30 de março de 2014

Menino pode brincar de boneca?

Entenda por que os pais não devem restringir as brincadeiras das crianças de acordo com o sexo

menino; menina; brincadeira; bonecos (Foto: Thinkstock)
A divisão das brincadeiras por sexo, colocando meninos de um lado e meninas de outro, tem origem em normas sociais baseadas na desigualdade entre homens e mulheres. Até pouco tempo, era papel deles sair para trabalhar e buscar o sustento da família, enquanto elas ficavam em casa cuidando dos filhos. O jeito das crianças brincar, então, apenas refletia essas características sociais. Saltar, correr, montar quebra-cabeças, fazer de conta com carrinhos e ferramentas ocupava os meninos, ao passo que brincar de roda, pular amarelinha e cuidar de bonecas e do lar entretia as meninas. Mas os tempos são outros – e a divisão social em papéis específicos, de acordo com o sexo, deixou de fazer sentido. “Partindo da premissa que considera o brincar uma atividade livre, prazerosa, que permite exploração e descobertas, qualquer restrição por gênero ficou ultrapassada”, afirma a psicoterapeuta Germana Savoy, consultora em ludicidade (forma de desenvolver o conhecimento por meio de jogos, brincadeiras e música). Só para citar um exemplo, em muitas famílias, os meninos veem os pais cozinhando e as meninas, igualmente, presenciam as mães trocando pneus.
É importante levar em conta, ainda que a sociedade atual demanda profissionais aptos em diversas áreas, o que está relacionado ao desenvolvimento da criatividade – algo que se aprende, principalmente, brincando. Por isso, de acordo com a psicoterapeuta, ao se divertir com as mais variadas brincadeiras, as crianças ampliam seu repertório e, por consequência, expandem seus potenciais. Por isso, ao fazer piada ou mesmo proibir o seu filho de brincar ou se comportar “como uma menina”, você corre o risco de sabotar certas habilidades que ele tenha ou, pior, torná-lo um indivíduo submisso ou agressivo. Se o menino gosta de fazer comidinhas, por exemplo, talvez ela tenha vocação para se tornar chef de cozinha e por aí vai – e não é o tipo de brinquedo ou a cor da roupa que irá determinar a natureza sexual dele no futuro. Por outro lado, pode ser também apenas um interesse transitório, que deve ser tratado com naturalidade.

Os meninos são mais apegados à mãe?

Veja o que está por trás do comportamento

mae; filho; praia (Foto: Thinkstock)
Os pais de menino, cedo ou tarde, podem acabar com ciúme da cumplicidade entre mãe e filho. Mas o que está por trás disso? “A princípio, todo bebê, independentemente do sexo, se identifica com a figura materna, que é seu primeiro objeto de amor”, afirma a psicóloga Ana Cássia Maturano. À medida que cresce, porém, outras pessoas se tornam importantes na vida dele. Enquanto o menino se identifica com o pai, a menina se espelha na mãe – o que faz parte da construção da identidade masculina e feminina, respectivamente. Entre o terceiro e o quinto ano de vida, com o desenvolvimento da sexualidade, surgiria também uma atração pelo genitor do sexo oposto e, ao mesmo tempo, uma disputa com o do mesmo sexo. Essa teoria, que foi descrita por Freud no século passado, é conhecida por Complexo de Édipo – uma alusão à história da mitologia grega em que o filho se apaixona pela mãe.
“Essa preferência, obviamente, não tem conotação sexual”, diz a psicóloga. Trata-se apenas da necessidade de atenção da criança de todos que a cercam. Os pais devem intervir, no entanto, explicando à criança que o casal tem outro tipo de relacionamento – e isso não significa que ela seja menos amada. E no caso de arranjos familiares onde um dos pais não está presente? É possível que a identificação ocorra com outras figuras paternas e maternas, até mesmo fora do ambiente familiar.

O problema é que, em alguns casos, tanto o pai quanto a mãe reforçam o sentimento inconscientemente, em vez de combatê-lo de maneira positiva. Assim, a menina vira a filhinha do papai e o menino, o filhinho da mamãe. “Além de motivar rivalidade e/ou competição ou entre a filha e a mãe ou o filho e o pai para o resto da vida, tal comportamento pode inteferir no amadurecimento da criança e, por consequência, nos futuros relacionamentos dela”, alerta Ana Cássia. O menino, por exemplo, buscaria a figura da mãe na esposa.

Mas é claro que, teorias à parte, a ligação mais forte com um dos pais pode se perpetuar sem qualquer motivação psicológica, indicando apenas uma questão de afinidade.

28 de março de 2014


Susan Campbell, professora de psicologia da University of Pittsburgh, que estuda o desenvolvimento social e emocional de crianças pequenas e bebês, disse que o apego inseguro emerge quando cuidadores primários não estão “em sintonia” com os sinais sociais do bebê, especialmente os seus choros de socorro durante a infância.


Quando os bebês indefesos aprendem cedo que seus choros serão respondidos, eles também aprendem que suas necessidades serão satisfeitas, e provavelmente irão formar um apego seguro com seus pais”, disse Campbell. “No entanto, quando os cuidadores estão sobrecarregados por causa de suas próprias dificuldades, os bebês são mais propensos a aprender que o mundo não é um lugar seguro — levando-os a se tornarem necessitados, frustrados, afastados ou desorganizados”.

Via: Paizinho, Vírgula! :: http://paizinhovirgula.com/quatro-a-cada-dez-criancas-nao-tem-vinculos-fortes-com-seus-pais/

Nao sacuda seu bebê (Síndrome do Bebê Sacudido)

26 de março de 2014

Marcos do Desenvolvimento Infantil


* Logo após o nascimento – o bebê deve começar a mamar e já demonstrar sinais de prazer (sorrir) e desconforto (chorar e resmungar).

* Entre um e dois meses – responde ao sorriso, gosta de ficar em várias posições e olha para objetos coloridos.

* Dos três aos quatro meses – é bem mais ativo. Olha para quem o observa, acompanha com o olhar. Quando colocado de bruços, levanta a cabeça e os ombros.

* Entre cinco e seis meses – vira a cabeça na direção de uma voz ou objeto sonoro. Rola, senta com apoio e leva os pés à boca.

