30 de julho de 2014

Amamentação e desenvolvimento Psicológico da criança

O surgimento de uma nova vida é algo divino. A chegada de um bebê em uma família é uma experiência muito intensa. A relação mãe e filho e o vínculo entre eles iniciado na gestação e se concretizado no nascimento é visto de forma muito especial por diversos profissionais, especialmente os da psicologia. Um aspecto central deste vínculo é a amamentação, que além da importância nutricional, traz também influências psicológicas e emocionais para as crianças.

A psicóloga Silvia Maria Anaruma, psicóloga docente do departamento de Educação da UNESP, destaca a importância da amamentação como uma forma de superar o rompimento que acontece no nascimento. A amamentação resgata o calor e a segurança que a criança encontrava no útero; ameniza o rompimento e dá à mãe, que também é atingida por esta ruptura, a segurança que precisa nesta nova etapa. O desenvolvimento afetivo, então, é iniciado nesta relação que se estabelece entre mãe e bebê e este começo poderá ser decisivo para criar um vínculo de amor e confiança.

Como parte da formação do vínculo de amor e confiança temos a satisfação oral que a amamentação propicia ao bebê. O estímulo oral, próprio desta fase, dá prazer e muitas vezes, vai além da satisfação nutricional, a criança recorre ao dedo ou à chupeta. O desmame precoce, antes de um ano de vida, pode prejudicar esta satisfação e a conseqüente formação futura da capacidade de confiar nos outros e na capacidade de dar e receber. O estabelecimento do vínculo é considerado como a contribuição principal da amamentação do ponto de vista psicológico. Vários trabalhos descrevem a importância do contato pele a pele e do toque para os bebês; prova disso é o método conhecido como “Mãe-canguru” usado na recuperação de bebês prematuros.

Silvia também destaca o desenvolvimento cognitivo, as pesquisas demonstram que crianças amamentadas até o fim do segundo ano, mostraram melhor desempenho escolar. A amamentação propicia um ótimo desenvolvimento cerebral por meio dos nutrientes e da interação, o leite materno protege os bebês de enfermidades que podem causar desnutrição e dificuldades de aprendizagem e audição; assegura também a interação frequente e expõe o bebê à linguagem, ao comportamento social positivo e a estímulos importantes e, finalmente, desenvolve maior agudeza e enfoque visual levando à melhor disposição à aprendizagem e à leitura. Estas são apenas algumas das evidências que foram exploradas com relação ao tema, mas suficientes para que se possa ter uma idéia das vantagens do aleitamento materno para um desenvolvimento mais satisfatório e saudável do ser humano

A amamentação é um ato emocional e físico, o contato aconchegante com o corpo da mãe fortalece
o laço, ou vínculo emocional entre a mãe e o bebe. Evidentemente este vínculo também pode acontecer com a mamadeira, bebês que são alimentados com fórmula corretamente preparada e que tem da mãe toda a atenção e aconchego no momento da alimentação também desfrutarão dos benefícios psicológicos da formação deste vínculo; porém, infelizmente perderão os benefícios nutricionais. É fato também que a amamentação no peito facilita a manutenção deste vínculo por mais tempo, uma vez que a mamadeira pode favorecer uma certa distância entre mãe e filho, uma vez que outras pessoas diferentes da mãe podem a amamentar a criança; além disso, o próprio desenvolvimento motor do bebê propiciará uma certa autonomia e diminuição das oportunidades de contato mãe-bebê.

Obviamente muitas situações impedem a amamentação ou antecipam o desmame; situações de saúde, o retorno da mulher ao trabalho…. Não cabe aqui julgamentos. Mas é preciso ter sempre em mente a importância da formação de um vínculo estreito entre o bebê e a mãe; independente do método de alimentação.


Fonte: Desenvolvimento Humano – Diane E. Papalia e Sally W. Olds.
Aleitamento Materno e Desenvolvimento Psicológico da criança – Silvia Marina Anaruma-Depto de Educação instituto de
Biociências – UNESP – campus Rio Claro.

http://psicologiaedesenvolvimentoinfantil.blogspot.com.br/2011/10/amamentacao-e-desenvolvimento.html

27 de julho de 2014

Teoria da extero-gestação


Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.
Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.
É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh", mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.

1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, "de volta ao útero". Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.

Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.

Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos.

2. Posição de Lado

Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.

3. Shhhh Shhhh - O som favorito do bebê

O som "shhh shhh" é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante.

Para bebês novinhos, "shhh" é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça "shhh", "shhh". Aumente o volume do "shh" até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar "calar" um bebê choroso fazendo "shh", mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo "shhh", seu bebê deve calar pós uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o "shhh", pode-se ligar:
- secador de cabelos ou aspirador de pó
- som de ventilador ou exaustor
- som de água corrente
- um CD com som de ondas do mar
- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
- máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.

4. Balanço

"A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo - movimento, movimento, movimento."
(Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos - visão, audição, tato, paladar e olfato - geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de "movimento" dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar?

1. Carregando o bebê num "sling" ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.

5. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.

É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular "negativamente" os pais) não tem sentido. Bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto."

Bibliografia:

The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.

Tradução de Flávia Mandic

Como lidar com a sexualidade na infância

É difícil saber o que fazer diante das descobertas sexuais dos bebês. Ainda pequeninos, eles começam a mexer em sua genitália e criam uma situação embaraçosa para os pais. Como lidar com isso? Cada um encontra seu jeito, mas é importante entender como se manifesta a sexualidade da criança em cada fase de sua infância

Vocação para o prazer O corpo humano tem vocação para o prazer desde sempre. Instintivamente, buscamos o bem-estar e fugimos do desprazer. Ele nos ensina a sobreviver. E a sexualidade é apenas um aspecto dessa sensação. Mas é importante para a criança aprender a lidar com os limites desde cedo.

CULTURA VERSUS INSTINTO

Diante de situações carregadas de apelo sexual, muitos pais coíbem o comportamento dos filhos pequenos sem saber exatamente por que estão agindo assim. Mas é importante saber o que está por trás dessa restrição! Desde os primórdios da civilização, a ordem social se impõe aos impulsos instintivos dos indivíduos. A sobrevivência e a supremacia da espécie humana sempre dependeram dessa condição. Sem o freio cultural, muitas vezes estabelecido por religiões, cada um faria o que tivesse vontade e a organização social seria regida pela lei do mais forte, como é entre os bichos, com desvantagens do homem em relação a outros predadores. Portanto, educar o filho significa ensinar-lhe, entre outras coisas, as regras sociais de convivência, sejam elas quais forem. E ficar bolinando a própria genitália em público não é algo aceito em nenhuma sociedade. Renunciar aos desejos é parte do aprendizado social de uma criança.

