AMAMENTAR NÃO DÁ CÁRIES!



- Há evidências substanciais que relacionam os hábitos alimentares à cárie dentária, sendo consenso geral que o aumento na sua incidência seja resultado do processo de civilização do homem, acarretando alterações nos padrões de vida mais naturais. Em povos que mantêm os hábitos de alimentação ancestrais, a prevalência de cáries é baixa. Entretanto, quando esses grupos entram em contato com a civilização moderna e seus hábitos alimentares, os índices aumentam drasticamente.

DRESTI, DV; WAES, HV. Prevenção coletiva, semicoletiva e individual em crianças e adolescentes. In: WAES, HJMV, STÖCKLI, PW. Odontopediatria. Porto Alegre: Artmed, p. 133-50, 2002.
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- A sacarose (açúcar) é o alimento cariogênico mais importante e mais amplamente utilizado pelo homem. Tem o poder de transformar alimentos não cariogênicos e anticariogênicos em cariogênicos. Outros açúcares envolvidos na cariogênese são a glicose e a frutose, encontrado no mel e nas frutas. Uma simples exposição aos alimentos cariogênicos não é fator de risco para a cárie, e sim o frequente e prolongado contato desses substratos com os dentes.

CURY, JA. Uso do flúor e controle da cárie como doença. In: BARATIERI, LN. Odontologia Restauradora – Fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos, p. 32-67, 2001.
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- Foi observado que a dieta do lactente brasileiro é deficiente em ferro, monótona, com utilização frequente de biscoitos, espessantes, salgadinhos e açúcar, caracteristicamente alimentos de alta cariogenicidade.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde. Guia Alimentar para crianças menores de dois anos. Série A Normas e Manuais técnicos, n. 107. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.
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- O tempo de aleitamento materno exclusivo e de aleitamento materno é maior em mulheres de melhores classes sociais, com maior escolaridade; do mesmo modo, a higiene dental é mais adequada nesse grupo; contrariando o que se observa com a prevalência de cárie, mais comum nas classes menos privilegiadas.

MARQUES, NM. et al. Breastfeeding and early weaning practices in northeast in Brazil: a longitudinal study. Pediatrics., v. 4, p. 108, 2001.
GIUGLIANE, ERJ. O Aleitamento materno na prática clínica. J Pediatr, v. 76 (supl. 3), p. 238-52, 2000.
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- O leite materno é liberado por ordenha diretamente no palato mole, assim, não sofre estagnação ao ser sugado. Já no aleitamento artificial por mamadeira, o bico bloqueia o acesso da saliva aos incisivos superiores, além de permitir a estagnação de alimentos e exposição prolongada aos carboidratos fermentáveis.

DAVIES, GN. Early childhood caries – a synopsis. Community Dent Oral Epidemiol. V. 26 (supl 1), p: 106-16, 1998.
SEOW, KW. Biological mechanisms of early childhood caries. Community Dent Oral Epidemiol. V. 26 (supl 1), p. 8-27, 1998. 
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- A prevalência de aleitamento materno diminui com a idade, ao contrário do que ocorre com a prevalência de cárie.

SANTOS, APP., SOVIERO, VM. Caries prevalence and risk factors among children aged 0 to 36 months. Pesqui Odontol Bras, v. 16, p. 203-8, 2002.
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- Mesmo com um aumento na prevalência mundial do aleitamento materno, a prevalência de cárie precoce da infância tem se mostrado constante ao longo dos anos.

CURY, JA. Uso do flúor e controle da cárie como doença. In: BARATIERI, LN. Odontologia Restauradora – Fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos, p. 32-67, 2001.
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- Estudos demonstraram que o leite materno diminui o risco de aparecimento de doenças, tais como gastrenterite, infecções, asma, doenças atópicas e diabetes melito, as quais também têm influência na nutrição da criança. Logo é de se pressupor que o leite materno poderia proteger contra a cárie, pelo menor aparecimento das doenças que contribuem para a fisiopatologia da doença e pela menor utilização de medicamentos de risco à carie.

