30 de novembro de 2012

Os DIREITOS do BINOMIO "MÃEBEBE"


(derivados da Iniciativa Internacional para o Nascimento “MãeBebe”)

1. Você e seu bebe têm o direito de serem tratados com respeito e dignidade


2. Você tem o direito de estar envolvida e completamente informada sobre a assistência que você e seu bebê recebem.



3. Você tem o direito de receber informação numa linguagem e terminologia que lhe sejam compreensíveis.



4. Você tem o direito ao consentimento informado e à recusa informada para qualquer tratamento, procedimento ou outro aspecto da assistência para você e seu bebe.



5. Você e seu bebe têm o direito de receber assistência que fortalece e otimiza os processos normais de gravidez, parto e pós-parto em um modelo de assistência conhecido como “parteria” ou “MãeBebe”.



6. Você e seu bebe têm o direito de receber suporte emocional contínuo por pessoa de sua escolha durante o trabalho de parto e no parto.



7. Você tem o direito a que lhe sejam oferecidas medidas de conforto e alívio não farmacológico da dor durante o trabalho de parto e de que sejam explicados para si e seus familiares os benefícios de tais medidas e seus meios.



8. Você e seu bebe têm o direito de que a assistência recebida consista de práticas baseadas em evidências científicas comprovadamente benéficas de apoio ao processo fisiológico normal de trabalho de parto, parto e pós-parto.



9. Você e seu bebe têm o direito de receber assistência que busque evitar procedimentos e práticas potencialmente danosos.



10. Você tem o direito de receber orientações educativas referentes a ambiente saudável para atenção ao parto e prevenção de doenças.



11. Você tem o direito de receber orientações educativas referentes à sexualidade responsável, planejamento familiar e sobre os direitos reprodutivos das mulheres, assim como acesso às opções de planejamento familiar.



12. Você tem o direito de receber assistência ao pré-natal, ao parto, ao pós-parto e ao recém nascido centrada em sua saúde física e emocional, no contexto de suas relações familiares e no ambiente de sua comunidade.



13. Você e seu bebe têm direito a tratamento de emergências baseado em evidências científicas para condições que colocam em risco suas vidas.



14. Você e seu bebe têm direito a serem assistidos por pequeno número de prestadores de cuidado que trabalhem de forma colaborativa de forma transdisciplinar, transcultural e interinstitucional, que providenciem interconsultas com especialistas indicados e facilitem transferências para instituições apropriadas quando for necessário.



15. Você tem o direito a tomar conhecimento e que lhe mostrem como acessar os serviços comunitários disponíveis para você e seu bebe.



16. Você e seu bebe têm o direto de serem cuidados por prestadores com conhecimentos e habilidades para apoiar a amamentação.



17. Você tem o direito de receber orientações educativas referentes aos benefícios e ao manejo da amamentação e que lhe seja mostrado como amamentar e como manter a lactação, mesmo quando você e seu bebe precisam ficar separados por razões médicas. 



18. Você e seu bebe têm o direito de iniciar a amamentação nos primeiros 30 minutos após o parto, de ficarem juntos em contato pele-a-pele pelo menos na primeira hora de vida, de ficar juntos nas 24 horas do dia e de amamentar sob livre demanda.



19. Seu bebe tem o direito de que não lhe sejam oferecidos bicos artificiais ou chupetas, e que não lhe seja oferecida nenhuma outra comida ou bebida além do leite materno, a não ser que seja medicamente indicado.



20. Você tem o direito de ser encaminhada a um grupo de apoio à amamentação, se disponível, após a alta do serviço de atenção ao parto.

_____________
* Nossos agradecimentos a Marcia Westmoreland, Robbie Davis-Floyd e Rodolfo Gomez pelo seu trabalho de extrapolar esses direitos do binòmio MãeBebê do texto da IMBCI.


Traduzido para o português por Daphne Rattner



27 de novembro de 2012

Ler para o bebê, sim!

Você sabe quando devemos começar a ler para o nosso bebê?

(Na foto ao lado Eu e Enzo lendo o livro de Contos de Fadas da Turma da Mônica)

 Muitas mães pensam que só devem começar a leitura quando a criança já está maiorzinha, mas não! Desde cedo já podemos começar! Segue abaixo um texto muito legal falando sobre isso:

Nunca é cedo demais para começar o incentivo à leitura. Mas só vale mesmo se for algo feito junto, despretensiosamente e com prazer