SEXUALIDADE NO BEBÊ DE COLO

Até cerca de 1 ano e meio ou 2 de idade, o bebê descobre o mundo pela boca. Daí o nome “fase oral”, utilizado por muitos especialistas. Mas, nomenclaturas à parte, o importante aqui é entender que sugar o leite da mãe é uma experiência tão prazerosa para o bebê que ela se sobrepõe às demais. Ele mama em um colo aconchegante, sua barriga fica quentinha e o sono logo vem. É um paraíso para a criança. Por isso, ela leva tudo à boca na incansável busca da sensação de prazer. Nessa fase, o prazer é definido exclusivamente pela ação do sistema nervoso. Os hormônios e a libido só entram em cena com a maturação sexual, na adolescência.

AOS 2 ANOS, O XIXI E O COCÔ

Conforme cresce, o bebê amplia sua capacidade de percepção. Ele começa a entender o mundo simbólico e já pronuncia palavras. Paralelamente, descobre o xixi e o cocô. A criança não sabe direito o que é, mas sente que é muito gostoso. O próprio controle do esfíncter, tanto o anal quanto o genital, mostra-se uma profunda fonte de prazer. É natural que as áreas do corpo onde o bebê sente prazer despertem nele curiosidade. E ele vai mexer sempre que puder, principalmente quando começar a tirar a fralda.

TRATAR COM NATURALIDADE

Se, para os adultos, a sexualidade já é um tema complexo, imagine para as crianças. Por isso, vá com calma ao lidar com o assunto. A curiosidade de mexer na genitália é natural entre os bebês e deve ser encarada como tal. Mesmo porque a curiosidade é sinal de inteligência. Os pais não devem se desesperar porque sua filha ou seu filho estão se bolinando. Mas também não precisam ficar passivos. No caso dos pequeninos, a melhor maneira de intervir é colocar uma roupinha neles ou levá-los ao banheiro para ver se querem fazer xixi ou cocô, sem alarde. Mas atenção: se perceber que essa situação tira os adultos do sério, a criança pode passar a usá-la apenas para chamar a atenção. O mesmo se aplica a segurar o xixi e o cocô.

QUANTO MAIS VELHO, MAIS CURIOSO

A partir dos 3 ou 4 anos, a criança controla bem o esfíncter e já desenvolveu bastante sua linguagem. E sua relação com o mundo só faz se expandir. Mas a curiosidade continua a mil por hora. Os pequenos começam a sacar as diferenças entre meninos e meninas, já percebem algo estranho nas histórias sobre como nasceram, notam que o papai e a mamãe dormem juntos, querem entender melhor esse negócio de gravidez e sementinha e por aí vai. Isso também é natural e pode ser uma excelente oportunidade para o início das conversas sobre sexualidade com um filho. Vale a pena falar sobre os estranhamentos, sem a necessidade de explicar detalhes. As noções gerais são mais que suficientes. Isso pode ajudar esse futuro adolescente a lidar melhor com sua própria sexualidade. A imaginação deles também pode ser uma ótima aliada diante de questões mais embaraçosas. Jogue questões para que eles tentem elaborar sozinhos.

LIMITES SEM TRAUMA

A curiosidade das crianças em relação ao sexo aumenta conforme se desenvolvem. Em busca do prazer, o menino gosta de deixar o pipi duro e a menina adora segurar o xixi ou cutucar a vagininha. Bater na mão da criança e dizer que isso é feio está longe de ser a melhor conduta. Funciona, mas pode deixar traumas desnecessários. A criança se assusta e intuitivamente repele de sua vida a busca por esse tipo de sensação. Além disso, o assunto vira algo proibido e dá margem para tabus e preconceitos no futuro. Levar a criança para o banheiro para fazer xixi ou cocô ainda é a melhor maneira de mostrar que lá é o lugar de mexer nas partes íntimas e também de desviar o foco de atenção. Quando volta do banheiro, ela se esquece de se tocar. Agora, se o pequeno insiste em se masturbar na frente de todos, mesmo que não saiba exatamente o que está fazendo, ele precisa saber que o papai e a mamãe vão ficar tristes se continuar, de preferência com uma conversa mais séria, que faça a criança também pensar, e não simplesmente obedecer.

EROTISMO FAMILIAR

Desde pequena, a criança sente o que acontece à sua volta. Expor os pequenos aos estímulos de um ato sexual, por exemplo, vai despertar neles ainda mais a curiosidade, já que o coito tem características bastante peculiares: os sons, o cheiro, as imagens... O mesmo vale para o banho, principalmente dos meninos com a mamãe e das meninas com o papai, ou entre crianças de sexos diferentes. Não existe um consenso em relação a isso, mas esse tipo de intimidade pode potencializar a curiosidade sexual dos filhos. Dormir com a criança também gera um clima de excitação nos adultos e nas crianças, além de atrapalhar a intimidade do casal. Convém evitar esse tipo de conduta para não dar a impressão à criança de que a intimidade é algo que se compartilha com todos.

PRAZER ALÉM DO CORPO

Já que a criança não poderá extravasar todo o seu prazer pelo corpo, é importante dar a ela opções. E um excelente caminho é proporcionar, aos pequenos, o chamado prazer social. Eles nem terão tempo de ficar se bolinando enquanto brincam, aprendem coisas novas, deixam o papai e a mamãe orgulhosos, praticam atividades lúdicas e recebem carinho e atenção. Por esse motivo, é tão importante a mãe conversar com o filho desde a barriga e intensificar os “diálogos” logo depois do nascimento. Essa troca desperta nele o prazer pela comunicação. A masturbação pode ser um indício de que a vida não está boa para uma criança. Tanto que crianças excepcionais, também pela dificuldade de interação com o mundo exterior, costumam exagerar no prazer solitário. E muitas não têm sequer noção dos limites que envolvem a conduta sexual. 

Fonte: Bebê Abril

Haptonomia

Fonte: Vida prematura
A gestação é um momento único e muito especial para qualquer mulher, principalmente para as mães de primeira viagem. E não há nada mais íntimo para elas do que apreciar o desenvolvimento da vida ainda dentro do útero. É nesse período em que a mulher é mais bajulada por parentes e amigos que desejam tocar em sua barriga para sentir o feto mexer, mas nem todas elas gostam dessa atitude.

Para o psicólogo Wilson Montiel, algumas mulheres sentem que a sua privacidade está sendo invadida quando todos querem tocar e ouvir o feto. "Sentem a intimidade violada. Além de toda alteração hormonal, as aflições e fantasias sobre o parto que se aproxima, a mulher chega a ter a sensação de que, ao ter a barriga pressionada, algum mal possa ocorrer a seu feto", afirma.

