27 de fevereiro de 2011

Ser boa mãe representa grande cobrança para mulheres


É possível tornar a maternidade algo menos culposo

Com frequência, sou procurada por mulheres grávidas que manifestam o desejo de tornarem-se boas mães. Quando lhes pergunto o que significa para elas, especificamente, ser uma "boa mãe" é comum ouvir: é ser a mãe que está sempre pronta, que ama incondicionalmente, que protege, que é incansável, imaculada, santa.

E, mesmo quando as respostas são menos idealizadas, me deparo com a angústia e o vazio. O termo "boa mãe" representa uma cobrança muito grande para a mulher.

A boa mãe, aquela ideal, que habita nosso imaginário, nem sempre é a mãe possível. A suposta mãe ideal é criada pela cultura que vivemos, está situada em um tempo e um espaço, dentro de um contexto sociocultural específico.

Alguém duvida que ser uma boa mãe no Brasil é diferente de ser uma boa mãe no Afeganistão? Em contrapartida, cada mulher tem vivências individualizadas e personalidades próprias, que fazem parte de sua história de vida.

E é aí que os conflitos começam: adequar cada mulher a um modelo genérico. 
É preciso deixar um pouco de lado as cobranças e refletir sobre o que realmente necessitamos como mulher e como mãe. Veja que digo "necessitamos", ou seja, olhar para dentro, olhar para si, confrontar necessidades com ideais impostos pela sociedade em que vivemos.

A mãe na sociedade
A "boa mãe", aquela cultuada pela sociedade, a que tem que amar, a que tem que sofrer, a que tem que dar conta, a que tem que... a que tem que.... a que tem que... São tantos "tem que" que pode não sobrar espaço para, de fato, "ser" mãe.

Vivemos em uma sociedade capitalista, de consumo, que soma aos tantos "tem que", já citados, o "ter". Mais uma cobrança que recai sobre os ombros da mulher moderna: "tem que ter".

Além de suprir as necessidades básicas de seus filhos, a mulher tem que suprir as necessidades supérfluas, também ditadas pela sociedade na qual vive: tem que ter o carrinho- mega-super-de-último-modelo-caríssimo e por aí vai... E onde fica o "ser"?

Ser mãe com serenidade, com falhas (por que não?), com menos cobrança, com mais prazer? A verdadeira "boa mãe" é aquela que se respeita, também, é aquela que se aceita, com suas qualidades e defeitos (quem não os tem?), que se permite pedir ajuda quando está se sentindo cansada ou se depara com uma situação difícil, que se permite amar o filho pelo que ele é, que recebe o filho nos braços e, aos poucos, vai conhecendo essa nova pessoa que veio ao mundo (também com defeitos e qualidades!). 

Mãe e filho
A relação mãe-filho torna-se muito mais prazerosa e satisfatória quando os dois podem apenas "ser" o que são. Partilhando emoções, momentos bons e ruins, sem medo, sem máscaras, com uma intimidade real que só as pessoas que se deixam mostrar por inteiro podem desfrutar.

Certa vez, em um grupo de mães, sugeri que elas fizessem com os filhos algo que fosse prazeroso. Sugeri que em uma noite daquela semana toda a família acampasse na sala para dormir.

Que armassem barracas com lençóis, assistissem um filme divertido juntos, todos deitados no chão, comendo pipoca, chocolate, enfim, desfrutassem o momento em família.

A primeira reação das mães à proposta foi: "mas, e aí, as crianças não vão escovar os dentes depois do chocolate? Mas vai dormir todo mundo junto mesmo?"

Ou seja, a cobrança se apresentou, firme e forte. Eu não falei mais nada, somente repeti que desfrutassem o momento e observassem suas sensações.

As mães que conseguiram se livrar das cobranças relataram que há muito tempo não se sentiam tão bem, tão leves, alegres. Até disseram que seus filhos ficaram mais calmos e que pediram para repetir a brincadeira.

É óbvio que cuidar de filhos requer um equilíbrio entre afeto e limite, ou seja, nem só afeto, nem só limite. Portanto, ser boa mãe pode ser muito mais tranquilo quando encaramos a maternidade como um encontro entre duas pessoas diferentes: mãe e filho!