Uma das perguntas mais frequentes que os pais fazem à CRESCER, quando o assunto é incentivo à leitura com bebês, é: “Mas que tipo de livro eu posso ler para ele?”. Querem saber se valem histórias compridas, se os contos de fadas já são adequados... Afinal, ele vai entender ou não o que estamos contando? Para responder, há uma frase que soa quase como um tabu. Para um bebê até por volta de 1 ano, não importa o conteúdo da história. Ele pode até não compreender o dilema da princesa, quantos animais estão na fazenda ou dimensionar o tamanho da floresta: mas já sente o prazer em escutar.
A partir daí, há uma troca importante: a interação ente adulto e bebê. É por meio da modulação de seu tom de voz, da interpretação que você está dando à história que seu bebê vai conhecer o mundo. Assim também nasce a aquisição da linguagem e a construção do pensamento. A experiência, então, fica na memória. “O bebê reúne a maneira de falar da mãe e essa informação sensorial vai criando o que chamamos de ‘marcas’ no cérebro dele”, diz a fonoaudióloga Erika Parlato-Oliveira, professora-adjunta da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretora científica do Instituto Langage, ONG sediada em São Paulo que trabalha questões relacionadas à linguagem. E como isso faz parte do desenvolvimento, deve acontecer da maneira mais natural possível. “Não precisa ficar mostrando as palavras isoladas para a criança. No mundo não é assim, a gente não aprende assim e nem seria interessante para ninguém”, afirma a psicóloga Ana Carolina Carvalho, que trabalha há 11 anos com formação de educadores em incentivo à leitura.
As ilustrações – e aprender a lê-las – são fundamentais nesse incentivo. E não estamos falando apenas dos livros-brinquedos (que têm mesmo mais a função de brincar com a criança), mas da sensibilização da criança a essa arte, inclusive. Chamam mais atenção as ilustrações grandes, muito coloridas ou edições com formatos diferentes, por exemplo. “Mas deve-se oferecer livros com ilustrações bem trabalhadas, que não sejam óbvias, vão além da história e, sobretudo, sem estereótipos”, afirma Ana Carolina. “Também na leitura das imagens não devemos nunca menosprezar a capacidade da criança.”
O QUE LER, COMO LER
Poesias, histórias de repetição, tudo que envolva mais musicalidade ou puxe sua garra por contar uma história está valendo. “As diferentes formas de leitura, as pausas, o virar das páginas, a mudança de um parágrafo, ensinam o bebê a lidar com os momentos de silêncio mas que são em sua maioria cheios de sentidos. Bebês adoram brincar de esconder, é um meio de elaborar as ausências. Quando adquirem a destreza motora, adoram virar as páginas e descobrir o que virá e o que se foi”, diz Karina Bonalume, psicóloga com especialização em clínica interdisciplinar com bebês, pela PUC-SP. Portanto, não espere nem mais um minuto e divirta-se!
E NA PRÁTICA...
Na hora de apresentar um livro, escolha histórias curtas, mas que tenham um enredo que você também goste
Prepare o ambiente, coloque o bebê no colo e conte a história sem pressa
Bebês adoram histórias com repetição, grandes ilustrações, poemas e brincadeiras com palavras
Embora conheçam tudo com as mãos e a boca, não quer dizer que só precise ser de plástico para não estragar. Vá, aos poucos, ensinando que livro não se põe na boca, não se rabisca, nem rasga...

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI236743-10473,00-LER+PARA+O+BEBE+SIM.html

A importância do toque na formação física e psíquica dos bebês


Vocês sabiam que nós mamíferos precisamos ser tocados pelas nossas mamães? Os filhotes que são privados do toque adoecem e muitas vezes chegam até a morrer.

A pele é nosso invólucro, nosso maior órgão. Ela é formada pelo mesmo tecido (ectoderma) que forma todo o sistema nervoso ainda dentro do útero, ou seja, a pele se origina do mesmo tecido que o cérebro.
Isso já nos dá uma ideia da sensibilidade e importância deste órgão.

E por que o toque é importante? 

O toque é uma forma de linguagem não verbal. Através do toque podemos transmitir calor, amor, conforto, segurança e carinho. É uma das primeiras formas de se fazer contato com o bebê, de dizer o quanto ele é amado, desejado, esperado e querido.

O bebê não precisa aprender a linguagem do toque. Ele já nasce sabendo. Ele sente.

Muito mais do que isso, é através do toque que mãe e bebê conseguem se perceber pela primeira vez como seres únicos, diferentes, apesar de unidos pelo laço do amor.

Ao tocar a pele tão sensível do bebê, é possível um sentir o outro e entender que agora a existência passou a ser única, diferente da original. A maneira como essa percepção se dá vai construindo e formando a identidade do bebê em um processo que se inicia com o parto e só termina na vida adulta.

E qual a relação do toque com o sono?

Essa foi uma das grandes descobertas que fiz em meus estudos. O toque propicia a vivência daquilo que chamamos de “união primária”, ou seja, ele remete mãe e bebê àquele momento onde os dois são um.

Ao tocar o bebê, a forma como fazemos, a temperatura de nossas mãos, os cuidados com a higiene e as unhas para não ferir o bebê, a maneira como trazemos seu corpinho para perto do coração, tudo isso é muito mais do que atitudes mecânicas, são oportunidades de acolher, de conter, de amar esse ser tão dependente de nossos cuidados e afeto.

Através do toque, tanto a mãe como o bebê tem a oportunidade de desenvolver a segurança necessária para conseguirem se desligar durante o período de sono, certos de que irão se reunir novamente no dia seguinte. Afinal, o momento do sono é antes de tudo um momento de separação.

Fonte: Dra. Renata Soifer Kraiser

26 de novembro de 2012

Chupeta X Dedo X Peito


Depois de muito ser bombardeada por "conselhos/críticas" de familiares, amigos, conhecidos, desconhecidos, etc... decidi me informar ainda mais sobre essa polêmica questão: Quem é pior ou quem é melhor? Dedo ou Chupeta?

(Na foto Enzo e seu dedo)

Segue abaixo esse texto bastante interessante sobre o assunto:


Chupeta X Dedo X Peito

por Andréia Stankiewicz, dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares
Tudo o que acontece desde o útero, no momento do parto, nos primeiros anos de vida e também na infância, são determinantes na formação dos indivíduos. Por isso, estímulos fisiológicos nesse período são tão importantes para o desenvolvimento do bebê. E nossas escolhas, fundamentais (!) já que repercutirão diretamente sobre a vida de um novo ser.

Vou tentar explicar um pouco da diferença peito x dedo x chupeta, através de uma espécie de "parecer técnico", embasada nas evidências da Ortopedia Funcional dos Maxilares, ok? 

Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. 1. Dedo é natural; chupeta, não

Chupar o dedo faz parte do processo de desenvolvimento do bebê. Muitos já o fazem desde o útero! É uma exploração inerente à fase oral (que vai até em torno de 1 ano e meio a 2 anos de vida). Com o tempo e a presença de outros estímulos (peito, alimentos, brinquedos, mordedores, engatinhar, andar, falar, etc...) o dedo vai sendo esquecido. Isso é o normal, não há motivos para preocupações! Tem fases que o bebê pode querer chupar mais mesmo, até a mão inteira, como, por exemplo, quando os dentinhos estão para nascer, pois a gengiva coça, dói, irrita. Mas passa!
Já a chupeta é imposta pelos pais e não faz parte do desenvolvimento natural, tanto é que a maioria dos bebês demora a aceitar a dita cuja.

A sucção feita com a chupeta é bem diferente da sucção normal feita no peito, pois os músculos são utilizados de forma diferente (ou seja, chupeta é uma academia de ginástica anti-natural). Vou colocar abaixo uma tabelinha dos músculos que funcionam no peito e na chupeta com bico ortodôntico, pra vocês terem uma idéia do quanto é diferente: 
AmamentaçãoBico ortodôntico
Bucinador (bochecha)+ (normal)+++++ (hipertônico)
Língua+++++ (normal, anteriorizada e dorso baixo)      + (muito hipotônica, posteriorizada e dorso elevado)
Lábio superior     +++++ (normal)+ (hipofuncional)
Lábio inferior   ++ (normal)          + (hipotônico) 

Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. 
                                                                                                                                                                                   

2. O dedo é mais anatômico do que a chupeta
Tomando como padrão ouro de sucção infantil a amamentação, observa-se que ao sugar o Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. dedo, este fica numa posição mais parecida dentro da boca com o bico do peito da mãe. Ele vai até o limite entre o palato duro e o palato mole, estimulando nesta região o desenvolvimento de um ponto neural chamado de "ponto de náusea" (aquele que "dispara" a ânsia de vômito). A língua também fica numa posição mais parecida com a da amamentação (mais anteriorizada). Já a chupeta não tem uma proctratibilidade tal qual o peito, e seu bico ou termina no meio da boca (no caso das chupetas normais) ou logo na entrada da cavidade oral (no caso das ortodônticas), atrás da região dos incisivos superiores; estimulando erroneamente aí a formação daquele ponto neural. Com a chupeta, a língua é "empurrada para trás" (na garganta), ficando numa posição mais posteriorizada, com a ponta baixa e o dorso elevado, ao contrário do que seria o normal. Tanto o dedo é mais fisiológico e anatômico, que não atrapalha a amamentação, enquanto que a introdução de bicos artificiais pode sim atrapalhar (a chamada "confusão de bicos") ou ainda comprometer o ganho de peso, pois o bebê tende a solicitar menos o peito.                                                                                                            Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt.                          Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. 
  

3. Hábitos de sucção não-nutritivos persistentes causam estragos!

Não importa se for o dedo, a chupeta, o lábio, a língua, o braço, um brinquedo, paninho, seja lá o que for... Os estragos são semelhantes: palato profundo e atrésico, queixo pequeno e retro-posicionado, base do nariz estreita, cantinho do olho “caído”, olheiras persistentes, perda do vedamento dos lábios, boca aberta, respiração bucal, língua baixa e flácida, alterações na rota de crescimento dos ossos da face, dentes tortos e mordida errada, falta de espaço, dificuldades para respirar, mastigar, engolir, falar, distúrbios do sono - ronco, apnéia, bruxismo, terror noturno... - problemas posturais da coluna (lordose, escoliose, “pé chato”), patologias respiratórias de repetição -rinite, bronquite/asma, sinusite, amigdalite, otite, gripes/resfriados frequentes -, etc. etc. etc. 

Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. Die Anzeige dieses Bildes wird in Ihrem Browser möglicherweise nicht unterstützt. 
Daí vem o medo da maioria dos pais e profissionais quanto ao dedo, justificando que a chupeta é mais fácil de tirar. O que é um erro! 

