24 de abril de 2013



Ainda que a separação física efetivamente se produza no parto, bebê e mãe seguem fusionados no mundo emocional. O bebê se constitui no sistema de representação da alma da mãe”.

(Laura Gutman)

21 de abril de 2013

Sexualidade, Maternidade e Psicanálise

Muito bom esse texto de Sandra Freitas


Existem mulheres que não desejam ter filhos?

    O desejo de ter filhos é latente nas mulheres, pois seria a compensação por não ser detentora do falo, segundo Freud o objeto de desejo das mulheres não seriam os parceiros e sim os filhos, pois a busca é de uma completude. Concordo com Freud, se percebe isso claramente em observações, mas também não poderia ser diferente, porque o amor por um filho é incondicional.
    Ainda assim acredito que existam mulheres que não desejam ter filhos, mas estas devem estar direcionando sua busca pela completude em outras questões, e para não abrir mão do que é importante para elas optam por não ter filhos.
   Essa decisão por não ter filhos é cada vez mais predominante nos dias atuais, pois as mulheres se focam tanto quanto os homens na questão profissional, também pode haver outras questões que vão da particularidade da mulher. Mas a questão profissional em si, tem tido uma significância muito grande, talvez a mulher atual busque sua completude no profissional, e esse poder que o reconhecimento profissional propícia pode em determinado momento ser a compensação por não ser detentora do falo. Desta forma o sucesso pode fazer com que a mulher se sinta tal qual um homem, não num desejo consciente de ser homem, mas com um desejo inconsciente da busca pela completude, do falo e do poder que é próprio dele.
   O complexo de Édipo vivenciado pela menina é diferente do menino, a menina muda o foco do seu objeto de amor, que primeiramente é a mãe e vem substituí-lo pelo pai, o amor pelo pai faz com que ela desenvolva o ódio pela mãe e deseje ter um filho com o pai. Na fase fálica meninos e meninas são dotados de falo, o que acontece no caso da menina é uma percepção das diferenças existentes entre homens e mulheres, nesse contexto a menina terá que assumir sua sexualidade, tornar-se uma menina e deixar de ser fálica, essa aceitação da feminilidade seria uma escolha que lhe desviaria da masculinidade ou da inibição sexual.
    A superação do complexo de Édipo seria importantíssima para que houvesse o desenvolvimento sexual normal, o que muitas vezes não ocorre por este processo não se dar por completo surgindo assim diversas neuroses, estas subjetivas a cada caso específico.
   O processo de desejo neurótico pode se encontrar nessa necessidade de ter filhos, ou nessa obsessão pelo profissional, geralmente o desejo não se apresenta de forma direta, e embora mascarado ele possa exercer força para realização.
    O desejo é uma pulsão voltada para um objeto que trará satisfação ao sujeito desejante, podendo tratar-se de uma vontade reprimida. Como falamos do complexo de Édipo feminino, pode restar deste, desejos recalcados a nível inconsciente. Uma forma de ter consciência de desejos ocultos é através dos sonhos, nos sonhos o inconsciente se manifesta, comunicando-se com o consciente e desta forma nos revelando fatos que não admitimos.
     As crianças conhecem a repressão sexual desde muito cedo, e esta repressão as acompanha ao longo da vida, a sociedade recrimina de forma severa atitudes que não se adéquam a um padrão, talvez por isso o superego puna tanto as pessoas a cerca de tais desejos desta forma levando-os a nível inconsciente. Nesse contexto podem surgir sintomas neuróticos a cerca da falha do mecanismo de censura, a respeito da teoria da sexualidade Freud fala sobre sinais desta neurose no inicio da vida extra-uterina o que constitui a libido.
    O desejo de ter um filho, ou o desejo pelo profissional seria uma fantasia de se resgatar a completude perdida com a castração.
    Segundo Freud a mulher dita normal, seria aquela que escolheu como objeto de amor o pai e, portanto não amaria a mãe, sendo que por intermédio de um filho poderia anular a castração. Sendo assim os amores posteriores ao amor vivenciado a cerca do pai como objeto de desejo, seria apenas uma repetição, sendo a continuação da busca pelo falo de forma simbólica a busca por um filho.
    A mulher atual, cada vez mais deixa de lado à feminilidade que lhe fazia parecer uma mulher sensível e angelical, ela deixou o posto de mulher passiva, e a busca é por uma igualdade, acredito que nessa busca há fatores conscientes, mas também existe algo inconsciente. O tempo para essas mulheres é cada vez menor, pois o mercado de trabalho ainda é um tanto quanto machista, por isso elas abdicam de outros desejos, por exemplo, o desejo de ter filhos, como já disse antes acredito que existam mulheres que não desejam ter filhos, mas em alguns casos o desejo existe, e não é admitido e isso causa grande sofrimento. Muitas mulheres decidem por cuidar do profissional a fim de conquistar uma estabilidade financeira e aí sim terem seus filhos, mas o fator idade pode vir a influenciar, e essa preocupação com a idade pode desenvolver o medo de não realizar-se em sua feminilidade e desta forma não alcançar uma real completude. 
    Dentre todo esse simbolismo, observamos o poder das pulsões que guiam os desejos ao encontro do objeto que lhes é próprio, e percebemos também a importância da castração para o processo vivenciado no complexo de Édipo. Se a necessidade de ter filhos se trata de desejo inconsciente e talvez como coloquei no texto seja inconsciente também a busca voraz pela realização profissional, acredito que em todos nós sobram resquícios do complexo de Édipo, este que talvez nunca seja superado.