Obrigada pela leitura deste artigo, que é o primeiro que escrevo para este site. Meu objetivo como mãe, psicóloga e uma pessoa apaixonada pela maternidade é trazer reflexões que levem mulheres a vivências mais felizes.

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Recado do Recém Nascido

Música Brasil Sem Aborto - Nando Cordel

24 de fevereiro de 2011

Brasileiras sofrem maus-tratos durante o parto

Pesquisa divulgada pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc mostra que uma em cada quatro mulheres afirma ter sofrido maus-tratos durante o parto.

Os dados dizem respeito tanto em hospitais públicos quanto em privados e foram colhidos de 25 unidades em 176 municípios espalhados pelo Brasil durante o mês de agosto do ano passado.

Ao menos 23% das entrevistas ouviram frases humilhantes, como "Não chora não que ano que vem você está aqui de novo" (15%) ou, "Na hora de fazer não chorou. Não chamou a mamãe, por que está chorando agora?" (14%), ou ainda "Se ficar gritando, vai fazer mal para o seu neném. Seu neném vai nascer surdo". Cerca de 25% das mulheres também reclamaram de terem sofrido algum tipo de violência durante o atendimento.







As queixas mais comuns são:

- Fez exame de toque de forma dolorosa (10%);

- Negativas ou não oferecimento de algum tipo de alívio para a dor (10%);

- Ouviram gritos (9%);

- Não receberam informações sobre algum procedimento (9%);

- Tiveram atendimento negado (8%);

- Ouviram xingamentos ou foram humilhadas (7%).


 
A margem de erro da pesquisa é de dois a quatro pontos percentuais.

Fonte: Folha de S.Paulo
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Sorveteria inglesa cria sorvete feito com leite materno

Uma sorveteria em Londres, na Inglaterra, criou um sorvete feito com leite materno. O estabelecimento paga 15 libras por cerca de 300 ml de leite. O sorvete ganhou o apelido de "Baby Gaga". O fundador da sorveteria "Icecreamists", Matt O'Connor, destacou que a novidade será vendida a 14 libras.


23 de fevereiro de 2011

Bebês nasceram para dançar!

Eles mal começam a dar os primeiros passos e já ficam empolgados com diferentes sons. Quem já não notou como os bebês gostam de música? 
 
Um estudo realizado na Universidade de York, na Inglaterra, analisou bebês entre cinco meses e dois anos de idade e detectou que os pequenos podem nascer com uma predisposição para se mover ritmicamente em resposta à música. 
 
Os bebês escutaram vários estilos musicais e seus movimentos foram registrados em vídeo e em tecnologia 3D. 

Fonte: http://modaebemestargestante.blogspot.com/2011/02/bebes-nasceram-para-dancar.html
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20 de fevereiro de 2011

Gases em Bebês

Tanto os bebês como os adultos podem ter gases no estômago ou no intestino (sobretudo no intestino grosso). Mas são duas questões completamente diferentes.

O gás encontrado no estômago é ar, ar normal e corrente que o indivíduo engoliu (é o que os médicos chamam aerofagia, engolir ar). Os bebês podem engolir ar ao se alimentar, ou ao chorar, também quando chupam dedo ou chupeta.
O gás que está no intestino é diferente, basta cheirá-lo para perceber. Contém nitrogênio do ar deglutido (o oxigênio foi absorvido pelo tubo digestivo) e gases que são produzidos no próprio intestino pela digestão de certos alimentos e que dão seu odor característico.
Quando um bebê engole muito ar, seria possível que soltasse muito “pum”, porém é mais fácil que o excesso saia por cima, com arrotos. Um excesso de gases no intestino é mais provável que seja proveniente da digestão que do ar deglutido.

Quando o bebê não mama corretamente, porque está com a pega errada ou tem outra dificuldade, é possível que tome muita lactose e pouca gordura e a sobrecarga de lactose pode produzir um excesso de gases. Além disso, por estar com a pega errada, é provável que engula ar enquanto mama. Mas nem a pega incorreta é a principal causa dos gases, nem os gases são o principal sintoma da pega incorreta.
Os gases em excesso no intestino só podem ser eliminados sob a forma de “pum” . Por sorte, não podem fazer o caminho inverso e sair pela boca.
 