A grande maioria dos bebês vai deixar de chupar o dedo naturalmente (como já foi explicado), até o final da fase oral se receber estímulos positivos: amamentação com boa-pega, em livre demanda, mamando até ficar satisfeito, exclusiva até pelo menos os 6 meses, desmame gradual e preferencialmente prolongando a amamentação nos primeiros anos de vida da criança (até 2 anos ou +); uma introdução de alimentos bacana, tanto na qualidade como na consistência; ter liberdade para explorar o ambiente, brincar, colocar coisas na boca...enfim, se o desenvolvimento estiver normal, é uma fase e passa! Caso isto não ocorra, é necessário avaliar o que aconteceu e intervir para que as coisas voltem ao seu curso natural. Profissionais de várias áreas podem ajudar (dentista, fono, psicólogo, pediatra...). Existe uma técnica chamada de Mamilo, utilizada por alguns dentistas ortopedistas capacitados, que é super legal e eficaz na remoção de qualquer hábito oral que se prolongue além do normal; e que atua não contra o hábito, mas a favor da biologia e da fisiologia da criança, consertando os estragos que houverem e ao mesmo tempo esgotando a necessidade neural de sucção que tenha ficado.
A chupeta um dia será tirada pelos pais e, se a criança ainda não tiver esgotado essa necessidade neural até então, muito provavelmente substituirá por outro hábito (roer unha, arrancar "pelinha" do dedo, morder lápis/caneta...). No caso da chupeta, não é uma fase que passa, ela é dada pra depois ser "arbitrariamente" tirada (quando achamos que está "na hora"). E não existe uso racional, como muitos profissionais preconizam. Afinal, os pais não têm como saber a medida certa do quanto o bebê precisa sugar para se satisfazer, enquanto que o dedo, o bebê auto-gerencia (! rsrsrs). 
Ah, outra coisa: muitos dentistas falam que é só tirar a chupeta que o dentinho torto volta pro lugar. É verdade, mas o osso todo que "entortou" não volta! E no futuro faltará espaço para os dentes permanentes, além de outros problemas morfo-funcionais bem complicados.
4. Não é tudo culpa da genética!
Colocar a culpa dos dentes tortos e ossos mal-formados apenas na genética não reflete a realidade. Os fatores ambientais são fundamentais na manifestação de certas características. E por isso, as escolhas que fazemos pelos nossos filhos são tão importantes, inclusive a de oferecer ou não uma chupeta! Claro que existem biotipos mais suscetíveis aos hábitos e outros mais resistentes. Entretanto, se considerarmos que a função determina a forma, e a chupeta prejudica a função...isto quer dizer que a chupeta DEFORMA! (mais que o dedo que prejudica menos as funções). Vou tentar explicar melhor: vamos supor (uma estória, bem trágica, tá certo?) dois irmãos gêmeos: um deles caiu do berço quando era bebê e ficou paraplégico (toc, toc, toc, bate na madeira 3x! rsrsrs). Vocês concordam que, apesar da genética idêntica, o desenvolvimento entre os dois irmãos será bem diferente? Um terá as pernas atrofiadas e o outro não. Na boca acontece a mesma coisa! Ela atrofia por falta de uso, ou melhor, por funcionar errado, pela presença de estímulos neuro-motores patológicos que influenciarão diretamente o crescimento. A chupeta é um destes estímulos (junto com falta de amamentação ou o desmame precoce, uso de mamadeira ou copos de transição, respiração bucal, dieta macia e de má-qualidade, etc). Vocês sabiam que 80% do crescimento mandibular ocorre até os 6 anos de vida? E já repararam como a face e a boca do bebê crescem rapidamente no primeiro, segundo anos? Por isso que estímulos ruins neste período são tão "catastróficos", digamos assim.
5. Todo mundo conhece alguém que chupou chupeta e tem dentes ótimos ou que ficou até com o dedo torto de tanto que chupou o dedo... Bem, tudo é relativo. Infelizmente, são poucos os profissionais que sabem detectar precocemente uma mal-oclusão (isto é, antes dos 6-7 anos; lá por 2, 3 anos ou até menos). Muitas vezes os sinais são sutis e incipientes (os dentes até parecem normais), e passam despercebidos pela maioria dos pais e profissionais de saúde. Dificilmente uma criança "escapa ilesa" de um hábito de chupeta. O que pode acontecer são alguns raros casos de biotipos mais favoráveis nos quais os danos são menores. Por outro lado, é uma porcentagem muito pequena de crianças que "viciam" no dedo, e hoje existem formas eficazes e tranquilas de remover o hábito bem precocemente (lá por volta dos 2 anos), sem traumas. E a amamentação é a principal forma de prevenção!
Ou seja, acho que deu pra entender a mensagem: o dedo é menos pior!!! Pode deixar o bebê chupar. É válido usar alguns recursos quando a criança está chupando o dedo como oferecer o peito, distrair a criança com alguma outra coisa, brincar, cantar, desviar a atenção...reforço negativo ( do tipo "tira o dedo da boca", "é feio", "é sujo", "ai, que nojo"...) não é produtivo e pode servir até como forma da criança chamar a atenção dos pais. Nossa ansiedade com o dedo também pode ser percebida pela criança, estimulando ainda + o hábito. Agora, dar chupeta não é legal!
Pode até parecer radicalismo, mas quem se dispõe a estudar a fundo como as chupetas funcionam, e lida profissionalmente (ou pessoalmente) no dia-a-dia com seus efeitos, não consegue defendê-las...nem um pouquinho!

Ah, mamadeiras, idem! Mas aí, já é outra estória...

  
Bjs e boas escolhas (agora um pouco + informadas)
Déia (dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares), casada com o Fag (dentista professor de pós-graduação, homeopata, ortodontista e ortopedista funcional dos maxilares) e mãe da Luiza (8m, só de peito e papinha, sem chupeta, que gosta de chupar o dedinho de vez em quando)."
Permitida a divulgação e veiculação, desde que citada a fonte:http://www.slingando.com  
05/05/2010 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CARVALHO, G. D. S.O.S. Respirador Bucal – Uma Visão Funcional e Clínica da Amamentação. Ed. Lovise, 2ª. ed., 2010.
PLANAS, P. Reabilitação Neuro-Oclusal. Medsi, 1988.
SIMÕES, W. A. Ortopedia Funcional dos Maxilares – Através da Reabilitação Neuro-Oclusal. Artes Médicas, 3ª. ed. 2003.
SILVA, H. G. Ortopedia Funcional e Mecânica dos Maxilares. Ed. Santos, 2009.
ENLOW, D. H.; HANS, M. G. Noções Básicas de Crescimento Facial. 1ª. Ed. Ed. Santos. 1998.
SANTOS, D. C. L. Estudo da Prevalência da Respiração Predominantemente Bucal e Possíveis Implicações com o Aleitamento Materno em Escolares de São Caetano do Sul – SP – Brasil. Campinas, SP: [s.n.], 2004.
TRAWITZKI, L. V. V., et al. Aleitamento e hábitos orais deletérios em respiradores orais e nasais. Rev. Bras. Otorrinolaringol., v. 71, n. 6, São Paulo, nov/dez 2005.
Souza, D. F. R. K.; et al. Relação Clínica Entre Hábitos De Sucção, Má-Oclusão, Aleitamento E Grau De Informação Prévio Das Mães. R. Dental Press Ortodon Ortop Facial. Maringá, v. 11; n. 6, p. 81-90, nov/dez 2006.
Recomendações da Organização Mundial de Saúde. 