Embora algumas mães não gostem desse contato, pode ser uma maneira de tranquilizar o feto. A Ciência da Afetividade, também chamada de haptonomia, criada pelo holandês Franz Veldman, há cerca de trinta anos, explica que o toque é um elemento essencial durante a gestação e ajuda os pais a estabelecerem uma maior proximidade afetiva com o filho que ainda está na barriga.

De acordo com o psicólogo, a haptonomia é uma terapia voltada ao desenvolvimento da comunicação entre o bebê, a mãe e o pai. "Ela favorece a consciência dos pais sobre a paternidade e prepara a mãe e o bebê para o momento do parto, através de estímulos realizados na barriga pressionando a placenta e pedindo uma resposta em movimento dele", diz.

É importante destacar que o toque, quando realizado pelo pai, promove o entrosamento entre ambos. "Quando orientado por um especialista, o toque, a partir dos primeiros movimentos manifestados por este feto, ainda no início da gestação, estimula a consciência dele e de quem espera por ele", explica Montiel. "Este carinho promove o desenvolvimento da motricidade, da confiança e capacidade de demonstrar afeto, principalmente quando continuada no pós-parto até os dois anos de idade", completa.

Wilson ainda ressalta essa técnica visa o aumento da comunicação e expressão dos sentimentos entre os pais e seus filhos. "A haptonomia não é apenas para preparar para o parto, mas também para preparar os pais para uma recepção afetiva do bebê. O casal descobre como interagir com o filho através de um contato de físico afetivo-confirmativo", relata.

O psicólogo comenta que, mas do que pensar no diálogo com o bebê neste momento, o que importa é sentir que a comunicação efetivamente se estabelece. Segundo ele, a técnica é voltada especificamente para os pais: "Mas no pós-parto não há problemas se outros membros da família participarem", finaliza Wilson Montiel.

24 de julho de 2014

O tempo do seu bebê é igual ao seu? Pense!

Desde o nascimento dos nossos bebês temos muita dificuldade em lidar e aceitar a forma com que eles se relacionam com o tempo, que definitivamente não tem nada a ver com a nossa! O tempo deles é regido por suas necessidades e percepção de mundo, que nas primeiras semanas é bastante limitada. Gradativa e lentamente isso vai mudando e para nós pais é imperativo que consigamos nos colocar no lugar de espectadores deste processo agindo somente como facilitadores para que cada etapa do desenvolvimento da criança se dê com segurança. Na amamentação não é diferente. Amamentar é um processo, como outro qualquer, que avança no ritmo e tempo do bebê, e não seguindo padrões de normalidade que nos são impostos. Tempo de mamadas, duração de intervalos, padrão de desenvolvimento e tantos outros números aparecem na nossa frente para nos dizer se nossos filhos são normais, e também se estamos sendo bem sucedidos na empreitada que é criar uma criança.
Mais para frente, piora! As crianças são submetidas a um sem número de atividades e desafios que teoricamente viabilizam que cada etapa de seu crescimento se dê com competência e superação. Superação! Ler mais rápido e mais cedo, aprender línguas o quanto antes, fazer esportes (e bem! Ok?), frequentar uma escola renomada, tirar boas notas… E sei lá mais o que! Novas metas nunca param de surgir.
Deixando de lado toda essa pataquada, o que o seu bebê realmente precisa é de você, ou seja: carinho, ouvidos atentos, brincar, crescer tendo suas necessidades vitais atendidas sem exageros e sem que sua existência seja super dimensionada. Um bebê é somente um bebê e não um futuro astronauta! Rsrsrsrsrs! Viva o hoje com o seu filho que você estará fazendo o melhor para ele, e para você!
Muito tempo livre para criar, brincar e inventar, ou simplesmente não fazer nada vale ouro.
Deixe o amanhã para amanhã!
Leiam esta reportagem da Revista Crescer, que conta com uma entrevista com o pedagogo Paulo Fochi, coordenador do curso de Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul falando sobre o conceito de Slow Parenting, ou seja a desaceleração na super estimulação que sofrem as crianças hoje em dia desde os primeiros meses de vida:

20 de julho de 2014

Necessidade do Ensino da Ciência do Início da Vida - Dra. Eleanor Madruga Luzes

Rio de Janeiro - Criadora da CIV, Educadora, Médica e Psiquiatra

A VIDA BEM VINDA – O PRIMEIRO DIREITO HUMANO
PROJETO PARA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO DA CIÊNCIA DO INÍCIO DA VIDA


OBJETIVO

O objetivo deste projeto é tornar a frase “Brasil: país do futuro” uma realidade – para isto basta criar os canais de divulgação do que se intitula Ciência do Início da Vida. O país desenvolverá um futuro diferente, dando o passo mais arrojado que qualquer país já deu.

Visto que o futuro de um país está na saúde física, mental e espiritual dos seus cidadãos, se os futuros indivíduos forem concebidos com amor e preparo adequado, gestados com a sociedade apoiando suas mães, eles certamente serão diferentes – para melhor. E se ainda nascerem de parto humanizado e receberem, na infância, alimento psíquico suficiente para se tornarem cidadãos aptos a fazer o melhor para si e seus semelhantes, tornarem-se criativos e cooperadores, teremos uma sociedade capaz de resolver problemas com facilidade e criatividade. 


Indivíduos nascidos com estas disposições são mais saudáveis, mais inteligentes, têm maior rendimento social e uma vida laborativa mais longa – questão que aflige governos do mundo inteiro, pois atualmente é relativamente pouco o tempo no qual um indivíduo produz e gera riqueza para sua sociedade. Esses indivíduos precisam de muito menos auxílio e contribuem muito mais ao bem estar social. O conhecimento e a aplicação da Ciência do Início da Vida são indispensáveis para o advento de uma humanidade hígida, fraterna, produtiva, justa e dinâmica.

Este projeto entende que o direito à informação é essencial, pois muitas vezes a vida é aniquilada por falta de conhecimento. Logo no início, o índice de mortalidade infantil teria um importante decréscimo e outros índices de morbidade também decresceriam – isto configura direito à vida garantido.

A sociedade que valoriza a educação é a mesma que valoriza a vida. Este será um grande passo para mudar o eixo auto-destrutivo que vem sendo de grande peso nas agendas dos governos de vários países.


BENEFÍCIO
Os benefícios se seguem:

  • Redução de índices de mortalidade infantil e de morbidade em todas as faixas etárias.

  • Redução dos índices de criminalidade e custos relativos (processos judiciais, encarceramento). O indivíduo que pratica infração é o ser que não teve o seu básico garantido, ou seja, não teve atendidos os cuidados pré-natais, peri-natais e da primeira infância. O criminoso é alguém que foi desrespeitado durante a gestação e ao nascer, e que, portanto, “aprendeu” a desrespeitar, trazendo para a sociedade o ônus desta má formação psíquica.