É mais fácil eliminar o ar do estômago (quer dizer, arrotar) em posição vertical que em posição horizontal. Como nossos antepassados estavam sempre no colo de suas mães, em posição mais ou menos vertical, não deviam ter muito problema. No século passado o uso das mamadeiras e dos berços ficou generalizado. Com a mamadeira, o bebê pode engolir muito ar, e no berço é difícil soltá-lo; por isso parecia importante colocar o bebê para arrotar antes de colocá-lo no berço.
Contudo, não parece que os gases incomodam os bebês, salvo em casos extremos. Muita gente pensa que a principal causa do choro em bebês pequenos seja os gases; e muitos dos medicamentos que ao longo do tempo se tem recomendado para a cólica do lactente se supunha que ajudavam a expulsá-los (esse é o significado da palavra carminativo), ou para evitar a formação de bolhas (nunca entendi o porquê, mas sim, algumas gotas para cólicas são antiespumantes).
 
Nem todos estão de acordo com a causa das cólicas (mais adiante explicarei minha teoria favorita), mas parece que não restam mais defensores sérios da teoria dos gases. Há muitos anos, quando não se sabia que o excesso de raio x era maléfico e se faziam radiografias por qualquer bobagem, alguém teve a idéia de fazer radiografias dos bebês que choravam (o gás é visto perfeitamente como uma grande mancha negra na radiografia).

Comprovou-se que os bebês têm poucos gases quando começam a chorar, porém muitos gases quando levam um tempo chorando. O que ocorre é que engolem ar ao chorar, e como não podem chorar e arrotar ao mesmo tempo, vão acumulando gases até que param de chorar.

A mãe costuma explicar assim: “Pobrezinho, estava chorando muito porque estava cheio de gases. Peguei, dei uns tapinhas, ele, conseguiu arrotar e melhorou”. Na realidade, a interpretação correta seria: “Pobrezinho, chorava porque estava com saudade de mim. Quando peguei ele no colo e fiz carinho, ele se tranquilizou e deu um arroto enorme com todo o ar que tinha engolido enquanto chorava”.
Acho que isso explica a importância do arroto no século passado. Quando a mãe tentava colocar o bebê no berço logo após acabar de mamar, o bebê chorava desesperado. Em vez disso, se ficasse com ele no colo e o embalasse um pouco antes de colocá-lo no berço, era mais fácil que o bebê se traquilizasse e dormisse.
 
Durante esse tempo que estava nos braços, claro, o bebê arrotava. E como ninguém queria reconhecer que o colo da mãe era bom para o bebê (como vai ser bom? O colo da mãe é mau, estraga, o bebê não tem que ficar no colo, ou ficará manhoso!), preferiram pensar que era o arroto, e não a presença da mãe, que havia feito o milagre.
 
A verdade é que muitas mães modernas têm a ideia de que o arroto é importantíssimo, fundamental para a saúde e bem estar do seu filho. Tem que arrotar custe o que custar. Mas os bebês amamentados, se mamaram corretamente, não engolem quase nada de ar (os lábios se fecham hermeticamente sobre o peito, razão pelo qual o ar não entra; e dentro do peito não tem ar, ao contrário da mamadeira).

Muitas vezes, os bebês de peito não arrotam depois de mamar. Por outro lado, quando estão com a pega errada, é possível que engulam ar, fazendo um barulho como de beijinhos, porque fica uma frestinha entre os lábios e o peito.

