Voz da mãe ativa áreas específicas do cérebro de recém-nascidos

A voz das mamães pode ajudar a ativar certas partes do cérebro dos bebês relacionadas com o aprendizado da linguagem, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Montreal no Canadá e que acompanhou recém-nascidos durante as primeiras 24 horas de vida fora do útero.
O monitoramento dos sinais cerebrais feito pelos pesquisadores mostrou que os bebês reagiam à voz de outras mulheres, mas esses sons ativavam apenas a parte do cérebro responsável pelo reconhecimento de voz.
“Nossa pesquisa mostrou, entretanto, que a voz da mãe é algo especial para o desenvolvimento dos bebês”, diz Maryse Lassonde, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, que foi o primeiro a monitorar padrões cerebrais em crianças tão jovens. “Nós colocamos os eletrodos na cabeça desses bebês ao mesmo tempo em que pedíamos para que as mães verbalizassem um fonema”, explica. Esses exercícios foram então repetidos com as enfermeiras.

No caso das mães, as áreas do cérebro ativadas foram aquelas localizadas no hemisfério esquerdo, incluindo processamento da linguagem e o circuito responsável pelas habilidades motoras. Quando estranhos falavam com os bebês, o hemisfério direito era o mais ativado (reconhecimento de voz, mais especificamente). A fala da mãe – muitas vezes de forma suave e em tons mais agudos – é naturalmente reconhecida, dizem os pesquisadores, mas eles também reconhecem a voz de pessoas próximas (mesmo as enfermeiras que atenderam a mãe).

Pesquisas anteriores já haviam indicado que os bebês têm algumas capacidades de linguagem inerentes, mas apenas uma parte é conhecida. A imitação das expressões faciais, por exemplo, quando alguém fala diretamente com eles, é exemplo disso.

“Nossa pesquisa confirma que a mãe é quem introduz os filhos à linguagem e nossa hipótese é que também exista uma ligação neurobiológica entre a aquisição da linguagem no estado pré-natal e mesmo que isso possa ajudar a desenvolver as habilidades motoras ligadas à fala”, diz Lassonde, cujo estudo foi publicado no periódico Cerebral Cortex.
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com informações da University of Montreal

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