* De sete a nove meses – gosta de brincar com a mãe e familiares. Pode estranhar pessoas de fora de seu convívio diário. Fica sentado sem apoio.

* Entre dez e doze meses – gosta de imitar os pais, fala ao menos uma palavra com sentido e aponta para as coisas que quer. Come a comida que os adultos de casa comem. Engatinha ou anda com apoio.

* Entre treze e dezoito meses – está cada vez mais independente. Quer comer sozinho e já se reconhece no espelho. Fala algumas palavras e anda sozinho.

* Entre dezenove meses e dois anos – anda com segurança, corre e/ou sobe degraus baixos. Brinca com vários brinquedos e aceita a companhia de outras crianças, mas também brinca sozinho.

* De dois a três anos – demonstra suas alegrias, tristezas e raivas. Gosta de ouvir histórias e tem muitas perguntas. Diz seu nome e nomeia objetos como sendo seus.

* De três a quatro anos – quer aprender sobre tudo e gosta de brincar com outras crianças. Imita situações do cotidiano e veste-se com auxílio.

* De quatro a seis anos – gosta de ouvir histórias, ver livros, cantar. Corre e pula alternando os pés. Conta ou inventa pequenas histórias.

1 segundo por dia desde o nascimento - evolução do bebê

23 de março de 2014

Por que as crianças estão cada vez mais infelizes?

Especialistas em saúde infantil chamam a atenção para uma epidemia silenciosa que afeta a saúde mental das crianças que, ainda pequenas, precisam lidar com as pressões da sociedade moderna

Segundo especialias, as crianças estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas
Segundo especialistas, as crianças estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas (ThinkStock)
Uma em cada onze crianças com mais de oito anos de idade está infeliz, segundo um estudo divulgado em janeiro deste ano pela Children’s Society, organização centenária de proteção infantil. Apesar de a pesquisa trazer à tona uma realidade das crianças entre 8 e 16 anos do Reino Unido, especialistas brasileiros em saúde infantil afirmam que esse não é um problema exclusivo das crianças britânicas. No Brasil, a realidade é parecida. Ana Maria Escobar, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, em São Paulo, conduziu uma pesquisa com os pais de cerca de 900 crianças de 5 a 9 anos que estudavam em escolas particulares e estaduais.
De acordo com os resultados do estudo, os pais disseram que 22,7% das crianças apresentavam ansiedade; 25,9% tinham problemas de atenção e 21,7% problemas de comportamento. "No início do estudo, esperava encontrar queixas como asma, mas não ansiedade", diz Ana. Apenas 8% tinham problemas respiratórios e 6,9% eram portadoras de asma. O estudo foi concluído em 2005, mas Ana Maria acredita que se a pesquisa fosse feita hoje, "os níveis de ansiedade e de problemas de comportamento certamente seriam ainda mais altos."
Mais do que infelizes, as crianças brasileiras também estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas. "Elas estão desconfortáveis com a infância. Esse desconforto aparece de várias formas: como irritabilidade, desatenção, tristeza e falta de ânimo. Muitas vezes, é um comportamento incomum em relação à idade delas", diz Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Saul Cypel, membro do departamento de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, traz dados preocupantes: "A impressão que eu tenho é a de que o número de crianças com queixas comportamentais cresceu muito nesses últimos dez anos." Neste período, segundo Cypel, houve uma transformação do perfil da clínica: se antes as queixas sobre o comportamento infantil correspondiam a 20% dos pacientes, agora são responsáveis por 85% do total de seu consultório de neurologia.
Com uma agenda recheada de atividades extracurriculares, que vão desde aulas de idiomas como inglês e mandarim até as aulas clássicas como balé e futebol, as crianças estão sem tempo para se divertir e descansar, acreditam os médicos. Segundo Cypel, a antecipação de atividades para as quais o indivíduo não está preparado pode desencadear o stress tóxico, que ocorre quando há uma estimulação constante do sistema de resposta ao stress (veja quadro abaixo), trazendo prejuízos futuros para as crianças.
"A família introduz uma série de treinamentos, atividades e línguas novas. Na medida em que a criança não consegue dar conta disso, a sensação de fracasso se torna frequente", explica Cypel. "Com o stress tóxico, ao invés de favorecer o desenvolvimento da criança, os pais acabam limitando-a e desmotivando-a." Entre as consequências diretas estão a diminuição da autoestima, alterações alimentares (excesso ou falta de apetite), problemas de sono e apatia.
No início deste ano, a Academia Americana de Pediatria lançou um documento que chama a atenção para as evidências de impactos negativos do stress tóxico, com prejuízos posteriores para a aprendizagem, comportamento, desenvolvimento físico e mental. O relatório também sugere que parte dos problemas mentais que ocorrem nos adultos devem ser vistas como transtornos de desenvolvimento que tiveram início na infância.
Ana Maria Escobar acrescenta que a exposição à realidade violenta do Brasil também pode contribuir para uma sensação de ansiedade nas crianças. "Antes, raramente uma criança ouvia falar de um ato de violência. Hoje, elas ficam mais confinadas e têm medo de assaltos e sequestros. Isso com certeza provoca maior stress e ansiedade, além de maior possibilidade de se sentir infeliz, principalmente entre aquelas que vivem nas grandes cidades brasileiras", diz..
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Sinais — O problema é agravado pelo fato de que muitos pais demoram a perceber o que se passa com seus filhos. "Eles acham que o comportamento das crianças é normal", diz Ana Maria Escobar. Além disso, a dificuldade em administrar o tempo que dedicam à vida profissional e aos filhos muitas vezes impede que os pais percebam os sinais de que algo está errado.
"Muitos pais priorizam a profissão e terceirizam a criação dos filhos. Mas é preciso se questionar: quanto tempo eu passo com meus filhos? Quem são as pessoas que estão criando eles?", afirma o psiquiatra Francisco Assumpção, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.
Essa é uma preocupação constante na vida da publicitária Flora*, que tem dois filhos, Cecília* e Celso*, de 7 e 9 anos, respectivamente. As crianças, que estudam em período integral na escola, têm uma rotina bastante atribulada. Celso faz aula de inglês, futebol, tênis e deve começar a aprender uma luta neste ano. Cecília também faz inglês, natação e deve começar a praticar ginástica olímpica. "Primeiro, experimentamos uma aula de inglês uma vez por semana, depois colocamos os dois em um esporte", afirma. "Tem que sentir muito como a criança está lidando com isso. Observar o comportamento para ver se ela está cansada e se o rendimento na escola começa a diminuir", diz. Flora se preocupou em contratar uma professora de inglês para que as crianças tivessem aulas em casa. Para ela, é melhor opção para evitar o stress desnecessário no trânsito.
Apesar da preocupação, Flora fez alterações na rotina de Cecília. A pequena começou a apresentar sinais de stress. Para descobrir o problema, Flora foi investigar com a filha e percebeu que a natação estava causando o problema. "Ela chorava muito e quando acordava dizia que não queria ir para a escola. Estava diferente do que ela é normalmente", disse. Flora tirou a filha da natação no ano passado, mas ela já pediu para voltar esse ano, segundo a mãe, que vai observar o desempenho da criança.

