O Colostro

Colostro é amarelo, transparente, levemente salgado e com aparência aguada. No entanto tem maior valor nutritivo que o próprio leite e transmite ao bebê anticorpos da mãe, protegendo-o contra algumas doenças.

Depois de alguns dias o colostro vai clareando e tornando-se mais opaco, até chegar ao leite materno, que é definitivo.

É produzido até o 7º dia. Do 7º ao 15º é um leite de transição e depois disso é produzido o leite maduro.

Em escritos religiosos antigos, o leite humano era chamado de sangue branco, pois se acreditava que a mãe transmitisse parte de seu fluido vital quando oferecia o seio ao filho recém nascido.

Os seios da mãe, preparados por 9 meses pelos hormônios estrógeno e progesterona, esperam que o bebê se despeça do seu ventre e os sugue com convicção, como qualquer filhote mamífero.

Quando os lábios do bebê tocam os terminais nervosos do mamilo, um impulso elétrico vai até a hipófise da mãe, - uma glândula na base do cérebro, - e avisa, como uma campainha, que o freguês chegou. Sem perder tempo, a glândula derrama uma dose de hormônio chamada oxitocina, que de carona com a circulação sangüínea, acaba chegando aos seios. Ali, a substancia ordena que seja servida a primeira gota do leite materno.

Esse hormônio só atua em 3 momentos da vida da mulher: durante o ato sexual, no parto e na amamentação. Nas 3 situações o hormônio provoca a contração das fibras uterinas. No caso do aleitamento, além de autorizar o início da mamada, a oxitocina ajuda o útero a ir retomando o volume original. Pois para abrigar o feto, o útero chega a aumentar cerca de 1000 vezes de tamanho.

No intervalo entre as mamadas, a hipófise do cérebro da mulher secreta outro hormônio, a prolactina, que dispara a produção leiteira pelas chamadas células lactófaras, aninhadas pelas glândulas mamarias. Tais células lembram literalmente saquinhos de leite, dispostos lado a lado, ligados por finíssimos ductos, por onde escorre o líquido branco. Nas mamas, milhares delas formam alvéolos, parecidos com os ramos de uma árvore, que desembocam em ampolas - locais onde fica estocado o leite que já está pronto para consumo.

Esse reservatório, no entanto contém apenas um terço do volume de leite que um bebê costuma mamar, em cada uma das suas refeições. Quando se esgota essa porção inicial, o restante do líquido contínua no interior das células lactófaras e precisa ainda descer para as ampolas. Nessa situação de emergência, volta a entrar em ação aquele primeiro hormônio liberado pela hipófise, a oxitocina, que antes havia aberto as comportas da mama para o bebê se alimentar.

Desta Segunda vez, porém a ordem enviada pelo hormônio é espremer depressa as células lactófaras. Para isso, aciona o anel em volta delas, formando por minúsculos fibras musculares, que se contraem como a mão de quem ordenha uma vaca. Mas no caso, a pressão exercida por essas fibras é tão grande que rompe as rechonchudas células lactófaras. Por essa razão, o leite posterior - como é conhecido o líquido que vai repor o estoque das ampolas - carrega também uma série de organelas celulares, tornando-se até 3 vezes mais rico em proteínas.

Na realidade, cada ingrediente do leite materno entra na medida exata da necessidade da criança. Durante o primeiro mês de vida, o bebê precisa de um alimento especial, sem muitas moléculas de sais, que sobrecarregariam os delicados rins . além disso o intestino do recém nascido precisa entrar nos eixos, expulsando algumas substancias secretadas na gestação, para funcionar direito.

É por isso que nos 30 dias iniciais do aleitamento, aproximadamente a mulher produz o colostro, uma beberagem feita sob encomenda, cuja receita inigualável é maior justificativa para que se esqueçam as mamadeiras com leite extraído de mães de outras espécies animais. Além de ajudar o intestino da criança a trabalhar, por ser um laxante suave, o colostro carrega, em média, vinte vezes mais imunoglobulinas A (IgA) do que o leite que será produzido pela mãe nos meses seguintes.

Essas imunoglobulinas transformam a bebida numa vacina, pois nada mais são do que anticorpos, moléculas fabricadas pelo sistema imunológico no sangue da mulher, para atacar germes diversos. Herdadas da mãe, as moléculas de imunoglobulina se alojam nas mucosas respiratórias e no tubo digestivo da criança, feito guardiãs , para proteger o organismo indefeso contra invasores atrevidos, como vírus e bactérias.

No colostro também existem fatores bífidos, como são conhecidos certos açucares, que possuem moléculas de nitrogênio em sua fórmula. Essas substancias, que não estão presentes no leite de vaca, estimulam o crescimento por lactobacilos, microorganismos importantes para o bom funcionamento do intestino. Os micróbios conseguem a proeza de transformar determinada molécula do leite, a lactose, em dois tipos de ácidos - o láctico e o acético, que nada mais é do que vinagre. Graças a acidez resultante do intestino do bebê, a sobrevivência de bactérias nocivas se torna impossível.

O colostro tem ainda diversos glóbulos brancos do sangue materno. Essas células de defesa possuem uma espécie de memória a respeito das doenças que a mãe já teve. Dessa maneira, a estratégia de guerra contra muitos agentes invasores já vem revelada para o recém nascido que mama no peito. As proteínas também são especialmente dosadas para o freguês.

Ao se comparar o leite humano com o de vaca, nota-se que tem a mesma quantidade de gorduras. No entanto, a bebida preparada pelos seios da mulher carrega mais moléculas de lipase, proteína que ajuda a quebrar as moléculas gordurosos em pedaços menores, que o bebê digere mais fácil. O destino da gordura é o cérebro. Ali, forma a capa esbranquiçada de mielina, que reveste os neurônios, por onde passam os impulsos elétricos - é tudo o que falta para o sistema nervoso amadurecer.

Poucas situações são capazes de secar a fonte desse coquetel perfeito - e, quando acontece, o stress costuma ser o grande culpado. Afinal, das glândulas supra-renais de uma pessoa estressada jorra uma grande quantidade do hormônio adrenalina, que alguns cientistas apontam ser capaz de inibir a síntese de outra substancia, a prolactina - a responsável pela linha de produção do leite humano.

Apenas 5 em cada 100 mulheres não podem amamentar por problemas físicos.

A mortalidade infantil no terceiro mundo está diretamente associada ao desmame precoce. No Brasil, sabe-se que metade das mães deixa de amamentar no segundo mês, quando o ideal seria aos 6 meses. Sem a herança imunológica e submetidas a condições de higiene precárias, as crianças morrem por doenças que teriam condições de enfrentar, se tivessem sido amamentadas no peito.

A amamentação é essencial para o bebê, mesmo quando a mãe é subnutrida, pois o leite é humano mantém o padrão de qualidade, não importando as condições físicas da mulher que o produz. "O organismo feminino sempre privilegia a alimentação do filhote". De fato para a mãe amamentar bem, só a hidratação merece maiores cuidados, já que 87% do leite é composto de água. Ou seja, a mulher que bebe pouco líquido produz menos leite.


Fonte: PROAMA
Saiba mais em: http://www.amigasdoparto.org.br/2007/index.php?option=com_content&task=view&id=993&Itemid=207

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