Doulas – Quem são essas mulheres?

maylu-souza
Maylu Souza
Enfermeira Especialista em Obstetrícia e em Saúde Pública

Psicanalista em Formação
Graduanda em Psicologia.
Mesmo com a crescente divulgação e incentivo ao parto humanizado, muitas pessoas ainda desconhecem a função dessas profissionais: As doulas são mulheres que atuam com o intuito de promover o bem-estar emocional e físico durante todo o ciclo gravídico-puerperal.
A palavra Doula vem do grego e significa "mulher que serve". Na antiguidade, as doulas foram as mulheres que estiverem prestando apoio no parto que ocorria de forma natural e domiciliar, sendo realizado por uma parteira. Doula e parteira não são a mesma coisa! Enquanto a parteira "pegava o bebê", a doula estava ao lado da mãe para apoiá-la. Essas mulheres não possuíam naquela época formação teórica, mas sim uma ampla experiência prática.
Na atualidade, a palavra aplica-se às profissionais que atuam fornecendo suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto (seja este natural ou até mesmo a cirurgia cesariana). As doulas agora possuem a experiência em conjunto com a teoria, reforçada por evidências científicas, fazem cursos específicos de formação, participam de palestras, pesquisas e seminários.
Para se tornar uma doula, é necessário que a mulher possua primeiramente a vocação pela área de saúde materna e infantil e que faça um curso de formação teórico-prático presencial fornecido por um órgão oficial (Ando – Associação Nacional de Doulas ou Gama – Grupo de Apoio a Maternidade Ativa, por exemplo). Após essa formação, a doula poderá atuar de forma autônoma.
Existe também a possibilidade de atuar como doula voluntária em hospitais que possuam programa de doulas, através de uma seleção e treinamento realizados pela própria instituição. Aqui no município de Itabuna, temos o Hospital Manoel Novaes que possui o título "Amigo da Criança" e realiza o projeto Doulas Acadêmicas, destinado a estudantes da área de saúde que desejem viver essa experiência.
A Maternidade Ester Gomes também já realizou um programa de doulas voltado a estudantes da área de enfermagem. Em todo país muitos outros hospitais possuem esses projetos, em outros países as doulas já fazem parte habitualmente da equipe de saúde. 
À medida em que o parto foi deixando de ocorrer no ambiente domiciliar e foi passou para dentro do ambiente hospitalar devido a maior quantidade de recursos e instrumentos, as figuras da doula e da parteira ficaram mais esquecidas no imaginário popular, mas com a necessidade do resgate do parto humanizado, um parto normal com a realização de intervenções que sejam apenas as necessárias, a doula então chegou ao modelo hospitalar para ficar ao lado da parturiente, fornecendo o apoio emocional necessário durante esse momento tão íntimo e delicado para a mulher.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde apoiam a presença das doulas em hospitais, pois estudos comprovam que os partos acompanhados por elas são menos agressivos, mais tranquilos, com menos dor e proporcionam um maior fortalecimento da relação afetiva entre mãe e filho. Abaixo acrescento algumas informações importantes que obtive no site Doulas do Brasil:
O que a doula faz?
Antes do parto - ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto - a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..
Após o parto - ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.
A doula e o pai ou acompanhante
A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai, muitas vezes, não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente, o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.
O que a doula não faz?
A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
Vantagens
As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
• Diminuir em 50% as taxas de cesárea
• Diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
• Diminuir em 60% os pedidos de anestesia
• Diminuir em 40% o uso da oxitocina
• Diminuir em 40% o uso de fórceps.
6 semanas após o parto, mulheres que tiveram doulas:
• Menos ansiosa e depressiva;
• Mais confiante com seu bebê;
• Mais satisfeita com seu parceiro
• Maior sucesso na amamentação;
Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.
Maylu Souza é enfermeira especialista em Obstetrícia e Saúde Pública, Psicanalista em Formação, Graduanda em Psicologia e já atuou como Doula Voluntária no Hospital Manoel Novaes.

Comentários