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Quando é depressão – De acordo com Ivete Gattás, da Unifesp, a depressão afeta 2% das crianças e até 5% dos adolescentes. Sabe-se ainda que a depressão na infância e na adolescência pode influenciar negativamente o desenvolvimento e o desempenho escolar, além de aumentar o risco de abuso de substâncias químicas e de suicídio.
Somente 50% dos adolescentes com depressão recebem o diagnóstico antes de se tornarem adultos. Gattás explica que o transtorno depressivo pode surgir a partir de vários fatores: predisposição genética e associação de fatores ambientais, que podem ser desencadeados pelo stress do dia a dia, sensação de vulnerabilidade, restrição ao desempenho da criança e sobrecarrega de atividades. (Veja a lista de sintomas). "Para caracterizar depressão, a criança deve apresentar mais de cinco sintomas, durante um mês", afirma Gattás.
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Terapia — Estudos já mostraram que a ansiedade durante a infância, se não contornada, pode se transformar em depressão durante a vida adulta. Por isso é necessário prevenir qualquer sintoma, mesmo que ele não seja o suficiente para o diagnóstico da depressão. (Veja como evitar o stress infantil.)
Carla*, de oito anos, começou a ter problemas aos cinco. Em seus desenhos, ela sempre aparecia chorando, enquanto suas amigas sorriam. “Ela é muito preocupada com a imagem que os outros têm dela. Se ela percebe que não corresponde ao que os outros esperam, ela se chateia muito”, diz a arquiteta Patrícia*, mãe de Carla.
“Tentamos conversar com ela, mas ela não revelava o que estava acontecendo. Descobri que as crianças na escola faziam um clubinho e que a Carla era sempre excluída”, diz Patrícia. O problema foi solucionado com a troca de sala. A pediatra de Carla indicou um especialista em saúde mental, para prevenir e ajudar a garota a entender a própria ansiedade. Há três anos, ela faz análise uma vez por semana. “Às vezes, ela me pergunta o que eu acho sobre determinado assunto e eu fico em dúvida sobre o que responder. E ela diz: ‘já sei, vou levar isso pra analista’”, conta a mãe.
Para Gattás, o pediatra deve ser treinado na área de saúde mental para diagnosticar problemas da infância e adolescência. “Ele acompanha a criança durante o crescimento e tem uma importância fundamental na orientação dos pais”, diz. “Se não houver uma mudança na forma como os pais lidam com seus filhos, vamos ver um aumento da frequência dos quadros psiquiátricos, mas transtornos de ansiedade e falta de perspectivas para as novas gerações”, diz Assumpção.
*Os nomes das mães e das crianças utilizados nesta reportagem foram trocados com o objetivo de preservar a privacidade dos personagens

As 'mães tigres' estão certas?

Com criação autoritária, crianças orientais não têm a oportunidade de errar
As filhas de Amy Chua, professora de Direito da Universidade de Yale e descendente de chineses, não podem dormir na casa das amigas ou ter um namorado. Elas também estão proibidas de assistir televisão ou de jogar videogame e sabem que vão receber castigos pesados se tirarem uma nota menor que 10 — a mãe abre uma generosa exceção para ginástica e atuação. Foi isso que escreveu Amy em um controverso artigo intitulado Por que as Mães Chinesas São Superiores publicado no início do ano passado na edição online do Wall Street Journal.
Amy é conhecida como o que se convencionou chamar de 'mães tigres', defensoras de um modelo de criação autoritário e punitivo. Depois do lançamento do livro Grito de Guerra da Mãe Tigre (Editora Intrinseca, tradução de Adalgisa Campos da Silva, 240 páginas, R$ 29,90), Amy participou de programas de TV nos Estados Unidos e foi capa da revista Time, onde defendeu seu modo de criar os filhos.
No livro, ela mostra que o perfeccionismo é regra. Incentivar resultados medíocres e se preocupar com a autoestima dos filhos são comportamentos totalmente fora do padrão de criação linha dura que ela considera ideal. Ela não hesita em chamar sua filha mais velha de "lixo". Amy obriga suas filhas a aprender piano ou violino. Certa vez, ela forçou a filha mais nova, de sete anos, a tocar piano sem intervalos para tomar água ou ir ao banheiro até que ela aprendesse a tocar determinada música.
A crença de que é preciso exigir muito para atingir o máximo do potencial costuma ser mais comum em culturas orientais, mas também pode acontecer entre jamaicanos, irlandeses ou americanos, segundo Amy. A única exigência para se encaixar no perfil de mãe tigre é ser exigente.
Pesquisas já mostraram que estudantes asiáticos que cursam o ensino médio passam mais tempo estudando e fazendo lições de casa do que os jovens de outras culturas. Toda essa cobrança, no entanto, pode apresentar resultados trágicos. A China está entre os dez países com as maiores taxas de suicídio do mundo, com 22 mortes por 100.000 pessoas. Lá, uma pessoa tenta tirar a própria vida a cada dois minutos, segundo dados do governo chinês.
Desiree Baolian Qin, que também é chinesa e professora do Departamento de Estudos do Desenvolvimento Humano e Familiar, da Universidade Estadual do Michigan, realizou um estudo mostrando que as crianças chinesas também precisam ser felizes. A pesquisa, publicada em janeiro deste ano no Journal of Adolescence, foi realizada com 487 estudantes.
Os resultados mostraram que os chineses tinham mais problemas com os pais com assuntos relacionados aos estudos do que os outros. Além disso, os estudantes chineses eram mais depressivos, ansiosos e apresentaram maior taxa de baixa autoestima do que os estudantes ocidentais. Bom para os estudos, o modelo autoritário não é benéfico para a saúde mental das crianças.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/por-que-as-criancas-estao-cada-vez-mais-infelizes