  • Tempo de vida laborativa maior.

  • O uso de droga como fonte de adicção, caso exista, torna-se mínimo.

  • Doenças mentais, sistêmicas e imunes, assim como os acidentes, tornam-se exceção.

  • Tanto o suicídio, como a violência contra terceiros, caem de maneira significativa.

Teremos uma sociedade mais criativa, inteligente e respeitosa da vida.

 
FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA
 
Ciência do Início da Vida é uma disciplina nascida da fusão de conhecimentos amealhados, nas últimas quatro décadas, nas áreas de antropologia, sociologia, pedagogia, psicologia, etologia, embriologia, biologia celular e medicina (obstetrícia, neurologia, endocrinologia, cardiologia, psiquiatria), sendo confirmada pelas tradições e pela arte. Esta é, portanto, uma matéria transdisciplinar, como a própria vida. A metodologia de ensino adotada abaixo é a da transdisciplinaridade, que vem sendo proposta pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para alcançar metas de paz. São cinco as fases enfocadas pela Ciência do Início da Vida:
 
1 – Concepção
 
Os dados da literatura internacional que registraram as memórias deste acontecimento, com universo de mais de 10 milhões de pessoas estudadas, mostram que a concepção influencia notavelmente a saúde física e mental do ser humano para o resto da vida. Hoje, por exemplo, sabemos que o padrão de alimentação dos pais neste período pode determinar anomalias congênitas, seja por álcool (lábio leporino), droga (danos cerebrais). Já foi estabelecida a relação entre o consumo excessivo de agrotóxico e o nascimento de crianças com perímetro craniano maior ou menor. Estudos apontam para uma correlação entre uma concepção desarmoniosa e a tendência à depressão na idade adulta, assim como dificuldade em controlar o impulso agressivo.
 
2 – Gestação

O primeiro trimestre de gravidez é fundamental para a formação do corpo. Hoje sabemos que o código genético que se estruturou na concepção pode ser alterado para melhor ou para pior durante este período. Uma boa saúde depende, essencialmente, da imaginação da mãe, sua vida interior, seu olhar sobre a vida e sua alimentação. Uma vasta literatura demonstra que estes fatores, se bem atendidos, podem fazer com que, mais tarde, não haja ocorrências de doenças como: acidente vascular cerebral, infarto coronariano, hipercolesterolemia, obesidade, diabetes, esquizofrenia, epilepsia. Sabemos o preço que a fome imposta a mulheres grávidas, nos dias de hoje, determina para a geração futura; vide a Segunda Guerra Mundial, quando se pôde acompanhar o que aconteceu com uma população holandesa que, sitiada por tropas alemãs, foi submetida à dieta de poucas calorias – estas população foi acompanhada por mais de sessenta anos. Notou-se que estas pessoas eram propensas a doenças mentais, não se socializavam devidamente e apresentavam maior tendência à obesidade, distúrbio cardiovascular e diabetes do que a população do mesmo país, na mesma faixa etária. Nos dias atuais, sabemos como a baixa dietética atua no primeiro, segundo e terceiro trimestres da gravidez. Quanto mais cedo os indivíduos forem submetidos à dieta, mais graves os danos. Os bebês desrespeitados durante a primeira fase de seu desenvolvimento intra-uterino ficam marcados, ao longo da vida, por uma dificuldade de socialização e tendência a certos cânceres, além das patologias já mencionadas.

A gênese da doença ou da saúde de um ser humano se dá na embriogênese.

3 – Parto
 
O parto constitui um verdadeiro ritual de passagem. Neste processo são “plasmadas” certas qualidades no âmago de uma pessoa; novos atributos ficam como que impressos no seu inconsciente.

O nascimento é a primeira grande transição, imprime profundamente no inconsciente do recém-nascido noções que ficam arraigadas para o resto da vida. Sabemos hoje, por exemplo, que uma grande conseqüência do advento do parto hospitalar com anestesia foi o surgimento de uma população de drogados. Drogas existem desde mais remota antiguidade, e as sintetizadas desde o século dezenove, mas a partir da década de sessenta houve um considerável aumento de viciados em drogas, justamente na primeira geração da história da humanidade a nascer sob sedação. Informes de diversos países mapeiam correlações entre o surgimento do parto hospitalar altamente tecnológico e suas sérias conseqüências, como o aparecimento de autismo, bulemia, anorexia, tendência a cometer delitos e dificuldade de socialização. Pagamos um preço alto quando esquecemos que é necessário honrar a natureza mamífera das parturientes.
 
4 – Amamentação
 
Depois de eficazes campanhas de orientação empreendidas pelo governo, foi possível reverter, no Brasil, ainda que de maneira parcial, um quadro de supressão deste direito humano. De 1950 a 1980, o Brasil, como muitos outros países, trocou o leite materno pelo leite artificial. O resultado foi um aumento exponencial de alergias, problemas emocionais e intelectuais. Ser amamentado, além de aumentar a imunidade e a inteligência, fortalece o sentido de fraternidade. A noção vigente de que competir é melhor que cooperar é uma distorção da fisiologia. Talvez esta seja a mais grave seqüela da falta de amamentação. Se o organismo de um ser humano funciona normalmente é porque em suas entranhas as células sabem trabalhar em estreita colaboração. Vida é colaboração. A competição gera falta de ética, falta de boas condições ecológicas, predatorismo desenfreado e seres que não sabem amar a si mesmo, ao próximo, e muito menos ao meio ambiente.

O Brasil é, hoje, referência mundial no resgate da amamentação, mas não atingimos a licença-amamentação plena por seis meses (ainda é decisão facultativa, nas empresas privadas), prazo mínimo necessário apontado por pesquisas importantes e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
 5 – Os três primeiros anos de vida

 
Período que corresponde às fundações para a saúde mental, período de estruturação do ego (centro da vontade, da determinação e da auto-disciplina). Se um leão, fadado a liderar, precisa da mãe por dois anos, o ser humano sendo o mais complexo dos mamíferos, precisa de três anos de cuidados maternos e familiares para se constituir de maneira íntegra.

Países como Alemanha, Suécia e outros estão começando a rever suas políticas de licença-maternidade, aumentando-a para mais de dois anos, isto porque já estiveram contabilizando os prejuízos que representam para a nação uma geração de jovens que não sabem o que querem, que não conseguem se estruturar para deixar o lar paterno e começar a fazer seu próprio ninho, que colocam-se na vida como filhotes eternos e assumem um fraco compromisso com o trabalho, preferindo canalizar suas energias para diversões supérfluas e muitas vezes daninhas.

