Chupeta X Dedo X Peito


Depois de muito ser bombardeada por "conselhos/críticas" de familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos, etc... decidi me informar ainda mais sobre essa polêmica questão: Quem é pior ou quem é melhor? Dedo ou Chupeta?

(Na foto Enzo e seu dedo)

Segue abaixo esse texto bastante interessante sobre o assunto:


Chupeta X Dedo X Peito

por Andréia Stankiewicz, dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares
Tudo o que acontece desde o útero, no momento do parto, nos primeiros anos de vida e também na infância, são determinantes na formação dos indivíduos. Por isso, estímulos fisiológicos nesse período são tão importantes para o desenvolvimento do bebê. E nossas escolhas, fundamentais (!) já que repercutirão diretamente sobre a vida de um novo ser.

Vou tentar explicar um pouco da diferença peito x dedo x chupeta, através de uma espécie de "parecer técnico", embasada nas evidências da Ortopedia Funcional dos Maxilares, ok? 

Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. 1. Dedo é natural; chupeta, não

Chupar o dedo faz parte do processo de desenvolvimento do bebê. Muitos já o fazem desde o útero! É uma exploração inerente à fase oral (que vai até em torno de 1 ano e meio a 2 anos de vida). Com o tempo e a presença de outros estímulos (peito, alimentos, brinquedos, mordedores, engatinhar, andar, falar, etc...) o dedo vai sendo esquecido. Isso é o normal, não há motivos para preocupações! Tem fases que o bebê pode querer chupar mais mesmo, até a mão inteira, como, por exemplo, quando os dentinhos estão para nascer, pois a gengiva coça, dói, irrita. Mas passa!
Já a chupeta é imposta pelos pais e não faz parte do desenvolvimento natural, tanto é que a maioria dos bebês demora a aceitar a dita cuja.

A sucção feita com a chupeta é bem diferente da sucção normal feita no peito, pois os músculos são utilizados de forma diferente (ou seja, chupeta é uma academia de ginástica anti-natural). Vou colocar abaixo uma tabelinha dos músculos que funcionam no peito e na chupeta com bico ortodôntico, pra vocês terem uma idéia do quanto é diferente: 
AmamentaçãoBico ortodôntico
Bucinador (bochecha)+ (normal)+++++ (hipertônico)
Língua+++++ (normal, anteriorizada e dorso baixo)      + (muito hipotônica, posteriorizada e dorso elevado)
Lábio superior     +++++ (normal)+ (hipofuncional)
Lábio inferior   ++ (normal)          + (hipotônico) 

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2. O dedo é mais anatômico do que a chupeta
Tomando como padrão ouro de sucção infantil a amamentação, observa-se que ao sugar o Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. dedo, este fica numa posição mais parecida dentro da boca com o bico do peito da mãe. Ele vai até o limite entre o palato duro e o palato mole, estimulando nesta região o desenvolvimento de um ponto neural chamado de "ponto de náusea" (aquele que "dispara" a ânsia de vômito). A língua também fica numa posição mais parecida com a da amamentação (mais anteriorizada). Já a chupeta não tem uma proctratibilidade tal qual o peito, e seu bico ou termina no meio da boca (no caso das chupetas normais) ou logo na entrada da cavidade oral (no caso das ortodônticas), atrás da região dos incisivos superiores; estimulando erroneamente aí a formação daquele ponto neural. Com a chupeta, a língua é "empurrada para trás" (na garganta), ficando numa posição mais posteriorizada, com a ponta baixa e o dorso elevado, ao contrário do que seria o normal. Tanto o dedo é mais fisiológico e anatômico, que não atrapalha a amamentação, enquanto que a introdução de bicos artificiais pode sim atrapalhar (a chamada "confusão de bicos") ou ainda comprometer o ganho de peso, pois o bebê tende a solicitar menos o peito.                                                                                                            Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt.                          Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. 
  