Uma vez uma mãe me explicou que seu filho custa a arrotar, que tem de ficar uma hora dando tapinhas nas costas, que ele chora, inclusive,de tão mal que fica, até que por fim pode eliminar os gases. Pobre criatura, o que acontece é que não tem gases para eliminar; chora de tantos tapinhas e voltas que dão com ele, e ao final elimina o ar que engoliu enquanto chorava.
Não fique obsessiva com o arroto. Depois de mamar, é uma boa ideia deixar o bebê por um tempo no colo. Isso ele vai gostar. Se nesse tempo eliminar os gases, está bem. E se não, pode ser que não tenha gases. Não lhe dê tapinhas nas costas, não lhe dê camomila, nem erva-doce, nem água, nem nenhum remédio para gases (nem natural nem artificial, nem alopático nem fitoterápico, nem comprado, nem o que tenha em casa).

Do livro Um regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna, de Carlos González
Tradução: Fernanda Mainie
Revisão: Luciana Freitas
Comunidade Grupo Virtual de Amamentação

Os prematuros, muito sensíveis à dor, devem ser objeto de cuidados mais suaves

Os prematuros estão ficando a salvo de um grave erro: há mais de vinte anos, pensava-se que eram insensíveis à dor. Numerosos procedimentos invasivos, incluindo cirurgias, eram praticados sem anestésico. Hoje os médicos sabem que é o inverso: os bebês pré-termo são frequentemente mais sensíveis do que os outros e tem, portanto, necessidade de uma atenção muito particular. Este é o ponto central da reunião da PremUp, fundação de pesquisa dedicada à gravidez e à prematuridade, sobre o tema " A dor do feto e do recém-nascido prematuro", no sábado 5 de Junho.

PACIENTES SUJEITOS A MAIS DOR E ESTRESSE

Mais sensíveis, os recém-nascidos prematuros são submetidos a maior número de atos médicos: as coletas e os diagnósticos repetidos são as principais fontes de dor. "Nas primeiras horas de vida, podem ser realizadas até quatro coletas de sangue por dia", explica Natacha Michelin, enfermeira em neonatologia no hospital de Port-Royal em Paris, que cuida diariamente de prematuros. A maior parte deles está sob respiração artificial, com colocação de respiradores e de sondas: um incômodo permanente e fonte de muito estresse. Para respeitar sua supersensibilidade, hoje os recém-nascidos são colocados em peças menos expostas à luz e ao barulho.

Pelo fato de terem menos tônus do que os outros, os bebês nascidos antes do termo são menos capazes de exprimir a dor por meio de movimentos físicos ou caretas. Os profissionais de saúde devem então empregar cuidados suplementares. "Sempre que possível, tenta-se aplicar os cuidados em dupla, explica Natacha Michelin, um enfermeiro segura o bebê, colocando-o com suas mãos em posição fisiológica para maior conforto, enquanto o outro faz as coletas."

Um dos objetivos das reuniões da PremUp é, assim, generalizar práticas mais suaves para o bebê. Por exemplo, a administração de soluções adocicadas permite estimular a produção de antálgicos próprios no corpo do bebê. "Estas soluções são muito conhecidas pelos profissionais de saúde, entretanto estudos mostraram que elas não eram utilizadas de maneira sistemática. Há uma lacuna entre os conhecimentos, o que se sabe fazer, e a prática."


AS DORES PREJUDICIAIS AO DESENVOLVIMENTO

A questão é ainda mais importante na medida em que a dor pode afetar permanentemente o indivíduo em desenvolvimento. "Os estímulos dolorosos repetidos modificam de maneira permanente a percepção da dor", explica o professor Vincent Laudenbach, do serviço de reanimação pediátrica e neonatal do CHU (Centro Hospitalar Universitário) Charles Nicollede Rouen. "Em outras palavras, crianças que foram muito expostas à dor em período perinatal podem ter mais tarde uma maior sensibilidade a ela. A dor pode também afetar o desenvolvimento cognitivo."

Os médicos devem também ficar atentos a superdosagens de eventuais tratamentos medicamentosos para a dor. Os recém-nascidos prematuros são mais sensíveis aos analgésicos e seu metabolismo está em plena evolução. Um melhor acompanhamento da dor, nem sempre fácil de detectar, é portanto um outro caminho para a melhora." Os instrumentos que permitem monitorar a dor são bem mais sofisticados do que há vinte anos, precisa o doutor Laudenbach, mas poderiam ser ainda mais aperfeiçoados. É necessário intensificar a pesquisa para melhorá-los, tendo o cuidado de ao mesmo tempo torná-los utilizáveis cotidianamente."

