Haptonomia

Fonte: Vida prematura
A gestação é um momento único e muito especial para qualquer mulher, principalmente para as mães de primeira viagem. E não há nada mais íntimo para elas do que apreciar o desenvolvimento da vida ainda dentro do útero. É nesse período em que a mulher é mais bajulada por parentes e amigos que desejam tocar em sua barriga para sentir o feto mexer, mas nem todas elas gostam dessa atitude.

Para o psicólogo Wilson Montiel, algumas mulheres sentem que a sua privacidade está sendo invadida quando todos querem tocar e ouvir o feto. "Sentem a intimidade violada. Além de toda alteração hormonal, as aflições e fantasias sobre o parto que se aproxima, a mulher chega a ter a sensação de que, ao ter a barriga pressionada, algum mal possa ocorrer a seu feto", afirma.

Embora algumas mães não gostem desse contato, pode ser uma maneira de tranquilizar o feto. A Ciência da Afetividade, também chamada de haptonomia, criada pelo holandês Franz Veldman, há cerca de trinta anos, explica que o toque é um elemento essencial durante a gestação e ajuda os pais a estabelecerem uma maior proximidade afetiva com o filho que ainda está na barriga.

De acordo com o psicólogo, a haptonomia é uma terapia voltada ao desenvolvimento da comunicação entre o bebê, a mãe e o pai. "Ela favorece a consciência dos pais sobre a paternidade e prepara a mãe e o bebê para o momento do parto, através de estímulos realizados na barriga pressionando a placenta e pedindo uma resposta em movimento dele", diz.

É importante destacar que o toque, quando realizado pelo pai, promove o entrosamento entre ambos. "Quando orientado por um especialista, o toque, a partir dos primeiros movimentos manifestados por este feto, ainda no início da gestação, estimula a consciência dele e de quem espera por ele", explica Montiel. "Este carinho promove o desenvolvimento da motricidade, da confiança e capacidade de demonstrar afeto, principalmente quando continuada no pós-parto até os dois anos de idade", completa.

Wilson ainda ressalta essa técnica visa o aumento da comunicação e expressão dos sentimentos entre os pais e seus filhos. "A haptonomia não é apenas para preparar para o parto, mas também para preparar os pais para uma recepção afetiva do bebê. O casal descobre como interagir com o filho através de um contato de físico afetivo-confirmativo", relata.

O psicólogo comenta que, mas do que pensar no diálogo com o bebê neste momento, o que importa é sentir que a comunicação efetivamente se estabelece. Segundo ele, a técnica é voltada especificamente para os pais: "Mas no pós-parto não há problemas se outros membros da família participarem", finaliza Wilson Montiel.

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