduras, apenas 40% das mulheres brasileiras amamentam até o sexto mês, segundo dados do Ministério da Saúde, e 50% param o aleitamento materno quando a criança completa dois meses, dizem os pediatras. É muito cedo: o ideal é que esse aleitamento exclusivo ocorra até o sexto mês.

Bebês que mamam até esta fase têm menos risco de desenvolver asma e artrite reumatóide, recebem uma proteína que combate vírus e bactérias do trato gastrointestinal e ainda podem ficar mais inteligentes, apontam os últimos estudos.

Você também só tem a ganhar: as chances de ficar estressada ou de desenvolver câncer de mama diminuem se você amamenta. Além disso, é mais fácil perder os quilinhos que sobraram da gravidez e, ao contrário do que muita gente ainda diz, seus seios não vão ficar caídos!

Nas próximas páginas, veja como se preparar, ainda na gravidez, para uma boa amamentação e resolver dificuldades que podem surgir quando o bebê começar a sugar, além de uma entrevista com a atriz Vanessa Lóes, que conta como foi amamentar o filho Gael, de 1 anos e 5 meses, até o nono mês.


A preparação

Por mais estranho que pareça, o processo da amamentação começa na gravidez. Prepare o bico do peito para que a pele fique mais forte, o que pode evitar as rachaduras. O primeiro conselho é não passar hidratantes na auréola e tomar sol nos seios todos os dias, durante 15 a 30 minutos, antes das 10 h ou depois das 16 h.

 Ainda grávida, use sutiãs próprios para amamentação (aqueles que têm abertura) e, em dias alternados, deixe-os abertos sob a roupa, de preferência de tecido grosso. O contato do tecido vai “calejar” o bico. Vale também usar conchas de silicone para estimular o mamilo. O uso de buchas vegetais ou de toalhas para esfregar no bico é controverso. Alguns médicos dizem que ajuda; outros afirmam que machuca. Na dúvida, consulte seu obstetra.


Sem medo dos mitos

A maioria das mulheres pode amamentar e não existe leite fraco – até o das mães desnutridas é rico. Ele é um componente vivo que muda de acordo com a idade do bebê e dos nutrientes de que precisa. O que pode acontecer é você ter mais ou menos leite, mas nem por isso seu filho vai sofrer.

Para garantir a abundância, beba muita água e não se estresse. Lembre-se de que, quanto mais o bebê mamar, mais leite terá.

E comece o quanto antes: a primeira mamada deve ser até 1 hora depois do parto. Isso porque é quando sai o colostro, uma forma de leite altamente imunológico que funciona quase como uma vacina. É bom saber que nenhum alimento aumenta ou melhora a qualidade do leite, mas deve-se evitar comidas pesadas, condimentos, embutidos, cafeína, conservantes etc., pois podem causar desconforto na criança, como cólicas.


A maneira certa

O jeito que seu filho mama é importante. Procure amamentá-lo em lugares calmos, para não distraí-lo, e na posição que fique mais confortável para os dois. O bebê deve abocanhar a auréola toda, fazendo boca de peixinho (os lábios devem ficar para fora). O queixo fica encostado na mama e as bochechas arredondadas, sem covinhas. A amamentação não pode fazer barulho e a mãe não deve sentir dor passados os primeiros dias.


Evite contratempos

Rachaduras no bico do peito são comuns e indicam que a pega está errada. Corrija-a e, para sarar, passe o próprio leite, que tem efeito cicatrizante, ou pomada indicada pelo obstetra. Se o leite empedrar, retire-o fazendo massagem. Com uma mão, segure a base da mama e, com a outra, aperte de cima para baixo (em direção ao mamilo).

Muitas mães param de amamentar quando ficam doentes. Nem sempre isso é preciso. Quando a mulher pega uma gripe, por exemplo, o corpo cria anticorpos para combater o vírus. Na amamentação, esse anticorpo passa para o bebê, protegendo-o. Se tiver de tomar algum remédio, dê preferência àqueles que não interferem no leite. Antes de parar de oferecer o peito, consulte seu médico.


Benefícios da amamentação

Você conhece bem as vantagens de amamentar seu filho? O leite materno tem todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança, fortalece o sistema imunológico, previne obesidade, alergias, intolerância ao glúten etc. A sucção ajuda o desenvolvimento da arcada dentária do bebê e ainda estimula a volta do seu útero ao tamanho normal.



Fontes: Eduardo Zlotnik, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Fabíola Cassab, fundadora do Matrice, ação de apoio à amamentação; Hamilton Henrique Robledo, pediatra do Hospital São Camilo (SP).
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI18523-10585,00.html
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