Estas dificuldades referem-se a um número cada vez maior de pequenos pacientes: a prematuridade aumentou 15% nos últimos quinze anos. Cerca de 50.000 crianças nascem antes do termo anualmente.


Fonte: LEMONDE.FR - 05.06.10

Tradução : Elisabeth Rossi e Janete - @L-Materno

13 de fevereiro de 2011

Estudos comprovam a existência do instinto maternal

Aos poucos a ciência começa a comprovar eventos até então subjetivos, como o instinto maternal, por exemplo. Durante muito tempo nós vivemos sob as crenças de que o instinto maternal seria algo que toda mulher precisa ter ou manifestar, até para que possa ser considerada uma boa mãe pela sociedade. Em 2009, a Universidade de Oxford publicou uma pesquisa que soma esforços junto com outros trabalhos para esclarecer melhor os fatos. Segundo o estudo, finalmente, foi descoberta uma região no cérebro que é responsável pelo instinto maternal.

Em primeiro lugar é importante diferenciar instinto de amor maternal. Amor maternal é o carinho, um vínculo amoroso que se intensifica à medida em que o bebê nasce e o convívio se intensifica. Enquanto que o instinto maternal tem a ver com querer proteger e suprir a necessidade de alguém, com sentir um impulso e sair correndo para salvar a vida do seu filho e, tendo em vista este objetivo, fazer tudo o que for preciso. Exatamente como os bichos.

Segundo a ginecologista e obstetra Gisela Traut Kirst, a manifestação de um instinto maternal primário pode ser evidenciado logo após o parto. "Mesmo sendo o primeiro filho, depois de todo esforço para dar à luz, a mãe estende os braços para pegar o recém nascido e oferecer seu peito", afirma. De acordo com a médica, este pequeno gesto contém muitas ideias a respeito do comportamento materno.

Sandra Ebisawa é terapeuta e realiza um trabalho dirigido de consciência corporal para gestantes auxiliando na descoberta do papel de mãe. Ela parte do princípio de que todas as respostas para as questões individuais e sociais podem ser encontradas no corpo físico. Seria só uma questão de sintonizar na frequência certa e seguir seus instintos. Como por exemplo, o maternal.

As duas abordagens, tanto a holística quanto a científica levam em conta os mesmos processos internos, utilizando diferentes linguagens para tentar explicá-los. Gisela cita a importância da ocitocina para explicar o gesto instintivo de proteção da mulher após o parto. Segundo ela, este hormônio, somado a progesterona, estrogênio e a prolactina provocariam um misto de sensação de bem-estar e disposição para cuidar.

O mesmo que Sandra chama de instinto, uma orientação natural vinda dos sentidos. Assim como fomos treinados para entender que estamos com fome, sono ou em perigo através do olfato, da audição ou da visão, também temos condições de sentir impulsos em outras direções. Um sentido mais sutil do que os cinco básicos conhecidos que nos moveria orientados pela urgência em cuidar, em amar um ser desprotegido.

Muitos casos têm sido narrados em que mães estão distantes de seus filhos quando de repente sentem "algo diferente". Seria uma espécie de pressentimento, uma corrente elétrica por suas células. Mas seria algo muito maior do que uma simples conexão telepática ou algo sobrenatural. Este sentimento teria origem numa sintonia fina entre mãe e filho. Assim, quando o pequeno indefeso entra em perigo e "busca" a ajuda da mãe, e esta, por sua vez, também está sintonizada com ele, mesmo que seja em pensamento, algo muito forte, como um chamado urgente a faria sair correndo. 

Algo curioso a respeito deste controverso sentimento é que não depende da existência de laços sanguíneos. É algo que pode acontecer tanto com filhos legítimos quanto com adotivos. Comprovando assim que a ligação não está condicionada ao processo da gestação, mas sim, nasce de uma interpretação de dependência e de sustentação entre dois indivíduos.