RIBEIRO, NME; RIBEIRO, MAS. Aleitamento materno e cárie do lactente e do pré-escolar: uma revisão critica. J Pediatr, v. 80, n. 5, Porto Alegre, 2004.
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- O leite humano é caracterizado por um complexo sistema de defesa que inibe o crescimento de vários microorganismos, entre eles o estreptococcus mutans. Os anticorpos IgA do leite podem interferir na colonização dos estreptococcus pioneiros e, consequentemente, na colonização de outras bactérias residentes na boca. Do mesmo modo, o conteúdo de nutrientes, a capacidade de tamponamento e outros mecanismos de defesa presentes no leite materno podem influenciar a microbiota residente. 

CALVANO, LM. O poder imunológico do leite materno. In: CARVALHO, MR, TAMEZ, RN. Amamentação: Bases Científicas para a prática profissional. Rio de janeiro: Guanabara-Koogan, p. 88-95, 2002.
MARCOTTE, H., LAVOIE, MC. Oral microbial ecology and the role of salivary immunoglobulin A. Microbiol Mol Biol Rev. v. 62, p. 71-109, 1998.
KUNZ, C. et al. Nutritional and biochemical properties of human ,milk, Part I: general aspects, proteins, and carbohydrates. Clin Perinatol.v. 26, p. 303-33, 1999.
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- O leite materno contém uma mistura de oligossacarídeos complexa e única da espécie humana, presente em quantidades ínfimas em pouquíssimos mamíferos, que poderá agir num estágio inicial de processo infeccioso, inibindo a adesão bacteriana às superfícies epiteliais.

KUNZ, C. et al. Nutritional and biochemical properties of human ,milk, Part I: general aspects, proteins, and carbohydrates. Clin Perinatol.v. 26, p. 303-33, 1999.
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- Qualitativamente, foi demonstrado que o leite humano não é cariogênico pois a placa dental formada por ele é diferente daquela formada pela sacarose. Além disso, com o leite humano não há perda mineral clinicamente visível no esmalte, contrariamente ao que acontece com a sacarose. 

ARAUJO, FB. et al. Estudo in situ da cariogenicidade do leite humano: aspectos clínicos. Rev ABO Nacional. v. 4, p. 42-3, 1997.
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- Experimentalmente, foi demonstrado que o leite humano não é cariogênico por não provocar queda significativa no ph do esmalte em crianças sob aleitamento materno, com idades entre 12 e 24 meses; promovia a remineralização do esmalte por meio da deposição de cálcio e fosfato em sua superfície e não causava in vitro a descalcificação do esmalte após 12 semanas. Porém, ao ser acrescentada sacarose ao leite humano, havia o surgimento de cáries em dentina em 3,2 semanas.

ERICKSON, PR., MAZHARI, E. Investigation of the role of human breast Milk in caries development. Pediatr Dent. v. 21, p. 86-90, 1999.
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- As evidências relacionadas à associação entre cárie e amamentação são limitadas e inconsistentes. Muitos estudos que sugerem a existência deste risco, falham sob a ótica do rigor científico. Além de, em sua grande maioria, serem baseados em estudos dependentes da confiabilidade na recordação das práticas de amamentação e alimentação infantil, fracassam em medir adequadamente e controlar variáveis de confusão fundamentais, tais como práticas de higiene dental, uso do flúor e fatores dietéticos, incluindo a ingestão de alimentos e bebidas à base de açúcar e outros alimentos.

ARORA, A. et al. Early childhood feeding practices and dental caries in preschool children: a multi-centre birth cohort study. BMC Public Health, v. 11, n. 28, 2011.
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- Recente estudo com adequado controle de vieses ((idade, variáveis sociais, variáveis de saúde, variáveis comportamentais, variáveis relacionadas à higiene bucal, presença de placa visível e contaminação por Streptococcus mutans) comprova que a amamentação não foi um fator de risco para cáries. Idade, alto consumo de sacarose entre as refeições e a qualidade da higiente oral, sim.

NUNES, A.M. et al. Association between prolonged breastfeeding and early childhood caries: a hierarchical approach. Community Dent Oral Epidemiol, 2012 
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Lembrete: a Organização Mundial de Saúde preconiza a amamentação até os dois anos ou mais!

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Conclusão: Amamentação NÃO dá cáries.
Dá, no mínimo, um SORRISO LINDO, SAUDÁVEL E FELIZ!

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Fonte: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=316381891802920&set=a.313465942094515.73832.154050994702678&type=1&ref=nf

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