Hoje, a geração que se comporta assim é a geração da “creche cedo demais”. Ela tem sido objeto de estudos por sociólogos no mundo inteiro. Muitos destes estudos vêm dos países europeus, particularmente da Inglaterra, demonstrando como se comporta uma geração inteira que não tem o ego bem estruturado. Tais constatações têm forçado os países europeus a rever suas políticas de nascimento devido ao triste peso que estão pagando.

O Brasil viu, nos últimos três anos, seu número de aposentados por invalidez aumentar três vezes, principalmente entre homens jovens, e seis vezes são considerados somente os servidores civis federais. O importante deste dado, mesmo que envolva elementos escusos, é que ele aponta para um padrão de comportamento geracional, também observado na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, o qual revela que os jovens que conseguem burlar o sistema recebem uma aposentadoria e desfrutam de uma vida isenta de “preocupações”, dispensados de assumir maiores responsabilidades.

IMPLANTAÇÃO
 
A estratégia de implantação deste projeto é criar, primeiramente, um espaço de divulgação e inclusão da Ciência do Início da Vida no âmbito nacional do Programa de Desenvolvimento da Extensão Universitária. O Ministério de Educação e Cultura criou o Plano Nacional de Educação, através da Lei 10172 de 09 de Janeiro de 2001, com a finalidade de implantar este programa em todas as Instituições Federais de Ensino Superior, no quadriênio 2001-2004 e assegurar que, no mínimo, 10% do total de créditos exigidos para a graduação no ensino superior sejam reservados para a atuação dos alunos em ações extensionistas. Ou seja, as universidades federais de todo o país devem reservar 10% (em horas) de seus currículos para que os alunos trabalhem em projetos sociais.

O projeto propõe que os estudantes das universidades federais sejam capacitados para que depois utilizem parte destes 10% em atividade de ensino da Ciência do Início da Vida aos jovens das favelas e de outras áreas carentes.

Um segundo modo de divulgação é incluir a Ciência do Início da Vida no ensino à distância, criando na internet um site de informação, destinado principalmente aos professores, mas também disponível para todos os interessados. Um dos direitos humanos fundamentais é o direito de informação sobre tudo o que possa proporcionar melhor saúde física, mental e espiritual, a fim de que cada indivíduo desenvolva seu potencial de satisfação com a vida e, conseqüentemente, com a sociedade. Tal potencial nunca foi plenamente desenvolvido na história da humanidade, mas com o que sabemos hoje, podemos mudar a condição do ser humano no planeta. 

Em terceiro, vem a criação de leis que regulem a veiculação destas informações em caráter permanente na televisão, através da TV Educativa.

Em paralelo, a autora propõe que cada estado inclua a Ciência do Início da Vida nos currículos de segundo grau, como matéria de ensino obrigatória. O currículo de segundo grau é de competência dos estados. É importante que, mesmo depois que aCiência do Início da Vida seja ensinada em todo o território nacional no segundo grau, ainda assim permaneçam programas de esclarecimento na televisão, pois a fração de cidadãos brasileiros que chega ao segundo grau ainda é pequena.

Dra. Eleanor Luzes Psiquiatra e Analista Junguiana fala sobre a Ciência do Início da Vida (CIV)

12 de julho de 2014

“Mais do que entender seus filhos, os pais precisam saber como educá-los”

Um respeitado psiquiatra infantil explica como uma separação sem sofrimento ajuda a criança a crescer
KÁTIA MELLO

De quatro décadas de trabalho com crianças com problemas psicológicos, o psiquiatra francês Marcel Rufo extraiu lições sobre dificuldades comuns a todos os pais – como o meio-termo entre equilíbrio e superproteção e a abordagem da sexualidade dos filhos. Rufo discute essas questões em dois livros recém-lançados, Me Larga! Separar-se para Crescer e Tudo o Que Você Jamais Deveria Saber sobre a Sexualidade de Seus Filhos (editora Martins Fontes).
ENTREVISTA
Marcel Rufo
VIDA 
Nasceu em 1944 em Toulon, no sul da França

CARREIRA É chefe da clínica do hospital Sainte-Marguerite, em Marselha. Tem um programa de rádio de sucesso na França, onde trabalha com psicologia infantil

