Medicamentos na gravidez


Tomar qualquer remédio durante a gestação (e até no período da amamentação) pode trazer riscos para o bebê e para a mãe. Confira:

Depois da alegria de saber que está grávida, não raro você pode ter algum desconforto típico da gestação. Enjoos, azia, dor de cabeça, nas costas, nas pernas podem fazê-la ficar tentada a tomar algum remédio para aliviar os sintomas.

Mas até aqueles medicamentos que você estava acostumada a lançar mão (de maneira errada também!) são mais do que nunca perigosos durante os nove meses. Eles podem trazer complicações sérias para o bebê e para a mãe
Para evitar riscos desnecessários, antes de tomar qualquer remédio, é preciso passar por uma avaliação com o obstetra. Até porque, com as novas pesquisas que surgem, um medicamento que antes era seguro na gravidez pode sofrer uma nova recomendação. Como é o caso dos antibióticos.
 
Um estudo publicado no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine revelou que dois tipos de antibióticos, sulfa e nitrofurantoínas, estão associados com problemas genéticos graves em bebês quando tomados na gestação. “A grande novidade da pesquisa são as nitrofurantoínas, até então consideradas seguras para uso na gravidez. Os à base de sulfa já não eram recomendados. O estudo, no entanto, não é conclusivo”, diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês.

Os medicamentos à base de penicilina e cefalosporina, comumente usados na gestação, não foram relacionados com malformações dos bebês de acordo com a pesquisa. “É mais um alerta para as gestantes nunca se automedicarem, porque desde a concepção até o fim do aleitamento há muitas drogas prejudiciais para o bebê”, afirma Alexandre.
 
 
Na dose certa

As vitaminas, os suplementos nutricionais, os analgésicos, os antiácidos, os antiespasmódicos e os antibióticos são os fármacos mais usados na gestação, segundo estudos brasileiros. Dependendo da química, da quantidade e do trimestre da gestação, eles provocam hemorragias no parto, elevam a frequência cardíaca do bebê e causam anomalias.
 
Muitas grávidas têm consciência dos riscos. O medo de causar algum problema ao filho, aliado à falta de mais pesquisas que indiquem a segurança de alguns medicamentos, faz com que várias optem por não tomar nada e suportar qualquer desconforto. Mas não é preciso exagerar.
 
“Há situações que o maior risco é o de não usar medicamento”, orienta Claudia Serpa Osório-de-Castro, pesquisadora do Núcleo de Assistência Farmacêutica da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A infecção urinária é um desses exemplos. A mais comum das infecções bacterianas na gestação pode causar contrações e levar a um parto prematuro, além de problemas renais na mãe. É necessário tratar com antibióticos.
 
 
Decisão conjunta
Se os benefícios de um medicamento superam os riscos, os médicos costumam indicá-lo. Discutir com o obstetra o uso de qualquer substância é o mais aconselhável. E a interação positiva entre o médico e a paciente traz benefícios também quando um outro especialista precisa participar do pré-natal.

É o caso das grávidas com doenças crônicas, como a hipertensão e o hipotireoidismo. Nem sempre o remédio usado antes da gravidez é o ideal para o período gestacional. “O indicado é decidir por medicamentos já estabelecidos, os mais antigos, porque com eles foi possível observar se os efeitos são aceitáveis na gestante”, orienta o ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto.
A informação e a prudência são os melhores remédios e os médicos, os mais habilitados para avisar sobre os riscos da automedicação.
 
 
Vitaminas na berlinda
A maioria das grávidas recebe a recomendação de tomar alguma suplementação nutricional. As substâncias presentes nesses comprimidos, principalmente o ácido fólico e o ferro, são benéficas para a gestação. Mesmo assim, aos poucos, a indicação vem recebendo críticas.

Alguns médicos acreditam que o excesso de alguns nutrientes pode ser prejudicial.

Caso da vitamina A, que poderia levar a malformações, ou do ferro, que seria responsável por provocar contrações uterinas. A crença é polêmica.

Para Abner Lobão Neto, coordenador do Pré-natal Personalizado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as polivitaminas e os suplementos em geral não causam problema.“O que não é aproveitado pelo corpo acaba eliminado na urina, evitando acúmulo no organismo”, diz. Na dúvida, converse com seu obstetra.
 
 


 
Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI102481-10567-1,00-MEDICAMENTOS+NA+GRAVIDEZ.html
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