22 de novembro de 2012

Queda de cabelo no pós-parto

Durante a gravidez meu cabelo estava lindo! Cresceu bastante, ficou mais brilhante e volumoso... nas fotos do chá de fraldas e do meu book ele estava um arraso! Mas aí veio o parto... e ele continuava enorme, agora mais preso devido a falta de tempo de lavar ele por causa do meu recém-nascido né?
Mas nas últimas semanas mais ou menos ele começou a cair, mas cair MUITO! Cair não, despencar! Se jogar! Eu fui em um salão vizinho aqui de casa e aparei lembram?
Então, achei que ia amenizar a queda... que nada! Continua caindo horrores!!! E para piorar Enzo aprendeu a arrancar meus cabelos também!! Ele agarra e fica grudado na mãozinha e não quer soltar, até puxa! Agora que eu fico careca de vez!!! Ó dó!!

Mas qual é o motivo dessa queda toda de cabelo depois do parto

" Todas as mulheres sofrem alguma perda de cabelo no período do pós-parto, umas mais que outras, explica a dermatologista Sandra Johnson. 

Durante a gravidez, as mudanças hormonais fazem com que a queda de cabelo natural, que todo mundo tem, diminua. O cabelo, em geral, fica mais forte e grosso. Você não notou no ralo do banheiro, quando lavava a cabeça, grávida, que havia menos cabelo lá? É o mais comum de acontecer. Os folículos capilares entram na chamada "fase de repouso". 

Quando o bebê nasce, os hormônios voltam ao normal -- mais ou menos cerca de três meses depois do parto --, e todo o cabelo que não caiu durante a gestação começa a cair. E é aí que você percebe e se assusta, achando que vai ficar careca. 

Além disso, especialistas afirmam que outros fatores, como estresse, cirurgias e mudanças rápidas do peso corporal também podem provocar queda de cabelo, pelo mesmo mecanismo. O problema é que uma mulher grávida tem grandes chances de passar por tudo isso ao mesmo tempo, quando o bebê nasce. 

A queda de cabelo normal de uma mulher adulta é de 100 a 125 fios por dia. Nos meses do pós-parto, você pode perder até 500 fios por dia, o que é muito, porém não o suficiente para deixá-la careca. É apavorante ver todo aquele cabelo no ralo, no chão, na escova, nas roupas pela casa. Mas procure não entrar em pânico, porque a situação tende a melhorar, mesmo que demore um pouco. 

O cabelo parece cair mais quando você está lavando a cabeça ou secando com secador, por isso talvez valha a pena diminuir a frequência da lavagem e deixar o cabelo secar naturalmente para ver se a queda se ameniza um pouco (pelo menos a sua aflição). 

Por outro lado, a queda constante de cabelo em situações públicas e de trabalho pode ser um problema. Se é isso que incomoda você, procure lavar o cabelo e escovar bem em casa. Assim quase todo o cabelo que tem de cair cai numa situação controlada, e não a toda hora e em qualquer lugar. 

Nada disso é solução. São só estratégias para tentar amenizar o incômodo e a sensação ruim que a queda de cabelo deixa. 

Pode ser que você note uns cabelinhos novos nascendo no couro cabeludo, bem perto da testa, e ficando espetados, quando a queda de cabelo melhorar. Às vezes usar franja ou usar um comprimento mais curto nessa fase ajuda a disfarçar a falta de volume. 

Mais ou menos seis meses depois do parto seu cabelo já deve ter voltado ao "normal". Isto é, pode ser que ele mude, pois esta é mais uma das surpresas da maternidade: um cabelo que era liso pode ganhar ondas, o ondulado pode ficar mais liso, o seco pode ficar oleoso e vice-versa. Imagina-se que essa diferença se deva às grandes mudanças hormonais por que o corpo passa. 

Se o cabelo continuar caindo bastante cerca de seis meses depois do parto, fale com o ginecologista ou procure um dermatologista. A queda de cabelo pode ser sinal de anemia ou de problemas na tiroide. 

Outro ponto que vale ressaltar é que a queda normal de cabelo no pós-parto é homogênea, ou seja, não se abrem "buracos" ou "claros" só em um ponto do couro cabeludo. Se começarem a aparecer falhas, procure o médico mesmo antes dos seis meses, porque o motivo pode ser outro.  "


Ter um bebê de 3 meses...