20 de março de 2014

Educando os especialistas- Lição 2: Necessidades

Por Tracy G. Cassels
Tradução de Andréia Mortensen

Um dos mantras pregados por vocês que tentam “salvar o sono dos pais” é que uma criança que tem todas suas necessidades atendidas só chora para te manipular. Vocês afirmam que o choro é um mau comportamento e que precisa ser reprimido– pois você precisa mostrar ao bebê quem é que manda e que seu choro não vai resultar no que ele quer!
Entretando, se lembrarmos da lição número 1:

Educando os especialistas- por que o bebê chora? Razões científicas porque treinamentos de sono não são recomendados


O choro é a única forma de comunicação que bebês novinhos tem, então se o ignorarmos ou tentaremos reprimi-lo simplesmente estaríamos eliminando a única forma da criança nos dizer o que precisa.

Ainda assim vocês dizem aos pais que, contanto que se certifiquem que a fralda está seca, que estão alimentados e quentinhos, que não há mais razões para o choro. Necessidades? Todas atendidas!
Então vocês dão permissão aos pais de deixarem seus bebês chorarem e de ignorá-los (ou de fazer outras coisas estúpidas como ficar no quarto olhando para eles mas sem permissã de tocá-los, de pegá-los no colo).  Mas eu tenho uma pergunta para os tais especialistas que gostaria de uma resposta:  Mesmo que não estejam com fome, ou com frio, ou secos, já se sentiram tristes, ou assustados?  Ou simplesmente sentiram a necessidade de contato humano? 

Se responderam não, vocês estão mentindo, ou são psicopatas.

A razão que nos sentimos assim é que nossas necessidades vão muito além das necessidades fisiológicas e, sem sombra de dúvida, para um bebê, as psicológicas e emocionais podem ser tão importantes como as fisiológicas para sua sobrevivência.

Como vocês chegaram a essa visão tão limitada sobre as “necessidades” dos bebês?

Reconheço que é real que temos necessidades fisiológicas que precisam ser atendidas antes de consideramos as psicológicas e emocionais. Precisamos de água, comida e aquecimento para sobreviver. Mas há mais, e eu consigo admitir que essa visão não é ‘privilégio’ de vocês. Lamentavalmente vocês parecem ter usado mais algumas páginas do manual dos ‘behavioristas’ handbook, para o desespero dos bebês…

Behaviorismo

Por muitos anos a teoria psicológica dominante foi a visão behaviorista liderada por John Watson, B.F. Skinner, e Edward Thorndike.  Como comentado na lição número 1, por causa dos da crença dos behavioristas no condicionamento, o behaviorismo também tem como base a noção de que todos bebês nasceram como uma ‘tábula rasa’ ou papel em branco. Como John Watson afirmou em sua famosa afirmação sobre 12 bebês:


Me dê uma dúzia de bebês saudáveis, nascidos a termo, e me permita criá-los do meu modo, que lhe garanto que posso fazê-los se tornarem qualquer tipo de especialista que eu selecione- medico, advogado, artista, comerciante, e até mendigo e ladrão. Não importam seus talentos, capacidades, vocações e carga genética.[1]

O que isso tem a ver com necessidades?  A base do behaviorismo é que não há algo como a introspecção; estados mentais eram irrelevantes sem comportamento [2], ou, como Skinner alegou, estados mentais eram absolutamente rejeitados [3].  Então, a visão da tábula rasa implica que as capacidades psicológicas dos bebês são diminuídas, se eles podem ser completamente moldados, não há muito com o que começar.

A visão de que a criança aparentemente falha ao demonstrar fenômenos psicológicos foi usada como prova concreta de que elas simplesmente não ocorrem. Se não há estados psicológicos para competir, e somente aprendizado, então as únicas necessidades que os bebês tem são as fisiológicas. (Vale a pena notar que nem todos psicólogos ou até behavioristas acreditavam nisso, mas esse visão se tornou mais proeminente e ganhou atenção das massas). Por isso, e pelo fato de que o condicionamento não trabalha no sentido behaviorista, muitos conselhos sobre educação para os pais derivam dessa visão).

Estados psicológicos dos bebês

Agora sabemos que a idéia de que os bebês não tem estados psicológicos ou emocionais é falsa.  Bebês não tem o meta-conhecimento que a maioria dos adultos tem sobre seus estados psicológicos, mas ambos senso comum e pesquisas científicas demonstraram que bebês sentem estes estados regularmente e que a empatia e resposta dos pais aos bebês tem efeitos que vão além do que se pensa.

Na verdade, até os behavioristas teriam que concordar que bebês experimentam emoções como medo, como demonstrado no experimento realizado por John Watson com o pequeno Albert (discussed na lição 1), em que o bebê foi condicionado a ter meto de ratos [4]. 

Então, se os bebês tem estados emocionais, qual o papel que os pais tem?  Os pais que entendem o ’reflexive self’ (a noção de que podemos ter ciência de eventos mentais, emoções, etc e isso é diferente de SENTIR essas emoções) e usam esse entendimento na maneira que lidam com seus filhos, tem filhos que são tem vínculo mais seguro e que mostram melhor ciência de seus estados mentais mais tarde na vida dos que não tem esse vínculo firme com os pais [5].  Isto é, tratar um bebê sabendo que tem mentais e emocionais, não somente físicos, vai gerar um vínculo maior entre pais e filhos, e ajudará a criança a entender seus proprios estados emocionais no futuro ( isso não deveria ser surpreendente, mas por alguma razão essa não é uma visão comum).