OBRA Lançou no Brasil Me Larga! Separar-se para Crescer e Tudo o Que Você Jamais Deveria Saber sobre a Sexualidade de Seus Filhos
ÉPOCA – Por que o senhor diz que os pais de hoje querem compreender os filhos, mais que educá-los?
Marcel Rufo
 – Os pais de hoje fizeram progressos extraordinários em relação aos de antigamente. Os filhos nunca foram tão bem criados. Do ponto de vista físico, corporal, não há mais preocupações. O problema que resta aos pais é se os filhos vão ser felizes e inteligentes. Para isso, é preciso compreendê-los. Hoje, os pais, mais que educar, tentam entender seus filhos. E compreender é mais democrático que educar. Houve uma “democratização” da família, que virou uma espécie de sindicato em que todos podem falar e debater. É por isso que os filhos, que não são bobos, não nos abandonam mais. Eles têm mais dificuldade para partir que para ficar.
ÉPOCA – Isso quer dizer que o progresso dos pais não é necessariamente bom?
Rufo
 – Os pais progrediram, mas é preciso que aprendam a não ser tão bons assim. O psicanalista inglês Donald W. Winnicott (1896-1971) criou um conceito muito interessante, o de “good enough mothers”, “mães boas o suficiente”. Esse termo mostra bem o que é preciso fazer. Ser um pai mediano, e não excelente, ajuda as crianças. No fundo, os filhos nos amam por nossos defeitos, mais que por nossas qualidades.
ÉPOCA – Como evitar a superproteção?
Rufo 
– Separar-se de uma criança é respeitar seu gosto pela aventura e pela descoberta. É preciso, de vez em quando, deixar segredos para que os filhos façam suas próprias descobertas, o que não ocorre quando os pais estão sempre presentes. Cabe às crianças, sozinhas, “redescobrir” as coisas que nós mesmos descobrimos quando tínhamos a idade delas.
ÉPOCA – Hoje é comum que crianças façam terapia. Com que idade elas podem fazer análise? E com que idade se pode prescrever medicamentos para tratar problemas psicológicos?
Rufo
 – Muito cedo. Pode-se fazer análise com 6 ou 7 anos. O mais comum é que se comece com 13 ou 14. Quanto a medicamentos, não gosto muito deles. Prefiro formular hipóteses sobre o futuro da criança e cometer equívocos na análise a receitar remédios. O psiquiatra deve prescrever a si mesmo, como se fosse um medicamento. Meu melhor remédio é a palavra.
ÉPOCA – O que o senhor pensa das famílias em que, por conta das separações, os filhos têm dois pais e duas mães?
Rufo
 – Não é tão ruim assim. A partir do momento em que os pais se separam, é melhor ter um padrasto e uma madrasta que ter o pai ou a mãe isolados. Quando os cônjuges que se separaram se recompõem em um casal, isso ajuda a restabelecer a afeição.
ÉPOCA – Qual é sua opinião sobre a guarda compartilhada, em que pai e mãe dividem por igual o tempo com os filhos?
Rufo
 – Não gosto. Crianças precisam de um único lar, mais que de pais que se revezem. Na guarda compartilhada, a criança não veste o luto da família perdida: ela sempre vai acreditar que tudo pode recomeçar. Creio que ela só funcione em casos excepcionais, de famílias muito inteligentes, com excelentes condições financeiras e em que pai e mãe não vivam muito longe um do outro.
Quando uma criança de 2 anos mente, isso quer dizer que ela pensa. Fico maravilhado quando mentem para mim
ÉPOCA – Que sistema o senhor considera ideal, então?
Rufo
 – Um sistema melhor seria outro tipo de alternância. Por exemplo, de 0 a 3 anos, o filho fica com a mãe; de 3 a 6, com o pai; de 6 a 12, com a mãe; e assim por diante. Essas idades correspondem às fases da escola: maternal, ensino fundamental, ensino médio... É bom que o pai reivindique seu direito sobre os filhos, mas quando eles são pequenos nada substitui a mãe.
ÉPOCA – Como o abandono e a posterior adoção afetam o futuro da criança?
Rufo
 – Como psiquiatra, vejo muitos casos difíceis de filhos adotivos. Toda criança adotada sonha com a família biológica. Vou dizer uma coisa que pode parecer surpreendente: é mais difícil ser filho adotivo em um meio socialmente elevado que em famílias modestas. O motivo é que, numa família rica, a criança tende a ser fiel a sua origem biológica “misteriosa”, e não quer ser como a família que a acolheu.
ÉPOCA – Qual seria a melhor forma de tratar os bebês candidatos a adoção?
Rufo
 – Meu modelo teórico é um que foi adotado por uma instituição para menores abandonados de Budapeste, na Hungria. Lá, uma cuidadora fica 18 meses, às vezes dois anos, sempre com o mesmo bebê. A mãe pode não estar por perto, mas esse sistema funciona como uma espécie de “suplementação maternal”. E isso ajuda muito o bebê.
ÉPOCA – Muitos menores abandonados acabam na delinqüência juvenil. O senhor acha que uma criança que sofreu com o abandono é recuperável?
Rufo
 – A diferença entre o tratamento psiquiátrico de um adulto e o de uma criança é que, com as crianças, tudo ainda é possível, nada é definitivo. Um menor abandonado pode encontrar uma boa família adotiva; pode ter um professor notável; pode ter grandes amigos; pode viver uma bela história de amor. Nessas condições, a criança adotada pode se sair bem na vida.
ÉPOCA – Por que o senhor diz que as crianças precisam mentir?
Rufo
 – Quando uma criança de 2 ou 3 anos mente, isso quer dizer que ela pensa. Sou fã da mentira. Adoro crianças que mentem. Quando um menino me diz: “Já fui a três psiquiatras, e não adiantou nada”, e descubro que não é verdade, fico maravilhado. E digo isso aos pais. É um desafio que a criança impõe, uma bela forma de resistência. Às vezes, a mentira é uma forma de enfrentar uma realidade que é difícil.
ÉPOCA – Por que os pais, em sua opinião, interferem excessivamente na vida sexual dos filhos?
Rufo
 – Porque são idiotas (risos). Assim como nós só adquirimos nossa própria sexualidade porque ignoramos a de nossos pais, é preciso que os pais “ignorem” a dos filhos.
ÉPOCA – Quais os casos mais difíceis que o senhor enfrentou como psiquiatra?
Rufo
 – Os de filhos desprezados pelos pais. Aqueles que os pais não acham inteligentes e dizem “você é muito burro para entender o que eu digo”. A sevícia psicológica é quase tão ruim quanto a sexual. O abuso psicológico é terrível porque você não é reconhecido aos olhos daquele com quem deseja se parecer. Costumo dizer que os pais têm de ser “torcedores” do filho, assim como se torce pelo Boca Juniors.
Foto: Eric Fougere/VIP Images/Corbis/Latin Stock

Notícia original:

8 de julho de 2014

O saber dos pais, as invenções das crianças e o conhecimento dos especialistas

Livros de “autoajuda para pais”, com regras aplicadas ao sono, alimentação ou birra, prometem resolver um a um os “problemas” de educação das crianças de forma eficaz e generalizada. Com filhos, porém, cada vez que se aprende a resposta, muda a pergunta.

