Desenvolvimento individual não é uma corrida a ser vencida

Existem bebês que sentam aos 4 meses. Os que andam perto dos 2 anos. Os que leem aos 3 anos, os que falam aos 4 anos. São vários os marcos do desenvolvimento que podem ser comparados. Existem tabelas com o tempo médio que cada criança leva para adquirir certas habilidades. Essas tabelas querem dizer  que algumas conseguem antes, outras depois, mas a média é aquela. Não é uma forma de estabelecer o tempo exato.

Alguns cuidadores colocam as crianças como competidores com outras crianças: "o filho do vizinho desfraldou com 1 ano, o nosso ainda não".
Existem os que colocam irmãos em comparação: "sua irmã obedece o que eu digo, você não."
Existem os que fazem as crianças apostarem corrida com a própria vida, apressando passos: a criança precisa aprender a ler, contar, saber um terceiro idioma para ter a vida adulta facilitada.

Talvez você diga que as crianças precisam aprender a competir. É normal competir, é preciso saber ganhar e saber perder.
Mas o nosso papel como cuidadores é de ensinar as crianças a cooperar.

É fácil explicar a diferença na postura entre incentivar a competição e incentivar a cooperação. Se outra criança sabe algo que a sua não sabe e deseja aprender, que as duas possam tentar arranjar um meio de aprenderem juntas. Se seu bebê andou antes de outro bebê, converse com a outra família sobre cada um ter o próprio tempo.

Talvez você diga que é necessário ver nossas crianças como melhores do que as crianças alheias. Eu penso que nós devemos ver nossas crianças como o melhor que elas podem ser.

Nosso papel é ver o melhor na criança. É dar espaço e incentivo para que ela se desenvolva em plenitude, explorando suas próprias potencialidades. Quer dizer que se a criança tem sua vida respeitada, vai adquirir a habilidade necessária. O desenvolvimento individual não aposta corrida.

Acredito que toda família já passou por uma situação na qual seus filhos foram comparados. Quando a criança está "adiantada", sentimo-nos felizes. Quando está "atrasada", vem a frustração.
Colocar os nossos sentimentos (como cuidadores) em coisas e situações exteriores (no caso, o desenvolvimento da criança), é desperdício de energia.

Você não se sentirá mais feliz quando a criança aprender a dormir sozinha. Não deve se frustrar se a criança desfraldar depois do que a tabela diz que é normal. O hábito de desejar e exigir coisas e situações que são exteriores a nós causa desapontamento, tristeza e frustração.

Além disso, quando buscamos comparações, é como se estivéssemos insatisfeitos com o que temos. Quando comparamos uma criança e ela se sai melhor do que a outra, a nossa felicidade ou orgulho passam a seguinte mensagem: enquanto você for o melhor, eu estarei feliz e orgulhosa. É um peso para os cuidadores (que precisam "vencer" a comparação para sentirem orgulho e felicidade), para a criança "vencedora" (que adquire o medo de "perder" e desapontar a família), quanto para a "perdedora", que se sentirá inferior (pois os próprios cuidadores podem sentir frustração).

Eu acredito na impermanência das coisas e situações. Assim como não há felicidade em todos os momentos, também não há infelicidade que dure para sempre. Não existe quem sempre vença e nem quem sempre perca. Eu não estou dizendo que você não deve se orgulhar da criança. O problema está em se orgulhar na comparação, não no que a criança é por ela mesma.

Eu não acredito em comparações. Não acho que minha filha se desenvolveu antes ou depois em qualquer aspecto. Ela se desenvolveu em seu próprio ritmo, com as influências do meio em que vive.

Eu acredito também em respeitar a vida da criança, dando suporte, auxílio, carinho e incentivo.

Se nos esforçarmos para que o ambiente seja repleto de liberdade (para a criança decidir o que quer), apoio (para que se sinta amada e amparada em tudo o que decidir e viver), e incentivada (para que ela goste de aprender), ela irá se desenvolver.

Devemos ver o melhor na criança. Não como se ela fosse perfeita, irretocável. Mas como um ser humano que está seguindo o próprio caminho, seja correndo ou caminhando.

 por 

Fonte: http://cirandamaterna.blogspot.com.br/2014/02/desenvolvimento-individual-nao-e-uma.html

Comentários