LEITE, MÁRCIO PETER DE SOUZA, Psicanálise: problemas do feminino: O homem supérfluo e o pai necessário. Forbes, J. (org.), Ed. Papirus, Campinas-SP, 1996. Disponível em: http://www.marciopeter.com.br, [Disponível em 27 Agosto 2008].
MITCHEL, J. Psicanálise da Sexualidade Feminina. Rio de Janeiro: Campus, 1988.
PEREIRA, ANA LÚCIA. MION, CÍNTIA RENATA, RAMOS, MARIA DE FÁTIMA, A Sexualidade Feminina. Disponível em: http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos_Psicologia/Sexualidade_Feminina.htm, [Disponível em 10 Junho 2007].

13 de abril de 2013

Texto sobre a importância da atenção e do toque para bebês


"Colocar bebês em camas separadas - até em quartos separados - e não responder rapidamente ao choro deles, pode gerar incidência de stress pós-traumático e disordens de pânico quando essas crianças alcançarem a idade adulta." Diz pesquisa realizada em Harvard Medical School



A atitude de alguns americanos de "deixar o bebê chorar" pode causar medos e lágrimas quando ficarem adultos, de acordo com 2 pesquisadores da Harvard Medical School.


Em vez de deixarem os bebês chorarem, os pais americanos deveriam manter os bebês por perto, consolá-los quando eles choram, e trazê-los para a cama com eles, onde estarão seguros, palavras dos pesquisadores Michael L. Commons e Patrice M. Miller, do Departamento de Psiquiatria da Harvard Medical School.


Os pesquisadores examinaram os métodos de educação nos EUA e em outras culturas. Eles concluíram que a prática muito comum de colocar bebês em camas separadas - até em quartos separados - e não responder rapidamente ao choro deles, pode gerar incidência de stress pós-traumático e disordens de pânico quando essas crianças alcançarem a idade adulta.

A tensão mental resultante da separação, nessa fase da vida deles, causa mudanças nos cérebros dos bebês, fazendo com que quando adultos no futuro sejam mais suscetíveis ao stress, falam Commons e Miller.
"Os pais devem reconhecer que deixarem seus bebês chorar sem necessidade causam permanentes danos ao bebê," Commons falou. "Muda o sistema nervoso de uma maneira que eles ficam extremamente sensíveis a futuros traumas."

O trabalho dos pesquisadores da Harvard é único porque leva em consideração várias disciplinas, ou seja, examina a função cerebral, o aprendizado emocional em bebês, e diferenças culturais, comentam Charles R. Figley, diretor do Instituto de Traumatologia da Universidade Estadual da Flórida e editor do "The Journal of Traumatology".