Foi-se o tempo em que se pedia conselho para a vovó sobre o que fazer para a cólica do bebê acalmar; em que se conversava com uma amiga mais experiente sobre o processo de retirada da fralda; em que se passava de geração em geração a receita da primeira sopinha; ou em que as comadres trocavam ideias sobre como encarar as noites mal dormidas de bebês com menos de um ano.
Ser pai e mãe implica realizar escolhas, e essas escolhas comportam riscos. Diante deles, hoje em dia, os pais costumam recorrer a um arsenal de pseudotécnicas contidas em livros de “autoajuda para pais” que, com suas regras aplicadas ao sono, alimentação ou birra, prometem resolver um a um os “problemas” de educação das crianças de forma eficaz e generalizada.
Os pais logo constatam que alguns desses procedimentos podem, no melhor dos casos, funcionar por algum tempo, mas não resolvem. Se a questão em certo momento era o sono, passa a ser a alimentação, a retirada das fraldas, as mordidas dos amigos, as lições de casa, as turminhas da escola… e por aí vai.
Com filhos, cada vez que se aprende a resposta, muda a pergunta. Certamente ao longo do processo algo se aprende. O problema é ficar com a ilusão de que esse aprendizado será diretamente aplicável a outro alguém. É frequente, nesse sentido, a ilusão de que tudo será mais fácil com o segundo filho. Mas esse segundo sempre chega causando novas perguntas, pegando os pais desprevenidos onde eles menos esperavam.
Se na vida é assim, os livros de “autoajuda educacional” fazem tudo parecer muito fácil: “um, dois, três” e a regra será cumprida; “alguns choros e o bebê passará a dormir bem”; “algumas estrelinhas coladas como prêmio na cartela e a criança passa a provar todos os grupos alimentares” são consignas bastante comuns oferecidas por esses livros que atravessam a transmissão entre pais e filhos na atualidade.
Se “não funciona” só pode ser porque a técnica não foi bem aplicada por “incompetência dos pais” – esse é o efeito que neles provoca e é mesmo o argumento simplório utilizado pelos autores de muitos desses livros. Se “parece fácil” é porque, nessas pseudotécnicas, as variáveis são reduzidas a tal ponto que se pretendem aplicáveis a todos de forma indistinta, como se fosse possível educar uma criança sem considerar justamente o que lhe diz respeito.
Por que alguém dorme fora de hora, perde o sono, come muito ou tem falta de apetite? Por que alguns passam a morder ou a ser alvos de mordidas? Por que começa a escapar o xixi de noite quando antes isso estava bem organizado? Por que a criança pede sempre para ler a mesma história? Por que repete a frase do desenho que vê na TV? Por que não para quieta?
As causas desses acontecimentos são muito variáveis. Antes de querer ter a técnica infalível e eficaz que suprima todos os pequenos sintomas que inevitavelmente fazem parte da constituição de uma criança, ou dos grandes sintomas que podem se apresentar nesse processo e que tornam necessária ajuda profissional, é preciso se interrogar. É um bom começo para produzir respostas singulares que digam respeito a essa criança, a esses pais e a essa família, nessa escola e nessa sociedade.
Organicamente está tudo bem com a criança? O que aconteceu recentemente em sua vida? A que ela pode estar respondendo desse modo? Por que isso incomoda tanto os outros? As técnicas generalizadas para educar crianças, que fazem tudo parecer tão fácil, vendem como água, mas têm um preço: suprimir essas valiosas interrogações dos pais que são a chave para que possam avançar na questão do que se pode aprender ao ter um filho; do que há de mais desafiador, intolerável ou fascinante para nós no encontro com um ser em plena constituição que depende radicalmente do que possamos propiciar-lhe diante de seus impasses para que ele possa produzir saídas mais interessantes para a sua vida.
Ter um filho leva os pais a revisitar suas próprias escolhas diante da vida e as suas próprias respostas diante da geração anterior. São interrogações de valor inestimável e simplesmente aniquiladas quando se reduz o processo de formação de uma criança a procedimentos eficazes.
Recentemente caiu em minhas mãos um livro chamado “manual de instruções do bebê”, que explicava como proceder na “manutenção” cotidiana de um bebê, com o mesmo formato dos manuais que acompanham as máquinas recém compradas. Nas primeiras páginas pensei que era uma piada, mas não era.
Como psicanalista, não são poucas as crianças que recebi no consultório, algumas das quais com importantes sintomas no sono, e outras com terror noturno, nas quais “aplicaram” o método “nana nenê” (que propõe deixar o bebê chorando no berço em espaços de tempo cada vez maiores, controlando os intervalos por uma tabela de minutos, até que ele durma sozinho). Apesar de ser duramente criticado, o livro continua a vender. Que venda tanto leva a pensar por que, na atualidade, os pais precisam apoiar sua autoridade em frustrar ou atender as demandas dos filhos em procedimentos que contabilizam a sustentação dessa frustração em tabelas e em minutos. Como se planilhas de Excel pudessem conter a resposta objetiva e eficaz diante dos mal-entendidos que se experimenta com os filhos.
Os pais mesmos estão tão angustiados perante as exigências sociais de eficácia que temem suas interrogações. O que da criança escapa à adaptação é logo taxado com um diagnóstico patológico por meio de questionários autoaplicáveis via internet.
O não saber dos pais é muito mais complexo que a simplificação de cada uma dessas pseudotécnicas. Fazer a relação pais-bebê encaixar nesses procedimentos e tomá-los por tolos, apagando a singular riqueza de cada um e a diversidade encantadora que nos faz humanos. Suprimir as interrogações dos pais com essas técnicas é jogar fora o bebê junto com a água do banho. Além disso, como clínicos, constatamos que a pergunta que é suprimida sempre retorna, se não no sono, na comida; se não na comida, na fralda; se não na fralda, nas amizades. Então melhor é escutar.
O que se subtrai desse tecnicismo generalizado é justamente algo que conta e muito para decidir o que fazer diante que cada ato de educação: que valor têm a fralda, a chupeta, o sono ou a mamadeira – cada um desses pequenos objetos – na relação da criança com os demais, pois o sentido desses objetos não é intrínseco nem plenamente generalizável.
Nunca se tem de antemão todas as respostas do que fazer. Isso é uma produção singular na relação com cada filho. Mas isso pode virar um problema quando “procedimentos técnicos” supostamente infalíveis impedem a interrogação a partir da qual a experiência e o saber único dos pais e da criança podem emergir. Se um filho traz novas questões, no melhor dos casos pode-se produzir aí, nessa relação, um saber-fazer.
Para tanto é preciso contar com interlocutores que ajudem a desdobrar essa experiência única: gerações anteriores, amigos e até mesmo, mas não só, clínicos. É próprio da clínica interdisciplinar com a infância que parte de uma concepção psicanalítica que os clínicos considerem centrais as perguntas dos pais e o fazer da criança. Diante deles, os clínicos colocam em cena seus conhecimentos sobre a infância para que os pais possam construir, a partir de suas interrogações, saídas singulares diante dos enigmas que ser pais desperta e diante dos quais as crianças, por sua vez e no melhor dos casos, nos surpreenderão.
Conviver com crianças coloca inevitavelmente em cena a responsabilidade de transmissão às próximas gerações, diante da qual as crianças podem ter o dom de abrir para nós novas perguntas diante de velhas respostas. Basta que saibamos escutar. Esta é a proposta deste blog: psicanalistas, médicos, fonoaudiólogos, educadores – especialistas que tratam há mais de 20 anos de bebês, crianças e adolescentes – propõem dialogar com os pais em torno das questões que a infância produz, trazendo a debate um assunto por semana.

Psicanalista, especialista em Clínica com Bebês; mestre e doutora em psicologia clínica pela PUC-SP; membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre APPOA e da Clínica Interdisciplinar em Problemas do Desenvolvimento Infantil Centro Lydia Coriat; professora de especialização em cursos de Psicomotricidade; Teoria Psicanalítica; Problemas do Desenvolvimento Infantil e Clínica Interdisciplinar com Bebês; autora dos livros Enquanto o futuro não vem – a psicanálise na clínica interdisciplinar com bebês (2002; Ed. Ágalma) e A criação da criança- brincar, gozo e fala entre a mãe e o bebê (2011, Ed. Ágalma);

5 de julho de 2014

O desenvolvimento neurológico saudável depende de amor, carinho e outros estímulos

Será que você sabe como para garantir que seu filho desenvolva plenamente seu potencial? Isso começa cedo, antes mesmo do nascimento! Para nossa sorte, a ciência já apontou algumas lições, e uma delas é que o estímulo correto desde cedo garante às crianças melhores resultados na escola, melhor sociabilidade e até mais saúde ao longo da vida.

