Antes mesmo de nascermos biologicamente, a linguagem de nossos pais já nos coloca imersos numa história: o outro sonha nossa existência antes mesmo de que nós possamos reconhecê-la como tal. Quando começamos a falar, já fomos devidamente tocados pela palavra que veio do outro. Passamos a tocar o outro e a nós mesmos com as palavras que nos chegaram, ainda no berço. Nossa pele é feita de palavras e suas ausências: é pela palavra sentida, ouvida, falada que se dá o constante e necessário trabalho de integrar psique e soma, que se forma um corpo humano, de intenções e desejos, para além do puro biológico. Um corpo é sempre um receptáculo. 


(Evelin Pestana, Casa Aberta - Página, Psicanálise, Artes, Educação)

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