3. Hábitos de sucção não-nutritivos persistentes causam estragos!

Não importa se for o dedo, a chupeta, o lábio, a língua, o braço, um brinquedo, paninho, seja lá o que for... Os estragos são semelhantes: palato profundo e atrésico, queixo pequeno e retro-posicionado, base do nariz estreita, cantinho do olho “caído”, olheiras persistentes, perda do vedamento dos lábios, boca aberta, respiração bucal, língua baixa e flácida, alterações na rota de crescimento dos ossos da face, dentes tortos e mordida errada, falta de espaço, dificuldades para respirar, mastigar, engolir, falar, distúrbios do sono - ronco, apnéia, bruxismo, terror noturno... - problemas posturais da coluna (lordose, escoliose, “pé chato”), patologias respiratórias de repetição -rinite, bronquite/asma, sinusite, amigdalite, otite, gripes/resfriados frequentes -, etc. etc. etc. 

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Daí vem o medo da maioria dos pais e profissionais quanto ao dedo, justificando que a chupeta é mais fácil de tirar. O que é um erro! 

A grande maioria dos bebês vai deixar de chupar o dedo naturalmente (como já foi explicado), até o final da fase oral se receber estímulos positivos: amamentação com boa-pega, em livre demanda, mamando até ficar satisfeito, exclusiva até pelo menos os 6 meses, desmame gradual e preferencialmente prolongando a amamentação nos primeiros anos de vida da criança (até 2 anos ou +); uma introdução de alimentos bacana, tanto na qualidade como na consistência; ter liberdade para explorar o ambiente, brincar, colocar coisas na boca...enfim, se o desenvolvimento estiver normal, é uma fase e passa! Caso isto não ocorra, é necessário avaliar o que aconteceu e intervir para que as coisas voltem ao seu curso natural. Profissionais de várias áreas podem ajudar (dentista, fono, psicólogo, pediatra...). Existe uma técnica chamada de Mamilo, utilizada por alguns dentistas ortopedistas capacitados, que é super legal e eficaz na remoção de qualquer hábito oral que se prolongue além do normal; e que atua não contra o hábito, mas a favor da biologia e da fisiologia da criança, consertando os estragos que houverem e ao mesmo tempo esgotando a necessidade neural de sucção que tenha ficado.
A chupeta um dia será tirada pelos pais e, se a criança ainda não tiver esgotado essa necessidade neural até então, muito provavelmente substituirá por outro hábito (roer unha, arrancar "pelinha" do dedo, morder lápis/caneta...). No caso da chupeta, não é uma fase que passa, ela é dada pra depois ser "arbitrariamente" tirada (quando achamos que está "na hora"). E não existe uso racional, como muitos profissionais preconizam. Afinal, os pais não têm como saber a medida certa do quanto o bebê precisa sugar para se satisfazer, enquanto que o dedo, o bebê auto-gerencia (! rsrsrs). 
Ah, outra coisa: muitos dentistas falam que é só tirar a chupeta que o dentinho torto volta pro lugar. É verdade, mas o osso todo que "entortou" não volta! E no futuro faltará espaço para os dentes permanentes, além de outros problemas morfo-funcionais bem complicados.
4. Não é tudo culpa da genética!
Colocar a culpa dos dentes tortos e ossos mal-formados apenas na genética não reflete a realidade. Os fatores ambientais são fundamentais na manifestação de certas características. E por isso, as escolhas que fazemos pelos nossos filhos são tão importantes, inclusive a de oferecer ou não uma chupeta! Claro que existem biotipos mais suscetíveis aos hábitos e outros mais resistentes. Entretanto, se considerarmos que a função determina a forma, e a chupeta prejudica a função...isto quer dizer que a chupeta DEFORMA! (mais que o dedo que prejudica menos as funções). Vou tentar explicar melhor: vamos supor (uma estória, bem trágica, tá certo?) dois irmãos gêmeos: um deles caiu do berço quando era bebê e ficou paraplégico (toc, toc, toc, bate na madeira 3x! rsrsrs). Vocês concordam que, apesar da genética idêntica, o desenvolvimento entre os dois irmãos será bem diferente? Um terá as pernas atrofiadas e o outro não. Na boca acontece a mesma coisa! Ela atrofia por falta de uso, ou melhor, por funcionar errado, pela presença de estímulos neuro-motores patológicos que influenciarão diretamente o crescimento. A chupeta é um destes estímulos (junto com falta de amamentação ou o desmame precoce, uso de mamadeira ou copos de transição, respiração bucal, dieta macia e de má-qualidade, etc). Vocês sabiam que 80% do crescimento mandibular ocorre até os 6 anos de vida? E já repararam como a face e a boca do bebê crescem rapidamente no primeiro, segundo anos? Por isso que estímulos ruins neste período são tão "catastróficos", digamos assim.
5. Todo mundo conhece alguém que chupou chupeta e tem dentes ótimos ou que ficou até com o dedo torto de tanto que chupou o dedo... Bem, tudo é relativo. Infelizmente, são poucos os profissionais que sabem detectar precocemente uma mal-oclusão (isto é, antes dos 6-7 anos; lá por 2, 3 anos ou até menos). Muitas vezes os sinais são sutis e incipientes (os dentes até parecem normais), e passam despercebidos pela maioria dos pais e profissionais de saúde. Dificilmente uma criança "escapa ilesa" de um hábito de chupeta. O que pode acontecer são alguns raros casos de biotipos mais favoráveis nos quais os danos são menores. Por outro lado, é uma porcentagem muito pequena de crianças que "viciam" no dedo, e hoje existem formas eficazes e tranquilas de remover o hábito bem precocemente (lá por volta dos 2 anos), sem traumas. E a amamentação é a principal forma de prevenção!
Ou seja, acho que deu pra entender a mensagem: o dedo é menos pior!!! Pode deixar o bebê chupar. É válido usar alguns recursos quando a criança está chupando o dedo como oferecer o peito, distrair a criança com alguma outra coisa, brincar, cantar, desviar a atenção...reforço negativo ( do tipo "tira o dedo da boca", "é feio", "é sujo", "ai, que nojo"...) não é produtivo e pode servir até como forma da criança chamar a atenção dos pais. Nossa ansiedade com o dedo também pode ser percebida pela criança, estimulando ainda + o hábito. Agora, dar chupeta não é legal!
Pode até parecer radicalismo, mas quem se dispõe a estudar a fundo como as chupetas funcionam, e lida profissionalmente (ou pessoalmente) no dia-a-dia com seus efeitos, não consegue defendê-las...nem um pouquinho!