Mais evidências focalizando nos estados psicológicos e mentais dos bebês e na relação com o comportamento de seus pais vem do Paradigma da face imóvel [6].  Veja video sobre isso aqui- http://www.youtube.com/watch?v=apzXGEbZht0
Neste paradigma, pais estão face-a-face com seus bebês, interagindo com eles, quando a mãe para de interagir e mantém uma face imóvel, sem expressar nenhuma emoção, e então após um tempo finalmente re-inicia a interação com o bebê. Durante o comportamente onde sua face está imóvel, os bebês mostram efeitos negatives que aumentam com o tempo, como rejeição, caretas, tenta agarrar a si próprio, e choro (entre outros).  Os motivos da criança mudar seu comportamento tem importância fundamental e há hipóteses com explicações. Uma é que a mãe transgride as expectativas do bebê de comportamento e por isso fica angustiado. Uma segunda hipótese é que a mãe parou de fornecer encorajamentos sensoriais importantes para o bebê conseguir regular seu proprio estado afetivo e social [7]. 


Pesquisas mostram que a segunda interpretação faz mais sentido, já que simplesmente tocar o bebê durante a fase de rosto imóvel reduz o estresse que o bebê tipicamente apresenta [8][9][10].

Então, argumento que nós somos forçados a aceitar a noção de que não somente bebês tem estados psicológicos, mas a maneira com que nós interagimos com nossos filhos afetam esses estados profudamente, positivamente ou negativamente.

Indo além, vamos considerar que tipos de estados psicológicos são relevantes como necessidades. O mais comum é se referir ao estresse infantil como necessidade de conforto, então a maior parte do que iremos discutir se refere a isso.

Entretanto, eu seria negligente se sugerisse que essa necessidade é a única. Bebês precisam de estímulos sociais em qualquer estado emotivo, como o paradigma da face imóvel sugere; esses bebês estão felizes enquanto há interação e então tentam muito angariar a atenção de seu cuidador para retornar a este estado de social interação.

Interessantemente, neste paradigma, mesmo após a volta da interação da mãe com o bebê, o padrão de excitação do bebê são estranhos– enquanto que o afeto positivo volta rapidamente, o afeto negativo não desaparece por um bom tempo, com aumento do choro por causa do evento negativo breve [11].  Este aspect provará ser mais importante na outra lição, mas isso demostra que a necessidade de reduzir o afeto negative no bebê podedemorar- não é uma resposta instantânea.

Quais são as necessidades humanas?       
                                                            
Mesmo durante o reino do behaviorismo na psicologia, a teoria do desenvolvimento humano estava sendo formada, o que teria um longo alcance. Abraham Maslow, pensando nas linhas de Freud e Erickson, desenvolveu um estudo sobre estágios do desenvolvimento psicológico humano.  Uma informação interessante e relevante é que seu foco foi no estudo das necessidades humanas. A Hierarquia das Necessidades de Maslow enfatizou a visão de que, como humanos, temos níveis de necessidades e que somente quando um nível de necessidades é satisfeito podemos ter o ímpeto de satisfazer a próxima [12][13].  Geralmente interpretada na forma de pirâmide, os níveis são os seguintes (começando da última no fundo, ou da mais básica, até o topo):



a)      Fisiológicas: respirar, comida, água, sexo, excreção, homeostase

b)      Segurança: segurança pessoal e financeira, seguro saúde, doença e para acidentes

c)       Amor e Relações afetivas: relações primárias na vida (família, amigos, romance)– note que na infância essa necessidade pode vir ANTES do item b, segurança.

 d)      Estima: respeito, aceitação e valorização dos outros

e)      Auto-realização: compreender e cumprir um potencial pleno na vida


As primeiras 4 necessidades são referidas como necessidades de deficiência, porque são, na visão de Maslow, necessárias. Enquanto que a primeira é necessária para a simples sobrevivência do organismo, a segunda, terceira e quarta são também necessárias e Maslow argumenta que, sem elas, indivíduos se sentiriam psicologicamente privados (o que inclue tensão, ansiedade, depressão). Outros pesquisadores testaram essa teoria e confirmaram os resultados, sugerindo que nosso bem-estar está intrinsicamente ligado a nossa capacidade de suprir essas necessidades [14].

Sim, é verdade que existiram críticas a hierarquia de Maslow[15], mas não houve críticas que sugeriram que essas necessidades NÃO eram necessidades mesmo. Por exemplo, houve críticas sobre a natureza da hierarquia, alguns sugeriram que não havia necessidade de hierarquia para representar essas necessidades, enquanto que outros sugeriram que a hierarquia é dependente do contexto cultural (e então a terceira necessidade- amor e relações afetivas- seria mais superior em culturas de coletivismo).  Mas seria muito difícil achar um indivíduo hoje que assuma que humanos, até bebês, não tem necessidades que não as físicas.

Espero que a este estágio vocês já aceitaram que as necessidades psicológicas e emocionais são reais e acontecem no mundo todo. Que assumir que somente o primeiro nível de necessidades fisiológicas tem importância quando se trata de bebês é ignorar todas as pesquisas científicas (e senso comum) que demostra que há muito mais no bem-estar do que simplesmente estar alimentado, seco e não ter dor física.

 Importância das necessidades Fisiológicas e Emocionais

Assumindo que nós estamos de acordo com necessidades psicológicas não são as únicas, a próxima questão é discutir o que acontece quando essas necessidades psicológicas e emocionais não são atendidas?  Aqui vou descrever 4 áreas de pesquisa que ajudam a demonstrar as consequências muito reais de ignorar as necessidades psicológicas e emocionais de nossos bebês.



a)      Crianças em orfanatos no início para a metade do século 20. 
Nossos melhores entendimentos dos efeitos de privação das necessidades emocionais e psicológicas vêm de estudos de indivíduos que cresceram em ambientes em tais ambientes e comparando-se com outros que tiveram suas necessidades atendidas. Isto é difícil de fazer, já que não se pode forçar uma criança numa situação que lhe prejudicará, mas, infelizmente, há situações que existiram que permitiram que esse tipo de pesquisa fosse feita. Por muitos anos, bebês colocados em cuidados institucionalizados, foram cuidados da maneira mais básica– eles eram segurados para se alimentarem, então trocados, e alguns tinham alguns móbiles para olhar– mas raramente eles eram estimulados socialmente e certamente não tinham suas necessidades de conforto emocional atendidas. Eles choravam e eram deixados chorando sem consolo em parte por causa da crença de que somente suas necessidades físicas tinham que ser atendidas.