"É muito raro mas extremamente importante encontrar esse tipo de relatório científico interdisciplinar e multidisciplinar," Figley falou. "Leva em consideração diferenças culturais nas respostas emocionais das crianças e as suas habilidades em lidar com stress, incluindo stress resultante de trauma."

Figley comentou que o trabalho de Commons e Miller iluminou uma rota de estudos futuros e pode ter implicações importantes em todos os esforços dos pais, desde estimular a inteligência das crianças até algumas práticas como circuncisão.

Commons é professor e pesquisador da Medical School's Department of Psychiatry desde 1987 e membro do Programa em Psiquiatria e Lei do departamento.

Miller é professora do Programa em Psiquiatria e Lei da Universidade desde 1994 e professor assistente de psicologia da Universidade de Salem State College desde 1993. Ela fez mestrado e doutorado em desenvolvimento humano.

Os pesquisadores falam que o jeito da maioria dos americanos (e o mundo ocidental em geral) educar seus filhos é influenciado por vários medos, como o medo de que as crianças cresçam muito dependentes. Em resposta a isso eles dizem que os pais estão no caminho errado: o contato físico e a segurança proporcionada pelos pais farão as crianças MAIS seguras e mais capazaes de formar relações maduras quando elas finalmente se tornarem adultas.

"Nós enfatizamos independência tanto tanto que isso está causando efeitos colaterais negativos," Miller falou.

Os dois ganharam o centro das atenções em fevereiro, 2003, quando apresentaram as idéias no Congresso da Associação Americana para o Avanço da Ciência, na Philadelphia.

Commons e Miller, usando dados que Miller tinha estudado bastante e tinham sido compilados por Robert A. LeVine, Roy Edward Larsen (Professor de Educação e Desenvolvimento Humano) comparou as práticas americanas de criar crianças com outras culturas, particularmente o povo "Gusii" do Kenya. Mães Gusii dormem com seus bebês e respondem rapidamente aos seus choros.

"Mães Gusii assistiram vídeos de mães dos EUA. Elas ficaram muito angustiadas em ver quanto tempo levou para essas mães responderem aos bebês chorando" - reportaram Commons e Miller.

O jeito como nós somos educados influencia a sociedade totalmente. Americanos em geral não gostam de ser tocados e se orgulham tanto de serem independentes que chegam ao ponto de se isolarem completamente, mesmo quando estão passando por dificuldades.
Apesar da opinião comum de que bebês devem aprender a ser deixados sozinhos, Miller falou que acredita que muitos pais "enganam", mantém os bebês no mesmo quarto que eles, pelo menos no começo. Além disso, quando o bebê começa a engatinhar muitos acabam por ir ao quarto dos pais.

Pais americanos não deveriam se preocupar com esse comportamento ou ficar com medo de dar carinho aos bebês. Pais devem se sentir livres para dormir com seus bebês, uma opção é ter um colchão no chão no mesmo quarto, e sempre sempre confortar o bebê quando ele chora.

"Existem muitas maneiras de crescer e ser independente sem ter que sujeitar seus bebês a esse trauma", diz Commons. "Meu conselho é: mantenha suas crianças seguras, então eles vão crescer confiantes e não terão medo de arriscar."

Além do medo da dependência, os pesquisadores falaram que outros fatores tem contribuído para a formarção dessa maneira de educar, incluindo o medo de que as crianças interfiram na vida sexual do casal se dividirem o mesmo quarto; os medos dos médicos de que os pais possam rolar sobre os bebês e machucá-los se dormirem na mesma cama. Além disso, a prosperidade crescente nos EUA tem ajudado na separação, pois fornece às famílias as condições econômicas para comprar casas maiores e com quartos separados para as crianças.

O resultado, dizem Commons e Miller, é uma nação que não gosta de tomar conta de seus próprios filhos, uma nação violenta e marcada pelas relações liberadas, não-físicas.

"Eu acho que existe uma grande resistência cultural no modo de criar as crianças", diz Commons. Mas "castigos e abandono nunca foram bons modos de chegar a pessoas carinhosas, que se preocupam com outros, e independentes."



Por Alvin Powell 


Este artigo, original em inglês, pode ser lido em


Tradução: Andréia C. K. Mortensen

Fonte: 
http://www.facebook.com/APsicanalise

10 de abril de 2013