Ah, mamadeiras, idem! Mas aí, já é outra estória...

  
Bjs e boas escolhas (agora um pouco + informadas)
Déia (dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares), casada com o Fag (dentista professor de pós-graduação, homeopata, ortodontista e ortopedista funcional dos maxilares) e mãe da Luiza (8m, só de peito e papinha, sem chupeta, que gosta de chupar o dedinho de vez em quando)."
Permitida a divulgação e veiculação, desde que citada a fonte:http://www.slingando.com  
05/05/2010 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CARVALHO, G. D. S.O.S. Respirador Bucal – Uma Visão Funcional e Clínica da Amamentação. Ed. Lovise, 2ª. ed., 2010.
PLANAS, P. Reabilitação Neuro-Oclusal. Medsi, 1988.
SIMÕES, W. A. Ortopedia Funcional dos Maxilares – Através da Reabilitação Neuro-Oclusal. Artes Médicas, 3ª. ed. 2003.
SILVA, H. G. Ortopedia Funcional e Mecânica dos Maxilares. Ed. Santos, 2009.
ENLOW, D. H.; HANS, M. G. Noções Básicas de Crescimento Facial. 1ª. Ed. Ed. Santos. 1998.
SANTOS, D. C. L. Estudo da Prevalência da Respiração Predominantemente Bucal e Possíveis Implicações com o Aleitamento Materno em Escolares de São Caetano do Sul – SP – Brasil. Campinas, SP: [s.n.], 2004.
TRAWITZKI, L. V. V., et al. Aleitamento e hábitos orais deletérios em respiradores orais e nasais. Rev. Bras. Otorrinolaringol., v. 71, n. 6, São Paulo, nov/dez 2005.
Souza, D. F. R. K.; et al. Relação Clínica Entre Hábitos De Sucção, Má-Oclusão, Aleitamento E Grau De Informação Prévio Das Mães. R. Dental Press Ortodon Ortop Facial. Maringá, v. 11; n. 6, p. 81-90, nov/dez 2006.
Recomendações da Organização Mundial de Saúde. 

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