21 de novembro de 2012

Dica de Livro: Culpa de Mãe


" Culpa de mãe trata da questão maternidade x trabalho. A personagem principal, Fernanda, próxima do término da sua  licença maternidade, descobre-se em profunda crise,  revê seus valores e revela suas inseguranças enquanto busca uma saída para seu dilema. Há 20 dias da volta ao trabalho, Fernanda teme deixar seu bebê com qualquer pessoa, até mesmo sua mãe.  Para encontrar uma solução conta com a ajuda do marido, Olavo, que a apoia qualquer que seja sua decisão, bem como de um grupo de mães que conhece em um passeio com o bebê num  jardim publico. É o "clube das culpadas" ou "culpa de mãe", já que todas as suas integrantes são mães que passaram pelo mesmo dilema um dia e aceitam a culpa como algo inerente à maternidade . No clube das culpadas, Fernanda descobrirá que seu sentimento não é exclusivo. Pelo contrário, é bastante comum em nosso tempo.
Fernanda também discutirá, meio a contragosto, a encruzilhada em que se encontra com uma terapeuta , que buscará ajudá-la a decidir qual será seu próximo passo. Mas, o auxílio maior certamente, Fernanda encontrará na pessoa de sua chefe, Cora, uma executiva da área de publicidade, sem papas na língua e muito divertida. "

A autora do livro se chama Vanessa Anacleto.


Aqui o link para baixar o livro:


Enzo conversando - 20.11.12 - 3 meses

20 de novembro de 2012

Ciência do Início da Vida (CIV) na Globo News - Entrevista com Dra. Elea...

Bebês 'intelectuais'


Nascemos já bem equipados de conhecimentos. Aos 22 anos, atingimos o pico da capacidade cognitiva. Aos 37, começamos a perder qualidades. Mas os neurónios continuam a formar-se, ao longo da vida

"Ninguém nasce ensinado", diz o ditado. A investigação de Elizabeth Spelke, professora da Universidade de Harvard, EUA, mostra exatamente o contrário. Spelke está, há 30 anos, a tentar demonstrar que existe todo um portfólio de conhecimentos que já vem instalado à nascença. 

No seu babylab, aquela psicóloga analisa bebés e crianças, em brincadeiras concebidas para avaliar o seu grau de conhecimento de... conceitos matemáticos - pasme-se! Através de brinquedos e jogos, a diretora do Laboratório de Estudos do Desenvolvimento verificou que a noção de número/quantidade ou até de geometria é inata. "As crianças, bem como os peixes-zebra ou as galinhas, conseguem reorientar-se numa sala, usando noções de geometria", exemplificou Spelke, recentemente, num simpósio de neurociências organizado pela Fundação Champalimaud, em Lisboa. Já as capacidades de ler mapas, interpretar fotografias ou falar são "exclusivas dos humanos, mas também não dependem de treino".


Uma das áreas que desperta maior interesse nas neurociências é a da aprendizagem e memória. Entender o que se passa no cérebro durante este processo pode ajudar a travar a doença de Alzheimer e a demência, ou aumentar a capacidade mental. Timothy Salthouse, diretor do Laboratório de Envelhecimento Cognitivo, da Universidade da Virginia, nos EUA, acompanhou 2 mil pessoas, durante sete anos, com idades entre os 18 e os 60 anos. E concluiu que o auge das capacidades cognitivas, como o raciocínio, a visualização espacial ou a rapidez do pensamento, é atingido aos 22 anos. 

Por outro lado, a memória começa a decrescer a partir dos 37. Já os conhecimentos gerais ou o vocabulário continuam a aumentar, até aos 60 anos, altura em que a memória diminui acentuadamente. Salthouse sublinha, no entanto, numa publicação universitária, que há muitas variações individuais. "Há pessoas que mantêm um elevado nível de performance em todas as idades. O que fazem, ou herdaram, para envelhecer a um ritmo diferente?", questiona.


EXPANDIR A INTELIGÊNCIA

Até há uns anos, os cientistas pensavam que o cérebro parava de criar novos neurónios, após o nascimento. No entanto, hoje sabe-se que o seu processo de formação, a neurogénese, continua na vida adulta, em duas áreas específicas, migrando, depois, para estruturas como o hipocampo - uma região muito importante na formação da memória semântica e episódica (ver infografia). 

É adquirido que existe uma correlação entre a estimulação mental e o aumento da neurogénese. Por outro lado, o stresse, a ansiedade e, lá está, o envelhecimento parecem diminuí-la. Como é que estas novas células, frescas e sem memórias, que não param de chegar, se encaixam nas ligações já existentes, constitui uma questão que atormenta boa parte dos neurocientistas. 


Atsushi Iriki, do Instituto Riken para a Ciência do Cérebro, no Japão, estuda a inteligência e tem, nos macacos, as suas cobaias. 

Depois de os treinar, durante duas semanas, para apanhar bolas, usando uma ferramenta, verificou que o cérebro dos animais se tinha expandido 23 por cento. "Nos matemáticos, que treinam a vida toda, registam-se aumentos de até 3 por cento", disse Atsushi Iriki, à VISÃO, numa recente passagem por Lisboa, para participar num simpósio da Fundação Champalimaud. "Não sabemos, ainda, o que está a acontecer no cérebro: podem ser mais neurónios, mais sangue, mais células da glia [que protegem e suportam os neurónios]", avança. "Também não sabemos até onde podemos ir na expansão. Mas temos a certeza de que existe um limite." 


.

19 de novembro de 2012

Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância


" O cérebro humano é um órgão incrível. Nesse vídeo, utilizado na apresentação de Osmar Terra, no I Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, é possível ver como se formam as conexões neurais quando o bebê ainda está no ventre de sua mãe. "

Fonte: 
Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal


15 de novembro de 2012

Crianças Terceirizadas - por Dr. José Martins Filho (pediatra)

Enzo - o tagarela!