Tudo começa com o cérebro. Já no primeiro mês de gestação começa a se formar esse órgão que controla tudo o que somos, pensamos e sentimos. Ele se modifica e se adapta a partir dos estímulos que recebemos. Quando vemos uma imagem, ouvimos uma música ou interagimos com alguém, por exemplo, milhares de conexões estão sendo feitas no nosso cérebro para receber essas informações, interpretá-las e responder a elas. Esse exercício cerebral fortalece as conexões entre os neurônios, fazendo com que o cérebro se aperfeiçoe ao longo do tempo.

Os cientistas mostraram que essa adaptação e evolução são constantes- é por isso que sempre podemos aprender coisas novas -, mas é nos primeiros anos de vida que o cérebro se desenvolve mais intensamente. É por isso que esse período é frequentemente chamado pelos neurocientistas "janela de aprendizado" ou "período crítico".

Para que o cérebro alcance seu potencial, pais devem oferecer estímulos e experiências diferentes, desde cedo. "Quando os bebês são deixados sozinhos sem interação com os objetos e pessoas, eles não exercitam a capacidade que possuem", alerta a professora Leda Maffioletti, da Faculdade de Educação da UFRGS. A psicopedagoga e especialista em neurofisiologia humana Marta Relvas concorda: "Um ambiente rico em oportunidades, vivências e experiências é crucial para garantir um bom desenvolvimento cerebral", diz.

Durante muito tempo, acreditou-se que o cérebro era incapaz de se regenerar, sendo fixo e apenas definido pela carga genética herdada dos pais. Mas o avanço da neurociência mostrou que ele é maleável. A partir de experiências, percepções, ações e comportamentos, o cérebro é capaz de se modificar, de se adaptar e de se transformar.

Cada cérebro vem, sim, programado individualmente, por meio de fatores genéticos, porém o que garante o desenvolvimento desse órgão é um ambiente rico em oportunidades, vivências e experiências. "A relação que o ser humano estabelece com o meio externo modifica o cérebro, permitindo constantes adaptação e aprendizagem ao longo da vida", explica a psicopedagoga, autora do livro "Fundamentos Biológicos da Educação", Marta Relvas.

É nos primeiros anos de vida que grande parte das células cerebrais, os neurônios, são produzidos e conectados a partir das experiências do bebê em seu entorno. "Todo o desenvolvimento e aprendizagem começa na infância, pois é a fase em que a maioria das conexões neurais são formadas, fortalecidas e consolidadas", afirma Marta Relvas, psicopedagoga e autora do livro "Fundamentos Biológicos da Educação".

O estímulo é importante porque as redes de neurônios se fortalecem por meio do uso repetitivo. As redes que não forem solicitadas a partir dos estímulos recebidos do ambiente vão desaparecendo. É como se algumas habilidades e competências ficassem adormecidas. É por isso que esquecemos várias informações aprendidas na escola, porque não usamos.

É como se as conexões formadas na infância fossem uma base para que circuitos mais complexos sejam construídos mais tarde. "A qualidade desses estímulos é fundamental para garantir uma aprendizagem saudável e de excelência", explica Marta, que também é especialista em Neurofisiologia Humana.

A falta de estímulos adequados prejudica seriamente o desenvolvimento dos bebês. "Quando são deixados sozinhos sem interação com os objetos e pessoas, os bebês não desenvolvem o interesse em aprender; não exercitam a capacidade que possuem; não se tornam crianças curiosas e, num caso extremo, sequer aprende a falar", alerta a professora da Faculdade de Educação UFRGS Leda Maffioletti.

"Estimular significa criar situações, contextos e oportunidades para que as crianças tomem iniciativas e tenham prazer em explorar o mundo. Movimento, formas, cores, sons e cheiros dão vida ao ambiente. Mas, acima de tudo, o ambiente estimulador deve ter pessoas que interagem com os bebês", explica Leda Maffioletti, professora da Faculdade de Educação da UFRGS.

Quanto mais diversos forem os estímulos, melhor para o cérebro do bebê: "Ouvir música com ritmos e intensidades diferentes, visualizar um objeto diversificados com cores diferentes, permitir tocar em diferentes texturas, essa riqueza promove uma intensa formação de novas conexões neurais", diz a psicopedagoga Marta Relvas.

Vale lembrar que os estímulos devem englobar não só o movimento (engatinhar, equilibrar-se, andar, sentar, ter reflexo, manter postura, pegar, lançar) e os sentidos (visuais, auditivos, táteis, olfativos e gustativos), mas também a cognição (pensamento, percepção, atenção, memória, imaginação, racíocínio etc). A maneira mais indicada de estimular bebês e crianças são atividades lúdicas, como o brincar e a música.

É tentador começar a estimular o bebê de todos os jeitos e maneiras, afinal, se o desenvolvimento do cérebro depende de diferentes experiências, quanto mais vivências, melhor, certo? Não é bem assim! "O desenvolvimento e o fortalecimento das conexões neurais estão relacionados à qualidade e não à quantidade dos estímulos", alerta Marta Relvas, psicopedagoga e autora do livro "Fundamentos Biológicos da Educação".

De nada adianta estimular o bebê se ele não for capaz de responder de maneira saudável. A especialista orienta a verificar até quando o bebê responde aos estímulos de forma prazerosa. Se ele se mostrar irritadiço ou estressado, é hora de pegar mais leve. Aliás, o estresse precoce é assunto sério. Diversos estudos mostraram que a exposição prolongada a situações de estresse agudo, sem o apoio de um adulto, como abuso e violência, ela sentirá os efeitos físicos, psicológicos e neurológicos durante toda a sua vida. É o chamado estresse tóxico, capaz de reduzir o número de conexões entre neurônios - o que prejudica seriamente o desenvolvimento saudável da criança.

A brincadeira talvez seja a maneira mais eficaz de as crianças aprenderem habilidades para o resto da vida. Jogos, músicas e outras atividades lúdicas contribuem para que as crianças cresçam com qualidade na saúde mental, emocional e física. "Brincar, além de agradável, é necessário para formar conexões sociais normais, e para ativar área de recompensa e de tomada de decisões", explica a psicopedagoga Marta Relvas. Nas brincadeiras infantis, as crianças simulam a vida futura, testam limites e determinam o que é seguro e o que é perigoso.

O brinquedo deve ser entendido como um suporte para a interação entre pais e bebês, não o substituto. "O brinquedo mais interessante do mundo não substitui a necessidade de afeto e cuidado", explica Leda Maffioletti, professora da Faculdade de Educação UFRGS.

Os bebês procuram avidamente conhecer o mundo, mas dependem das escolhas dos adultos para se desenvolverem. "Quando os adultos são negligentes, o bebê deixa de ter experiências significativas", diz.


Fonte: Vida Prematura