Mas algo estranho estava acontecendo… bebês estavam falecendo. Na primeira parte do século 20, foram relatados que perto de 90% de bebês em orfanatos estavam morrendo, e os 10% que sobreviviam estavam recebendo algum tipo de cuidado de fomento (pais ‘foster’)[16].  Crianças que não morreram em orfanatos mostraram disfunções psicosociais (isto é, problemas de saúde mental) em estudos feitos na metade do século 20, além de estresse e doenças crônicas [17].  Notavelmente, tão logo que os orfanatos providenciaram conforto como parte dos cuidados básicos para os bebês, as taxas de mortalidade e morbidade diminuiram dramaticamente [18].

b)      Relatório de John Bowlby sobre ‘Cuidados maternos e saúde mental’ [19]
No final da Segunda Guerra Mundial, a OMS se mostrou extremamente preocupada com o que se mostrou ser resultados negativos da guerra nas crianças do leste europeu. Devido as trabalhos acadêmicos e clínicos de Bowlby nas crianças com problemas e efeitos das institucionalizações no desenvolvimento (que ele descobriu serem problemas mentais associados com a falta de necessidades emocionais e psicológicas atendidas), ele foi contratado para escrever um relatório sobre Saúde Mental das crianças sem teto e orfãs do Leste Europeu.

Nesse relatório foi incluído que crianças precisam de uma relação íntima e segura, econtínua com sua mãe ou uma mãe substituta, e que a falta desse tipo de relacionamento  pode ter consequências sérias e irreversíveis para sua saúde mental.

Ele notou que as necessidades sociais não são secundárias as necessidades físicas, mas que são igualmente primárias. Bowlby foi um dos primeiros a argumentar que o relacionamento pela alimentação não era a maneira primária que a mãe afetava o bem-estar de seu bebê, mas sim a intimidade entre ela e seu bebê ao oferecê-la conforto eramais importante!

A monografia, que foi altamente criticada na época, porque muitas pessoas argumentaram quye uma relação forte entre pai e filho não era necessária para o bem estar da criança ou que o amor maternal não era necessário. A parte da alimentação, entretanto, foi a mais criticada na época, já que muitas pessoas acreditavam que só por atender uma necessidade física da criança já se estabeleceria um vínculo entre pai e filho, ou que contanto que a criança estivesse alimentada, não importava o que mais acontecesse.

Mais pesquisas, includindo os trabalhos de Bowlby e Ainsworth a na teoria do apego, iriam silenciar muitas dessas críticas (embora é óbvio que não todas!), e hoje não há dúvida que falta de uma relação entre pai e filho ou falta de amor maternal e paternal resulta em deficiências de saúde mental.


c)       Uma criança de 2 anos vai para o Hospital.
Em 1953, James Robertson produziu um documentário sobre o que acontece com uma criança que tem que ir ao hospital e portanto sofre com separação maternal. Esse é um filme que quebra o coração que é agora mostrado em quase todos cursos sobre Psicologia do desenvolvimento. A motivação de fazer esse filme foi que, na época, a visitação de crianças em hospitais era muito limitada, e durante seu trabalho como psicoanalista ele observou o comportamento das crianças após a separação. Os médicos que tratavam os problemas psicológicos observaram crianças novas (Robertson focalizou nas crianças menores de 3 anos) protestarem no início, mas também observaram que logo, logo, elas se tornavam obedientes e quietas (parece familiar, especialistas?).  O que Robertson observou após anos de estudo das crianças de uma perspective psicológica foram 3 fases de resposta: Protesto, desespero, então Negação/ Desapego[20].

O filme foi feito para mostrar evidências desse trauma e é centralizado na menina Laura, de 2 anos de idade, que vai para o hospital para uma pequena operação, mas tem que ficar 8 dias no hospital. Se você conseguir achar o filme e conseguir assistí-lo (pois você VAI chorar), você testemunhará uma criança que é muito nova para entender a ausência de sua mãe e que chora e chora por ela regularmente, mas que é forçada a encarar essa experiência muito assustadora e dolorosa, por conta própria. Ela finalmente se aquieta e “se ajusta” como os medicos dizem, mas uma vez que sua mãe retorna, o que vemos é uma Laura desajustada. Ela permanece distante, mesmo de sua mãe, mostrando sinais de ter sofrido um trauma massivo. Não há nenhum seguimento da vida de Laura, mas o filme é a razão porque muitos hospitais mudaram suas regras de visitação/permanência de parentes de crianças. 

Análises mais profundas das afirmações de Robertson demonstraram que era verdade que as mudanças nas políticas hospitalares eram absolutamente necessárias.

d)      Os macacos de Harry Harlow. 
Por causa do trabalho de John Bowlby e o filme de Robertson e a perda de cuidados maternais, Harlow decidiu estudar mais a fundo quais elementos cruciais das mães que estava dando resultados tão negativos relatados por Bowlby e Robertson.  Em estudos que jamais passariam nos comitês de ética atualmente, Dr. Harlow estava motivado a descobrir qual o peso relativo do elemento ‘comida’ e do elemento ‘conforto’ maternais.



Para fazer isso, Harlow separou macacos bebês de suas mães no nascimento e colocou-os com 2 tipos de mães substitutas. No experimento mais marcante uma mãe era de ferro e tinha comida para o macaquinho, enquanto que a outra era de pano e foi projetada para dar alguma forma de conforto ao macaquinho. Muitas pessoas acharam que o macaquinho passaria a maior parte do tempo com a mãe de ferro que dava comida, mas exatamente o oposto aconteceu!

Os macaquinhos iam a mãe de ferro quando estavam com fome, mas passavam a maior parte do tempo com a mãe de pano. E quando alguma coisa negativa ou assustadora acontecia, eles se agarravam as mães de pano para se protegerem e se confortarem. Quando os macaquinhos foram transferidos a novos ambientes com sua mãe de pano, eles usavam-a como base de exploração. Se não havia nenhuma mãe presente (de ferro ou pano), os macaquinhos se tornavam irregulars, erráticos, perturbados e violentos. Eles mostravam medo do ambiente e não tinham base segura para explorar; e somente o que a mãe de pano lhes ofereceu deu-lhes a fundação psicológica.
Em resumo, apesar de terem suas necessidades fisiológicas imediatamente satisfeitas com a mãe de ferro, somente a mãe que lhe deu conforto (embora não satisfatório) é que lhe providenciou o conforto psicológico necessário para que os macacos lidassem com novas situações.