O instinto maternal revela um pacto de compromisso em que um ser mais capacitado ou evoluído presta auxílio a um outro em estágio de aprendizagem. Algo que a ciência começa a comprovar, mas que só a natureza pode explicar.

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11 de fevereiro de 2011

Mães que optam pelo parto em casa devem se atentar à legislação na hora de registrar o bebê

O conforto de estar em casa, a possibilidade de ter maior contato com o marido e a família logo após o nascimento do bebê e uma recuperação mais tranquila estão entre os principais benefícios citados pelas mulheres que optam pelo parto domiciliar.
Geralmente feito por quem vive em regiões isoladas e sem acesso à assistência médica, o parto em casa também tem adeptas nas grandes cidades e até mesmo entre celebridades, como a modelo Gisele Bündchen, que afirmou ter dado a luz ao seu filho Benjamin na banheira de sua casa, nos Estados Unidos.
Entretanto, mulher que pretende realizar o parto em casa deve se atentar para as regras na hora de registrar o bebê. A roteirista Renata Dias Gomes, do Rio de Janeiro, sem saber da legislação específica para esses casos, não conseguiu registrar o filho na primeira ida ao cartório.
Burocracia

“Fui com a DN [declaração de nascimento] emitida pelo obstetra, meu marido e meu filho ao cartório, mas mesmo assim eles exigiram duas testemunhas”, contou. Para ela, apesar de saber da importância do controle dos registros para evitar a adoção ilegal, o processo é burocrático.
“Parece q estamos fazendo uma coisa errada – o médico tem um procedimento fechado, não é uma coisa simples conseguir a DN, e para quê as duas testemunhas depois?”, questiona. “Meu caso se resolveu com facilidade, mas é muito contraditório, o governo incentiva o registro, mas impõe tanta burocracia”, completou.

Mario de Carvalho Camargo Neto, diretor da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo) e vice-presidente Anoreg/Br (Associação dos Notários e Registradores do Brasil) , explica confirma a necessidade de “duas pessoas que conheçam a mãe e conheçam a existência da gravidez."
Testemunhas

“Para declarar o nascimento deve ter a presença do pai ou mãe, na falta pode ser um parente maior de idade e as duas testemunhas”, comenta. A arquiteta Danielle Balassiano Ptak, também carioca, conta que passou pelo mesmo processo. Ela já estava preparada para o parto natural, mas no hospital. Porém, com seu segundo filho ela entrou em trabalho de parto muito rápido e não teve tempo de ir a uma unidade de saúde.
O médico fez o parto na casa de Danielle mesmo e depois entregou a ela a DN preenchida. Com o documento em mãos, seu marido foi até o cartório com as duas testemunhas “uma pessoa que trabalhava na minha casa e outra que trabalhava com ele”, e conseguiu registrar o bebê sem problemas.


Prazo
Nos casos onde não há acompanhamento de um profissional – médico, enfermeiro ou parteira – cadastrado pelo Ministério da Saúde para emitir a declaração, o próprio cartório preenche o documento no momento do registro. Outro cuidado a ser lembrado é em relação ao prazo. O registro da criança deve ser feito até 15 dias após o parto, explica o diretor da Arpen-SP. No caso das crianças que nascem em hospitais, esse prazo é de 60 dias. Nos dois casos o registro é gratuito.
“Mesmo atrasado não tem multa”, explica Camargo Neto. “Mas é importante que fique bem claro que todo mundo tem que registrar o quanto antes e não precisa levar a criança”, completa. A presença do bebê só é necessária se o cartório suspeitar que há alguma declaração falsa. “Mas isso é muito raro”, alerta.

 
Veja o que diz o Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde explica ainda que a declaração deve ser preenchida em três vias. No caso de partos domiciliares com assistência médica ou por profissional de saúde, a DN será preenchida pelo profissional responsável que deverá dar a seguinte destinação:


• 1ª via: secretaria municipal de saúde;
• 2ª via: pai ou responsável legal, para ser utilizada na obtenção da Certidão de Nascimento junto ao cartório do registro civil, o qual reterá o documento, conforme determina a Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Após o registro, o cartório do registro civil reterá esta via para seus procedimentos legais;
• 3ª via: pai ou responsável legal, para ser apresentada na primeira consulta em unidade de saúde. (Poderá ser arquivada no estabelecimento de saúde onde ocorreu o parto, em princípio no prontuário do recém-nascido. Essa via poderá ser utilizada também para a localização das parturientes e dos recém-nascidos visando ao planejamento de ações específicas de saúde).

