Os prematuros, muito sensíveis à dor, devem ser objeto de cuidados mais suaves

Os prematuros estão ficando a salvo de um grave erro: há mais de vinte anos, pensava-se que eram insensíveis à dor. Numerosos procedimentos invasivos, incluindo cirurgias, eram praticados sem anestésico. Hoje os médicos sabem que é o inverso: os bebês pré-termo são frequentemente mais sensíveis do que os outros e tem, portanto, necessidade de uma atenção muito particular. Este é o ponto central da reunião da PremUp, fundação de pesquisa dedicada à gravidez e à prematuridade, sobre o tema " A dor do feto e do recém-nascido prematuro", no sábado 5 de Junho.

PACIENTES SUJEITOS A MAIS DOR E ESTRESSE

Mais sensíveis, os recém-nascidos prematuros são submetidos a maior número de atos médicos: as coletas e os diagnósticos repetidos são as principais fontes de dor. "Nas primeiras horas de vida, podem ser realizadas até quatro coletas de sangue por dia", explica Natacha Michelin, enfermeira em neonatologia no hospital de Port-Royal em Paris, que cuida diariamente de prematuros. A maior parte deles está sob respiração artificial, com colocação de respiradores e de sondas: um incômodo permanente e fonte de muito estresse. Para respeitar sua supersensibilidade, hoje os recém-nascidos são colocados em peças menos expostas à luz e ao barulho.

Pelo fato de terem menos tônus do que os outros, os bebês nascidos antes do termo são menos capazes de exprimir a dor por meio de movimentos físicos ou caretas. Os profissionais de saúde devem então empregar cuidados suplementares. "Sempre que possível, tenta-se aplicar os cuidados em dupla, explica Natacha Michelin, um enfermeiro segura o bebê, colocando-o com suas mãos em posição fisiológica para maior conforto, enquanto o outro faz as coletas."

Um dos objetivos das reuniões da PremUp é, assim, generalizar práticas mais suaves para o bebê. Por exemplo, a administração de soluções adocicadas permite estimular a produção de antálgicos próprios no corpo do bebê. "Estas soluções são muito conhecidas pelos profissionais de saúde, entretanto estudos mostraram que elas não eram utilizadas de maneira sistemática. Há uma lacuna entre os conhecimentos, o que se sabe fazer, e a prática."


AS DORES PREJUDICIAIS AO DESENVOLVIMENTO

A questão é ainda mais importante na medida em que a dor pode afetar permanentemente o indivíduo em desenvolvimento. "Os estímulos dolorosos repetidos modificam de maneira permanente a percepção da dor", explica o professor Vincent Laudenbach, do serviço de reanimação pediátrica e neonatal do CHU (Centro Hospitalar Universitário) Charles Nicollede Rouen. "Em outras palavras, crianças que foram muito expostas à dor em período perinatal podem ter mais tarde uma maior sensibilidade a ela. A dor pode também afetar o desenvolvimento cognitivo."

Os médicos devem também ficar atentos a superdosagens de eventuais tratamentos medicamentosos para a dor. Os recém-nascidos prematuros são mais sensíveis aos analgésicos e seu metabolismo está em plena evolução. Um melhor acompanhamento da dor, nem sempre fácil de detectar, é portanto um outro caminho para a melhora." Os instrumentos que permitem monitorar a dor são bem mais sofisticados do que há vinte anos, precisa o doutor Laudenbach, mas poderiam ser ainda mais aperfeiçoados. É necessário intensificar a pesquisa para melhorá-los, tendo o cuidado de ao mesmo tempo torná-los utilizáveis cotidianamente."

Estas dificuldades referem-se a um número cada vez maior de pequenos pacientes: a prematuridade aumentou 15% nos últimos quinze anos. Cerca de 50.000 crianças nascem antes do termo anualmente.


Fonte: LEMONDE.FR - 05.06.10

Tradução : Elisabeth Rossi e Janete - @L-Materno

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