Todo mundo acha super fofo quando bebês fazem aqueles típicos sons fofinhos e engraçados, mas Enzo com seus 3 meses já faz é um monólogo!!!
Pode ser bem tarde da noite ou logo cedinho às 5h da manhã, do nada ele começa a conversar, a narrar algum fato olhando fixamente pra gente como se todo mundo estivesse entendendo tudo que ele conta ou reclama (e ele reclama bastante! hehe)
Pode ser a  imaginação criativa de mãe coruja mas os sons que ele balbucia as vezes parecem até palavras! Juro!!
Olha a lista que eu fiz do que eu acho que já ouvi Enzo falar:
- neneim (neném?)
- main (mãe???)
- uhú
- é
- ãun (não?)
- oba
- elga (quem é essa filho?)

Tá bom... confesso que só eu que entendo o dialeto do meu filho! 
Mas e se a palavra que ele falar primeiro, assim de verdade, for papai ??? Eu queria mesmo que fosse "mamãe" né!! 

E Quando é que o bebê realmente começa a falar?
" Ao completar uma ano de idade, o bebê já é capaz de falar, em média, cinco palavras. Os primeiros vocábulos são nomes de objetos, mas que, na linguagem da criança, significam ações. Assim, “papá” pode ser “eu estou com fome”. Aos 18 meses, ela começa a se comunicar com frases curtas, de duas palavras, como, por exemplo, “qué mamá”. No final do segundo ano de vida, o vocabulário do seu filho dá um salto, compreendendo até 300 palavras. “Embora o processo seja acelerado, é bom lembrar que cada criança tem o próximo ritmo”, alerta a fonoaudióloga e psicopedagoga Quézia Bombonatto. Segundo a especialista, a melhor maneira de estimular o desenvolvimento da fala da criança é simples: “os pais têm de interagir o tempo inteiro, pontuando as ações, fazendo perguntas e, principalmente, deixando que ela fale também”, ensina Quézia. Por isso, nada de entregar tudo o que o bebê apontar sem que ele ao menos se esforce para pedir, caso contrário, ele não sentirá necessidade de se comunicar. "
Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI15575-15105,00.html

Vídeo mostra a pega correta - Amamentação

Desenvolvimento Infantil por Içami Tiba

AMAMENTAR NÃO DÁ CÁRIES!



- Há evidências substanciais que relacionam os hábitos alimentares à cárie dentária, sendo consenso geral que o aumento na sua incidência seja resultado do processo de civilização do homem, acarretando alterações nos padrões de vida mais naturais. Em povos que mantêm os hábitos de alimentação ancestrais, a prevalência de cáries é baixa. Entretanto, quando esses grupos entram em contato com a civilização moderna e seus hábitos alimentares, os índices aumentam drasticamente.

DRESTI, DV; WAES, HV. Prevenção coletiva, semicoletiva e individual em crianças e adolescentes. In: WAES, HJMV, STÖCKLI, PW. Odontopediatria. Porto Alegre: Artmed, p. 133-50, 2002.
------------------------------------------------------------------------------

- A sacarose (açúcar) é o alimento cariogênico mais importante e mais amplamente utilizado pelo homem. Tem o poder de transformar alimentos não cariogênicos e anticariogênicos em cariogênicos. Outros açúcares envolvidos na cariogênese são a glicose e a frutose, encontrado no mel e nas frutas. Uma simples exposição aos alimentos cariogênicos não é fator de risco para a cárie, e sim o frequente e prolongado contato desses substratos com os dentes.

CURY, JA. Uso do flúor e controle da cárie como doença. In: BARATIERI, LN. Odontologia Restauradora – Fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos, p. 32-67, 2001.
---------------------------------------------------------------------------------

- Foi observado que a dieta do lactente brasileiro é deficiente em ferro, monótona, com utilização frequente de biscoitos, espessantes, salgadinhos e açúcar, caracteristicamente alimentos de alta cariogenicidade.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde. Guia Alimentar para crianças menores de dois anos. Série A Normas e Manuais técnicos, n. 107. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.
---------------------------------------------------------------------------------

- O tempo de aleitamento materno exclusivo e de aleitamento materno é maior em mulheres de melhores classes sociais, com maior escolaridade; do mesmo modo, a higiene dental é mais adequada nesse grupo; contrariando o que se observa com a prevalência de cárie, mais comum nas classes menos privilegiadas.

MARQUES, NM. et al. Breastfeeding and early weaning practices in northeast in Brazil: a longitudinal study. Pediatrics., v. 4, p. 108, 2001.
GIUGLIANE, ERJ. O Aleitamento materno na prática clínica. J Pediatr, v. 76 (supl. 3), p. 238-52, 2000.
----------------------------------------------------------------------------

- O leite materno é liberado por ordenha diretamente no palato mole, assim, não sofre estagnação ao ser sugado. Já no aleitamento artificial por mamadeira, o bico bloqueia o acesso da saliva aos incisivos superiores, além de permitir a estagnação de alimentos e exposição prolongada aos carboidratos fermentáveis.

DAVIES, GN. Early childhood caries – a synopsis. Community Dent Oral Epidemiol. V. 26 (supl 1), p: 106-16, 1998.
SEOW, KW. Biological mechanisms of early childhood caries. Community Dent Oral Epidemiol. V. 26 (supl 1), p. 8-27, 1998. 
-------------------------------------------------------------------------------

- A prevalência de aleitamento materno diminui com a idade, ao contrário do que ocorre com a prevalência de cárie.

SANTOS, APP., SOVIERO, VM. Caries prevalence and risk factors among children aged 0 to 36 months. Pesqui Odontol Bras, v. 16, p. 203-8, 2002.
--------------------------------------------------------------------------------

- Mesmo com um aumento na prevalência mundial do aleitamento materno, a prevalência de cárie precoce da infância tem se mostrado constante ao longo dos anos.