Essas pesquisas então demonstraram que falhar ao  atender as necessidades psicológicas e emocionais dos bebês resulta em déficits sociais dramáticos, problemas físicos mais tarde na vida, e até a morte.
Eu sei que a maioria de vocês diria que hoje em dia esses pais que seguem conselhos de seus livros não estão passando por circunstâncias extremas. E vocês estão certos.


Mas, ao saber o que acontece em casos extermos, podemos ser capazes de entender alguns dos efeitos mais sutis que podem acontecer de uso moderado desses comportamentos. É importante lembrar que esses efeitos não acontecem numa escala móvel- não é TUDO ou NADA – e que efeitos de negligências regulares de alguns dos elementos psicológicos e emocionais terão efeitos a longo prazo e de longo alcance nas crianças.


Resumindo … apesar das melhores tentativas dos behavioristas de nos fazer acreditar que os bebês são realmente tábulas rasas sem estados psicológicos,  sabemos que isso não é verdadeiro. Bebês podem não ter uma consciência complete dos seus estados interiores, mas eles sentem e experienciam o mundo socialmente e estes estados são sem dúvida tão importantes como seus estados físicos. Pesquisas mostraram que falhar ao atender essas necessidades psicológicas e emocionais pode levar a deficiências mentais severas, doenças e até morte.

Portanto, são ridículos e prejudiciais aos bebês conselhos que insinuam que todas necessidades do bebê estão atendidas porque a fralda está trocada e estão alimentados.

Então o que podemos fazer?  Bem, isso será discutido na lição número 3, com enfoque na importância do toque.


Educando os especialistas- Lição 3: O Toque
https://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/educando-os-especialistas-li%C3%A7%C3%A3o-n%C3%BAmero-3-o-toque/276783332346083


[1] Watson JB. Behaviorism (1930).  Chicago: University of Chicago Press. Pp 82.
[2] Watson JB. Psychology as the behaviorist views it. Psychological Review (1913); 20: 158-177.
[3] Skinner BF. About Behaviourism (1974). Cape.
[4] Watson JB & Rayner R. Conditioned emotional reactions. Journal of Experimental Psychology (1920); 3: 1-14.
[5] Fogany P, Steele M, Steele H, Moran GS, & Higgitt AC. The capacity for understanding mental states: The reflective self in parent and child and its significance for security of attachment. Infant Mental Health Journal (1991); 12: 201-218.
[6] Tronick EZ. Emotions and emotional communication in infants. American Psychologist(1989); 44: 112-126.
[7] Stack DM & Muir DW. Tactile stimulation as a component of social interchange: New interpretations of the still-face effect. British Journal of Developmental Psychology (1990); 8: 131-145.
[8] Gusella JL, Muir DW, & Tronick EZ. The effect of manipulating maternal behaviour and interaction in three- and six-month-olds’ affect and attention. Child Development (1988); 59: 1111-1124.
[9] Stack DM & Muir DW. Adult tactile stimulation during face-to-face interactions modulates five-month-olds’ affect and attention. Child Development (1992); 63: 1509-1525.
[10] Stack & Muir (1990).
[11] Weinberg MK & Tronick EZ. Infant affective reactions to the resumption of maternal interaction after the still-face. Child Development (1996); 67: 905-914.
[12] Maslow AH. A theory of human motivation. Psychological Review (1943); 50: 370-396.
[13] Maslow AH. Motivation and Personality (1954).  New York: Harper.
[14] Hagerty MR. Testing Maslow’s hierarchy of needs: National quality-of-life across time.Social Indicators Research (1999); 46: 249-271.
[15] Gratton LC. Analysis of Maslow’s need hierarchy with three social class groups. Social Indicators Research (1980); 7: 463-476.
[16] Montague A & Matson F. The Human Connection (1979). New York: McGraw-Hill.
[17] Sigal JJ, Perry JC, Rossignol M, & Ouimet MC. Unwanted infants: Psychological and physical consequences of inadequate orphanage care 50 years later. American Journal of Orthopsychiatry (2003); 73: 3-12.
[18] Montague & Matson (1979).
[19] Bowlby J. Maternal care and mental health. World Health Organization (1951).
[20] Robertson J. Some responses of young children to loss of maternal care. Nursing Times (1953); 49: 382-386.

17 de março de 2014

CHANTAGEM INFANTIL



Por Silvana Freygang - Psicanalista

Thaís, de 5 anos, só termina a lição depois de ouvir da mãe a promessa de que, com a tarefa concluída, ganhará um belo presente. Marcos, de 4 anos, não come enquanto não vê a sua recompensa, um gostoso chocolate. Paula, de 6 anos, ameaça só arrumar o quarto se puder dormir na casa da amiguinha. Quem nunca viu uma destas cenas?

Para desespero dos pais é comum as crianças tentarem negociar coisas como doces, balas, brinquedos ou mesmo a ida à casa dos amigos e ao clube em troca de obrigações como escovar os dentes, fazer a lição de casa, arrumar o quarto, etc. Outras vão mais longe. Usam e abusam da manha e da birra como um artifício para conseguir o que querem. Choram e batem o pé toda vez que a mãe está pronta para sair de casa ou se atiram no chão quando desejam "aquele" brinquedo.

Desde que começam a juntar as primeiras palavras, por volta dos 2 anos, aprendem que a chantagem pode ser uma arma, às vezes, muito eficaz. O aprendizado começa dentro de casa, com os pais. Chantagens como "se você comer tudo a mamãe vai lhe dar um chocolate depois do jantar" ou "se você terminar a lição pode ir à casa do seu amigo" são tão freqüentes quanto o inverso, quando a criança pergunta à mãe se ela comer tudo ganhará o chocolate ou se terminar a lição poderá ir à casa do amiguinho.

Pais chantagistas, filhos chantagistas. Por isso, o primeiro passo para desarmar uma criança chantagista é a auto-análise dos pais. Eles devem se perguntar : "Como eu lido com os limites?" Afinal, a chantagem nada mais é do que uma tentativa de burlar a regra, uma dificuldade de aceitar as normas ou de se deparar com a falta de algo ou de alguém.

