30 de julho de 2015

Doulas – Quem são essas mulheres?

maylu-souza
Maylu Souza
Enfermeira Especialista em Obstetrícia e em Saúde Pública

Psicanalista em Formação
Graduanda em Psicologia.
Mesmo com a crescente divulgação e incentivo ao parto humanizado, muitas pessoas ainda desconhecem a função dessas profissionais: As doulas são mulheres que atuam com o intuito de promover o bem-estar emocional e físico durante todo o ciclo gravídico-puerperal.
A palavra Doula vem do grego e significa "mulher que serve". Na antiguidade, as doulas foram as mulheres que estiverem prestando apoio no parto que ocorria de forma natural e domiciliar, sendo realizado por uma parteira. Doula e parteira não são a mesma coisa! Enquanto a parteira "pegava o bebê", a doula estava ao lado da mãe para apoiá-la. Essas mulheres não possuíam naquela época formação teórica, mas sim uma ampla experiência prática.
Na atualidade, a palavra aplica-se às profissionais que atuam fornecendo suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto (seja este natural ou até mesmo a cirurgia cesariana). As doulas agora possuem a experiência em conjunto com a teoria, reforçada por evidências científicas, fazem cursos específicos de formação, participam de palestras, pesquisas e seminários.
Para se tornar uma doula, é necessário que a mulher possua primeiramente a vocação pela área de saúde materna e infantil e que faça um curso de formação teórico-prático presencial fornecido por um órgão oficial (Ando – Associação Nacional de Doulas ou Gama – Grupo de Apoio a Maternidade Ativa, por exemplo). Após essa formação, a doula poderá atuar de forma autônoma.
Existe também a possibilidade de atuar como doula voluntária em hospitais que possuam programa de doulas, através de uma seleção e treinamento realizados pela própria instituição. Aqui no município de Itabuna, temos o Hospital Manoel Novaes que possui o título "Amigo da Criança" e realiza o projeto Doulas Acadêmicas, destinado a estudantes da área de saúde que desejem viver essa experiência.
A Maternidade Ester Gomes também já realizou um programa de doulas voltado a estudantes da área de enfermagem. Em todo país muitos outros hospitais possuem esses projetos, em outros países as doulas já fazem parte habitualmente da equipe de saúde. 
À medida em que o parto foi deixando de ocorrer no ambiente domiciliar e foi passou para dentro do ambiente hospitalar devido a maior quantidade de recursos e instrumentos, as figuras da doula e da parteira ficaram mais esquecidas no imaginário popular, mas com a necessidade do resgate do parto humanizado, um parto normal com a realização de intervenções que sejam apenas as necessárias, a doula então chegou ao modelo hospitalar para ficar ao lado da parturiente, fornecendo o apoio emocional necessário durante esse momento tão íntimo e delicado para a mulher.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde apoiam a presença das doulas em hospitais, pois estudos comprovam que os partos acompanhados por elas são menos agressivos, mais tranquilos, com menos dor e proporcionam um maior fortalecimento da relação afetiva entre mãe e filho. Abaixo acrescento algumas informações importantes que obtive no site Doulas do Brasil:
O que a doula faz?
Antes do parto - ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto - a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..
Após o parto - ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.
A doula e o pai ou acompanhante
A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai, muitas vezes, não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente, o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.
O que a doula não faz?
A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
Vantagens
As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
• Diminuir em 50% as taxas de cesárea
• Diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
• Diminuir em 60% os pedidos de anestesia
• Diminuir em 40% o uso da oxitocina
• Diminuir em 40% o uso de fórceps.
6 semanas após o parto, mulheres que tiveram doulas:
• Menos ansiosa e depressiva;
• Mais confiante com seu bebê;
• Mais satisfeita com seu parceiro
• Maior sucesso na amamentação;
Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.
Maylu Souza é enfermeira especialista em Obstetrícia e Saúde Pública, Psicanalista em Formação, Graduanda em Psicologia e já atuou como Doula Voluntária no Hospital Manoel Novaes.

Cama Compartilhada



A melhor resposta que encontrei para fundamentar a minha decisão foi dada pelo Dr. James J. McKenna.

"Para o humano recém-nascido, o ambiente de sono solitário representa uma crise neurobiológica, pois esse microambiente é ecologicamente incapaz de atender às necessidades fundamentais dos bebês humanos. De fato, dormir sozinho em um quarto e não ser amamentado hoje são reconhecidos como fatores independentes de risco para a SMSI (síndrome de morte súbita infantil). Quando feito de modo seguro, a partilha da cama deixa mães (e pais!) e seus bebês felizes e exerce efeitos positivos sobre o desenvolvimento das crianças em crescimento. As mães não devem ser estigmatizadas ou vistas como irresponsáveis por compartilharem sua cama com seu bebê. Na realidade, 90% dos seres humanos dormem com seus bebês, de alguma forma ou outra."

Portanto, faça o que funciona bem para sua família e confie em você mesmo, que conheceu seu filho melhor que qualquer especialista externo. É você quem passa o maior tempo com seu bebê, e cada bebê é diferente. Recém-nascidos, crianças e seus pais interagem de todos os tipos de maneiras diversas.

Não existe um modelo a ser seguido por qualquer relacionamento que desenvolvemos. Com relação aos padrões de sono, muitas famílias desenvolvem conceitos muito flexíveis sobre onde seu bebê "deve" dormir. Os pais com ideias menos rígidas sobre como e onde seus bebês devem dormir geralmente são bem mais felizes e têm menos tendência a se decepcionar quando seus filhos não conseguem se comportar como "deveriam" -por exemplo, dormir a noite toda sem acordar.