CURY, JA. Uso do flúor e controle da cárie como doença. In: BARATIERI, LN. Odontologia Restauradora – Fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos, p. 32-67, 2001.
-------------------------------------------------------------------------------

- Estudos demonstraram que o leite materno diminui o risco de aparecimento de doenças, tais como gastrenterite, infecções, asma, doenças atópicas e diabetes melito, as quais também têm influência na nutrição da criança. Logo é de se pressupor que o leite materno poderia proteger contra a cárie, pelo menor aparecimento das doenças que contribuem para a fisiopatologia da doença e pela menor utilização de medicamentos de risco à carie.

RIBEIRO, NME; RIBEIRO, MAS. Aleitamento materno e cárie do lactente e do pré-escolar: uma revisão critica. J Pediatr, v. 80, n. 5, Porto Alegre, 2004.
-----------------------------------------------------------------------------

- O leite humano é caracterizado por um complexo sistema de defesa que inibe o crescimento de vários microorganismos, entre eles o estreptococcus mutans. Os anticorpos IgA do leite podem interferir na colonização dos estreptococcus pioneiros e, consequentemente, na colonização de outras bactérias residentes na boca. Do mesmo modo, o conteúdo de nutrientes, a capacidade de tamponamento e outros mecanismos de defesa presentes no leite materno podem influenciar a microbiota residente. 

CALVANO, LM. O poder imunológico do leite materno. In: CARVALHO, MR, TAMEZ, RN. Amamentação: Bases Científicas para a prática profissional. Rio de janeiro: Guanabara-Koogan, p. 88-95, 2002.
MARCOTTE, H., LAVOIE, MC. Oral microbial ecology and the role of salivary immunoglobulin A. Microbiol Mol Biol Rev. v. 62, p. 71-109, 1998.
KUNZ, C. et al. Nutritional and biochemical properties of human ,milk, Part I: general aspects, proteins, and carbohydrates. Clin Perinatol.v. 26, p. 303-33, 1999.
-------------------------------------------------------------------------------

- O leite materno contém uma mistura de oligossacarídeos complexa e única da espécie humana, presente em quantidades ínfimas em pouquíssimos mamíferos, que poderá agir num estágio inicial de processo infeccioso, inibindo a adesão bacteriana às superfícies epiteliais.

KUNZ, C. et al. Nutritional and biochemical properties of human ,milk, Part I: general aspects, proteins, and carbohydrates. Clin Perinatol.v. 26, p. 303-33, 1999.
-----------------------------------------------------------------------------

- Qualitativamente, foi demonstrado que o leite humano não é cariogênico pois a placa dental formada por ele é diferente daquela formada pela sacarose. Além disso, com o leite humano não há perda mineral clinicamente visível no esmalte, contrariamente ao que acontece com a sacarose. 

ARAUJO, FB. et al. Estudo in situ da cariogenicidade do leite humano: aspectos clínicos. Rev ABO Nacional. v. 4, p. 42-3, 1997.
------------------------------------------------------------------------------

- Experimentalmente, foi demonstrado que o leite humano não é cariogênico por não provocar queda significativa no ph do esmalte em crianças sob aleitamento materno, com idades entre 12 e 24 meses; promovia a remineralização do esmalte por meio da deposição de cálcio e fosfato em sua superfície e não causava in vitro a descalcificação do esmalte após 12 semanas. Porém, ao ser acrescentada sacarose ao leite humano, havia o surgimento de cáries em dentina em 3,2 semanas.

ERICKSON, PR., MAZHARI, E. Investigation of the role of human breast Milk in caries development. Pediatr Dent. v. 21, p. 86-90, 1999.
---------------------------------------------------------------------------------

- As evidências relacionadas à associação entre cárie e amamentação são limitadas e inconsistentes. Muitos estudos que sugerem a existência deste risco, falham sob a ótica do rigor científico. Além de, em sua grande maioria, serem baseados em estudos dependentes da confiabilidade na recordação das práticas de amamentação e alimentação infantil, fracassam em medir adequadamente e controlar variáveis de confusão fundamentais, tais como práticas de higiene dental, uso do flúor e fatores dietéticos, incluindo a ingestão de alimentos e bebidas à base de açúcar e outros alimentos.

ARORA, A. et al. Early childhood feeding practices and dental caries in preschool children: a multi-centre birth cohort study. BMC Public Health, v. 11, n. 28, 2011.
----------------------------------------------------------------------------------

- Recente estudo com adequado controle de vieses ((idade, variáveis sociais, variáveis de saúde, variáveis comportamentais, variáveis relacionadas à higiene bucal, presença de placa visível e contaminação por Streptococcus mutans) comprova que a amamentação não foi um fator de risco para cáries. Idade, alto consumo de sacarose entre as refeições e a qualidade da higiente oral, sim.

NUNES, A.M. et al. Association between prolonged breastfeeding and early childhood caries: a hierarchical approach. Community Dent Oral Epidemiol, 2012 
-------------------------------------------------------------------------------

Lembrete: a Organização Mundial de Saúde preconiza a amamentação até os dois anos ou mais!

------------------------------------------------------------------------------

Conclusão: Amamentação NÃO dá cáries.
Dá, no mínimo, um SORRISO LINDO, SAUDÁVEL E FELIZ!

--------------------------------------------------------------------------

Fonte: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=316381891802920&set=a.313465942094515.73832.154050994702678&type=1&ref=nf