Se os pais não souberem aceitar seus próprios limites, dificilmente conseguirão passá-los para os filhos. Muitos deles têm dificuldade de encarar suas frustrações e, por isso mesmo, não agüentam ver os filhos sofrerem, porque querem um brinquedo novo. Perdem de vista que vai ser melhor para a criança dizer um não com amor, carinho e firmeza do que deixar que ela faça o que quer.

Como começa? Geralmente, o caminho que leva à chantagem é longo. Começa com uma ou mais tentativas da criança de negociar uma "lei" dentro de casa. Se ela vê que os pais responderam à tentativa com um não duvidoso, insiste e, como último recurso, chantageia.

Os pais, com freqüência, caem na armadilha. Alguns acham que é mais fácil aceitar o acordo do que agüentar a manha, a birra ou o mau humor deles. Outros amenizam a culpa que sentem satisfazendo todas as suas vontades. Independentemente do motivo, o engano pode custar caro.

Criança chantagista pede sem parar, não sabe o que quer e nunca está satisfeita. As conseqüências que isso tem na vida adulta são muitas : dificuldades de se adaptar a leis, a regras e a valores da sociedade e até de convivência com as pessoas. Afinal, agüentar um chantagista é uma tarefa difícil.Chantagem não pode virar regra. É claro que há tipos e tipos de chantagens. E nem todas chegam a causar danos tão sérios para a criança. Tudo vai depender da intensidade, do jeito que ela é feita e do tipo de relacionamento que a mãe tem com o filho.

De um modo geral, quando a chantagem vira regra e serve para explicar por que a criança tem que fazer algo é um mau sinal. Por exemplo, seu filho precisa comer para viver e não porque vai ganhar um chocolate. Ele deve escovar os dentes para que eles não tenham cárie e não por que vai poder ir à casa do amiguinho. É isso que os pais têm que deixar claro para a criança. Se usarem a chantagem o tempo todo e prometerem um chocolate cada vez que a criança comer, não vão estar ensinando que ela precisa se alimentar porque isso é importante para a vida dela.

É claro que se um dia a mãe fala : "Eu vou dar um chocolate se você comer tudo", não vai estar causando nenhum problema muito grave para a criança. O que não convém é deixar isso acontecer sempre, de tal forma que a criança só come se a mãe lhe der chocolate. Ou o contrário. A mãe oferecer um chocolate cada vez que a criança comer tudo. A chantagem torna-se, então, um vício e a relação passa a ser feita na base da troca e da recompensa.

 O que fazer para escapar? Muitos pais só percebem o problema quando a criança já foi longe demais e só se relaciona com as pessoas por meio da chantagem. Corrigir isso implica mudar de atitude. Os pais devem deixar muito claro os limites e parar para analisar em que situações estão tendo dificuldades de dizer não. A criança tem que perceber que daí para frente a vida vai mudar. Não vai mais ganhar um chocolate para terminar o jantar ou um brinquedo para arrumar o quarto.No começo, ela vai brigar e os pais vão ter de ser firmes. A única maneira de vencer esse conflito é compreender que colocar limite é a solução.

9 de março de 2014



Em geral, nós não precisamos de nenhuma orientação para interpretar o que o nosso bebê sente. No entanto, às vezes aparecem alguns bloqueios: "O que vai acontecer? ". É a nossa própria emoção, nosso medo ou insegurança, que nos impede de conectar-se com ele. Que tal conhecermos um pouquinho das expressões particular de cada emoção?

O recém-nascido experimenta duas emoções básicas: prazer ou desconforto. A partir deles, e a relação que ele tem com a gente, se constroem um sistema mais complexo de emoções.

Os gestos com os quais expressamos nossas emoções são inatos . Charles Darwin sugeriu no início do século XX e foi confirmado por numerosos estudos, sinais que indicam que estamos felizes ou tristes, sentindo surpresa ou dor, são universais.

As expressões de nosso bebê , especialmente nos tocam. Quando sorrimos acende seu rosto, quando ele acorda com aquele rostinho cheio de energia, mas na dúvida quando chora aceleram nosso coração e quando seu olhar repousante da noite chega, nos invadem de paz. Seus pequenos gestos, no entanto universal que são, são exclusivos para nós e certamente fazem uma diferença muito grande em nossas vidas.

A reação dos adultos aos gestos do bebê é universal

Acontece que a nossa resposta a expressões faciais dos bebês é universal, ou biológico, se preferir. está gravado nas profundezas de nosso cérebro, como ficou demonstrado, recentemente, em um estudo realizado por especialistas da Alemanha, Itália, Japão e Estados EUA.

Os pesquisadores mostraram a um grupo de pessoas rostos de bebês, adultos, animais jovens e animais adultos. Os rostos dos bebês geraram atividade em regiões do cérebro envolvidos no vínculo de cuidados e nos circuítos de recompensa, apesar de os participantes não os reconhece-los. Se uma criança muda seu comportamento para um rosto desconhecido, imaginemos então o que aconteceria com os seus pais ?

Seu rosto não os deixam indiferentes, é essencial para o seu pequeno. Explica o profissional psicoterapeuta Sue Gerhardt em seu livro O amor materno , "se os pais respondem com presteza ao seu bebê o bom humor é estabelecido sem demora e, nesse sentido, de bem-estar, muitos sentimentos podem surgir." E se surgem os sentimentos, podem evoluir: "O estado básico se modifica contrariamente se vários sentimentos, tais como irritação, decepção, raiva ...", diz ele.

Suas expressões evoluem em contato com a mãe e o pai

Aos poucos, seu bebê está vai se desenvolvendo de forma cada vez mais complexa no campo das emoções e seu rosto e corpo revelam esse fato.As emoções variantes desde o nascimento com satisfação ou desespero, mostram em seu rosto refinadamente, refletindo o interesse, alegria, tristeza, raiva, medo, dor . De nós o pequeno espera alívio, conforto, brincadeiras, carinho, amor ...

Quando responder adequadamente às suas emoções, o bebê constrói um sistema saudável de resposta emocional às ameaças e oportunidades que a vida apresenta. Mas, para isso, devemos interpretar a emoção adequadamente.

Mais eficaz e relaxante, no entanto, é confiar que podemos entender o que o nosso filho repassa para nós, pois temos o famoso livro de instruções, basta ir buscá-lo dentro de si.


Fonte: Vida Prematura