No caso dos partos domiciliares sem assistência médica, a DN será preenchida pelo cartório de registro civil e terá a seguinte destinação:
• 1ª via: cartório de registro civil, até ser recolhida pela secretaria municipal de saúde;
• 2ª via: pai ou responsável legal, para ser utilizada na obtenção da Certidão de Nascimento junto ao cartório de registro civil, o qual reterá o documento;
• 3ª via: pai ou responsável legal, para ser apresentada na primeira consulta na unidade de saúde.

Fonte: http://www.band.com.br/jornalismo/cidades/conteudo.asp?ID=100000397099
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4 de fevereiro de 2011

Estimulando seu bebê

Os bebês nascem com a estrutura pronta para o aprendizado, mas dependem da sua estimulação

Quando o bebê nasce, já está em condições de se adaptar ao mundo externo, pois seus diversos sistemas – circulatório, respiratório etc. - estarão organizados e prontos para funcionar. O sistema nervoso também já estará apto para trabalhar, permitindo que o bebê desenvolva a interação com o ambiente.

O cérebro, por meio dos sentidos - visão, audição, paladar, olfato e tato - receberá informações, planejará e realizará suas respostas. Embora pronto, ele ainda não é capaz de desenvolver aprendizados, espontaneamente, de modo automático. É necessário que receba estímulos. Estes aprendizados sucessivos, dos mais elementares aos mais complexos, é que farão a criança se desenvolver.

Um lactente de 2 a 3 meses que não for incentivado a manter a sua cabeça ereta quando estiver no colo, por exemplo, terá dificuldades em conseguir fazer isso. Deixado no berço, deitado a maior parte do tempo, seus progressos motores não serão favorecidos. Assim, a criança vai demorar mais para sustentar a cabeça, para sentar e daí por diante.

Da mesma forma funciona o desenvolvimento da linguagem, mas com maior complexidade. Em torno do 4º mês, os circuitos cerebrais do bebê estão já bastante desenvolvidos, de modo que ele sorri e começa a balbuciar ao ser solicitado. E assim progride nos meses seguintes, enriquecendo estas emissões sonoras. Nos meses que se seguem, até os 2 anos seguintes, as estruturas cerebrais da criança estarão no momento certo para o aprendizado da língua nativa. Esse é o período ideal para receber de seus cuidadores, pai e mãe, os estímulos necessários para este aprendizado.

SE A ESTIMULAÇÃO ADEQUADA NÃO OCORRER, CERTAMENTE HAVERÁ PREJUÍZO NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM, E ISSO PODERÁ PERDURAR POR TEMPO ILIMITADO, PODENDO FUTURAMENTE DIFICULTAR OUTRAS AQUISIÇÕES QUE DEPENDAM DE UMA BOA E PRÉVIA FUNÇÃO DA LINGUAGEM, COMO O APRENDIZADO DA ESCRITA E LEITURA.

Andar, correr, falar, ler e escrever são habilidades que fazem parte de um processo contínuo e sequencial do desenvolvimento e, como dissemos no início, não acontecem automaticamente. É certo que dependem de uma estrutura que dê conta destas aquisições, e isto é pertinente ao cérebro. Mas, para que sejam adquiridas, são necessários estímulos.

O ambiente afetivo favorecedor e necessário do aprendizado continua sendo a família. Pai e mãe são personagens muito importantes para o desenvolvimento da criança.
 
 
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Será que é normal?

Sonecas, regurgitação, cólicas. Confira as principais dúvidas dos pais de primeira viagem sobre o desenvolvimento do recém-nascido e o que fazer em cada situação.

