Bebês exploram o próprio corpo no útero


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Ainda no útero, os fetos exploram o próprio corpo como parte de seu desenvolvimento, segundo uma pesquisa publicada na revista Developmental Psychobiology, baseada em uma tecnologia de escaneamento em 4D.

“Observamos eventos sequenciais que revelam a maturação no desenvolvimento fetal, que é a base da vida após o nascimento”, explica Nadja Reissland, do Departamento de Psicologia da Universidade de Durham, em um release. “As descobertas podem fornecer mais informações sobre o momento em que os bebês estão prontos para interagir com seu ambiente, especialmente os prematuros”.
Reissland e sua equipe realizaram um total de 60 exames em 15 fetos saudáveis a intervalos mensais, entre 24 e 36 semanas de gestação.
Durante a primeira fases do período de desenvolvimento, os fetos frequentemente tocaram o alto e as laterais da cabeça. Ao longo do tempo, passaram a tocar a parte inferior do rosto, que é mais sensível, inclusive a boca.
Com 36 semanas de gestação, uma quantidade significativamente maior de fetos passou a abrir a boca antes de tocá-la. Segundo os pesquisadores, isso sugere que os bebês foram capazes de prever que suas mãos estavam prestes a tocar a boca, em vez de apenas reagir ao seu toque.
“Tocar a parte inferior do rosto com mais frequência pode ser um indicador do desenvolvimento cerebral necessário para o desenvolvimento saudável, incluindo a prontidão para a interação social, o autoconforto e a alimentação”, explicou Reissland. Isso também pode explicar porque os fetos sugam o polegar e outros dedos: para se tranquilizarem.
Essa sequência de eventos parece ser uma programação genética nos seres humanos e faz parte do processo de crescimento. “É provável que esse efeito seja determinado evolutivamente, preparando a criança para a vida fora do útero”, afirma o co-autor do estudo, Brian Francis, professor de Estatísticas Sociais em Lancaster.
“Com base nestes resultados, futuras pesquisas podem aumentar nossa compreensão sobre a preparação da criança para a vida ainda no útero, incluindo a capacidade de interagir com o ambiente social, a regulação de estímulos e a prontidão para mamar no peito ou na mamadeira”, acrescenta.
Como os bebês prematuros perdem os últimos estágios do desenvolvimento, apresentam mais dificuldades no início da vida.
Estudos anteriores descobriram que os fetos bocejam no útero e praticam expressões faciais, uma suposta preparação para se comunicarem depois do nascimento.

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