Levar o bebê para casa pela primeira vez é um momento especial para os pais. Em meio às visitas e aos presentes, as mudanças na rotina trazidas pelo recém-nascido e o desejo de não errar podem gerar ansiedade. O melhor a fazer é respirar fundo e lembrar que em pouco tempo vocês conhecerão bem o bebê. Para ajudá-los a relaxar, pedimos a especialistas que respondessem as perguntas mais frequentes nos consultórios dos pediatras.

É normal meu filho de apenas três meses não tirar sonecas longas durante o dia?

O sono do bebê é muito variável. Logo que nasce, ele dorme muito, acordando praticamente só para mamar. As crianças passam a ficar mais tempo acordadas a partir do segundo mês de vida. Com três meses, o padrão médio é dormir cerca de duas horas pela manhã, duas horas à tarde e mais duas horas no fim do dia, antes do sono da noite. No total, o bebê nessa idade dorme cerca de 12 horas por dia. Mas é importante lembrar que cada organismo é único e o acompanhamento mensal com o pediatra é fundamental. Como as crianças passam a enxergar melhor após o segundo mês, sendo capazes de identificar objetos, pessoas, cores e movimentos, é normal que o estímulo as mantenham acordadas.

É normal meu bebê dormir com os olhos abertos?

Por não terem controle total dos nervos e músculos nos primeiros meses de vida, algumas crianças deixam as pálpebras semi-abertas, com uma pequena faixa dos olhos aparecendo. Isso não é motivo de preocupação e deve desaparecer até o primeiro aniversário. No entanto, manter os olhos fechados durante o sono garante a lubrificação ocular. Por isso, se o seu filho tem mais de um ano e deixa as pálpebras abertas enquanto dorme, vale a pena conversar com o médico.

É normal meu bebê regurgitar após todas as mamadas?

Em praticamente 100% dos casos, a regurgitação é fisiológica e não precisa de medicamentos. Ela deve passar no primeiro ano de vida da criança, quando uma válvula localizada no final do esôfago amadurece e torna-se mais firme e capaz de manter o alimento no estômago. Existe muito medo da regurgitação patológica (ou seja, refluxo), que atinge apenas 1% das crianças. O pediatra é capaz de identificar o refluxo patológico com base no ganho de peso, no crescimento e nos padrões de sono e de respiração do bebê.

É normal meu filho se comportar melhor com outras pessoas do que ele se comporta comigo?

A partir dos três meses, a criança já reconhece a mãe e diferencia seu principal cuidador das outras pessoas. Geralmente, as mães são as que mais cedem às vontades dos filhos e o bebê percebe isso desde cedo. Para evitar situações desagradáveis, é importante impor alguns limites e não ceder perante as manhas. Além disso, seu filho pode se distrair com as visitas e chorar menos.

É normal meu recém-nascido ter cólicas todos os dias?

As cólicas estão entre as maiores queixas das mães nos consultórios pediátricos. As temidas dores começam entre o 20º e o 30º dia de vida e não têm relação com a alimentação da mulher. A orientação para quem amamenta é de não consumir alimentos muito gordurosos, pois a gordura passa no leite e dificulta a digestão do recém-nascido. A origem da cólica está ligada à formação da flora intestinal do bebê e algumas práticas amenizam o desconforto: massagens nas perninhas e na barriga, colocar o bebê de bruços nos braços ou no peito dos pais e banhos mornos. O importante é ter paciência e não medicar a criança sem necessidade. A amamentação exclusiva nos seis primeiros meses e a pega correta do bico do peito evitam as cólicas.

É normal meu filho dormir de bruços?

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomendam que os pais coloquem os bebês para dormir de bruços, pois essa posição aumenta o risco de síndrome da morta súbita do recém-nascido. A melhor posição para as crianças pequenas dormirem é de barriga para cima, com a cabeceira do berço erguida de 30 a 45 graus – você pode colocar um travesseiro embaixo do colchão. Caso a posição de bruços melhore as cólicas do seu filho, deixe que ele deite assim somente por períodos curtos durante o dia e sempre sob supervisão.

Fontes: Eliane Alfani, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz, e Hamilton Robledo, pediatra do Hospital e Maternidade São Camilo
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